quarta-feira, 11 de novembro de 2009

MP 122/06 - O SENADO PARECE PIADA




Pastor Francisco Guedes Maia, em seu blog intitulado "Blog do Pastor Guedes"

Queridos leitores, embora seja pastor e o blog tenha um caráter religioso-teológico (também trato de família e sociedade), sou cidadão e tenho, latente, uma veia política, fruto de minha teimosa esperança em um Brasil melhor. Portanto, quero demonstrar toda a minha indignação contra as manobras do Senado Federal para manipular o resultado da enquete sobre a MP122/06.

A princípio a enquete deveria ficar todo o mês de novembro para votação. Depois de nos arregimentarmos e votarmos maciçamente, o órgão responsável tirou-a "do ar" e isso porque o "não" estava obtendo maioria. Quando votei, pela primeira vez, o resultado estava 57% para o não (vantagem de 14%) e agora retornaram a enquete a partir do zero. Pasmem os senhores! Teremos que começar tudo outra vez quando já contávamos com centenas de milhares de votos! Acabo de votar pela segunda vez, o placar está 57% a favor do sim. É de fato uma piada de muito mau gosto. Temo que o Gal. Charles de Gaulle estivesse certo acerca do Brasil, em uma frase que foi atribuída a ele, quando teria dito que esse "não é um país sério". O que podemos esperar de uma casa cujo Presidente (do Senado) é acusado de ser satanista e não se defende dessa e de outras acusações contra sua vida pública?!

Bem, a verdade é que a enquete está no site do Senado para ser votada outra vez. No post anterior quis ser mais polido, pedindo para votarem de acordo com suas consciências, porém neste gostaria de ser mais incisivo: VOTEM NÃO! A LIBERDADE DE EXPRESSÃO CÚLTICA-DOUTRINÁRIA ESTÁ EM JOGO E SE NÃO DERROTARMOS ESSA MP PELA VOZ DO POVO DE DEUS OU AO MENOS MANIFESTARMOS NOSSA OPINIÃO, AMARGAREMOS UM FUTURO INGLÓRIO PARA A IGREJA CRISTÃ NO BRASIL!

Mas, não vamos baixar a guarda. Votemos outra vez e quantas vezes forem necessárias. Divulguem esse assunto e conclamem outras pessoas a votarem pelo "não".

Novamente o endereço abaixo para exercício de nossa cidadania:
http://www.senado.gov.br/sf/senado/centralderelacionamento/sepop/

Que a nossa geração não entre para a história como igreja omissa e as futuras gerações não olhem para trás e tenham de que nos acusar porque, como cidadãos, não fomos cumpridores de nosso papel.

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

fonte:http://www.pastorguedes.blogspot.com/

domingo, 8 de novembro de 2009

"10 coisas que odeio em VC IGREJA!"





Li essa semana uma slongan bastante interessante que revela o quanto a igreja esta em baixa nos últimos tempos: ODEIO A IGREJA, NÃO JESUS!

A lista abaixo relacionada é direcionada à igreja institucional, à igreja-empresarial, ao clube de entretenimento, assim falsificada e vendida ao poder temporal. Não me refiro absolutamente à igreja verdadeira, ao remanescente fiel que muitas vezes está contido nessa igreja caricata dos nossos dias.

Compartilho aqui o sentimento de inconformação de Davi quando disse a Deus: Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem? e não abomino os que se levantam contra Ti? Aborreço-os com ódio consumado, para mim são inimigos de fato.

O que eu odeia em ti, igreja dos nosso tempos?

1. A TUA PRETENSÃO OSTENSIVA de tu te veres superior a tudo e a todos, e com esse orgulho besta, deixas de ser reconhecida como voz de Deus e agência do Reino no mundo. Ao contrário, deverias te afastar pra bem longe dessa vaidade luciferiana e cair em si, voltando a servir humildemente ao mundo ao qual foste enviada.

2. QUANDO INFLEXÍVEL, IMPÕES O DETESTÁVEL LEGALISMO COMO FORMA DE CAMINHADA CRISTÃ com regras insuportáveis que mantém teus membros eternamente cativos a infantilidade na fé, ao invés de conduzi-los à maturidade cristã que alcança a essencial liberdade consciente e anda maduramente nas pegadas de Jesus de Nazaré.

3. A TUA CEGUEIRA REDUCIONISTA que não discerne claramente o Reino além de tuas limitadas fronteiras, expandindo a visão para ver e aceitar outras formas de expressão, de serviço cristão, de culto e de obras que também glorificam a Deus e contribuem para a expansão do Reino na terra.

4. A TUA FORMA DE JULGAR SUMARIAMENTE as pessoas, se são merecedoras do céu ou do inferno, como se coubesse a ti essa prerrogativa divina de seleção. Deveria tu saber que essa é uma ação exclusiva de Deus.

5. A TUA DISCIPLINA CORRETIVA que sempre exclui e joga fora todo aquele que desgraçadamente tropeça por algum motivo, levando invariavelmente o “disciplinado” ao abandono, e ferido, a morrer a míngua.

6. A TUA FORMA ANTIBÍBLICA DE EVANGELIZAR, definindo prazo de mudança para as pessoas ”aceitarem Jesus”, exigindo uma conversão urgente e superficial baseada na adequação compulsória às regras de teus usos e costumes, e não na radical soberana transformação do Espírito Santo, de dentro para fora, e no livre tempo de Deus.

7. A TUA VISÃO MISSIONÁRIA/ EVANGELÍSTICA DISTORCIDA que em nome do “ide” retira as pessoas de suas áreas de convivência na sociedade onde exerciam posições estratégicas para alcançar seus semelhantes, para mantê-los circunscritos à área do templo, transformando-os em pessoas inativas ou em obreiros alienados que desconhecem o que se passa no mundo que os rodeiam.

8. O TEU ABUSO DE PODER arrastando milhares de PESSOAS SINCERAS, frágeis, crédulas, simplórias, despreparadas e desavisadas à exaustão, ao esgotamento, ao sofrimento, à decepção, e a se sentirem absolutamente usurpadas física, emocional, material e espiritualmente. Essas pobres vítimas do teu poder abusivo se tornam amargas e refratárias para o Evangelho para sempre, fechadas para qualquer possibilidade de pensarem em Deus ou em coisas relacionadas a ti.

9. A FORMA IMORAL COM QUE TEUS LÍDERES LIDAM COM AS FINANÇAS, manipulando o dinheiro que entra em teus cofres de forma irresponsável, desonesta, revelando que são subjugados pelo deus Mamon. Reproduzes pastores que amam posição, poder, e o dinheiro, tornando-os cheios de avareza e de ganância. ISSO TEM CAUSADO GRANDES ESCÂNDALOS E DANOS IRREVERSÍVEIS PARA O EVANGELHO, E TU ÉS DIRETAMENTE RESPONSÁVEL POR ISSO!10.

E por último, odeio quando MENTES, ASSEVARANDO QUE FORA DE TI, AS PESSOAS NÃO PODEM SOBREVIVER. Saiba que existem milhões de pessoas que nunca adentraram em teus átrios e mesmo assim oram, têm temor, discernimento, maturidade, ética, moral e dignidade, muitas vezes, mais apurados que teus pobres membros pretensiosos.

Sobretudo, há uma forma difícil, dolorida, mas possível, que pode mudar radicalmente esse quadro sombrio: TENS QUE PASSAR PELO PORTAL DO ARREPENDIMENTO. Como diria Jesus, Lembra-te de onde caíste e arrepende-te...

A seguir, 10 coisas que amo em você, Igreja.

fonte: http://manoeldc.blogspot.com/2009/10/dez-coisas-que-odeio-em-voce-igreja.html

A pregação Neopentecostal...

Tema e costume que está a adentrar em várias igrejas sérias, que e levantem os atalaias.


A pregação neopentecostal...
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...Vitórias temporais, saúde e prosperidade.


Quais assuntos são mais abordados pela Teologia da Prosperidade?

Resposta: a linha neopentecostal do evangelicalismo brasileiro tem enfatizado esses três temas em sua pregação: vitórias temporais, saúde e prosperidade.

Geralmente as pessoas que vão às denominações neopentecostais querem ouvir isso. Não estão preocupadas com outras coisas. Certa vez ouvir num programa de rádio de uma denominação dessa linha um "testemunho" de um senhor que dizia ter encontrado a verdadeira Palavra de Deus e alcançado prosperidade naquela igreja, depois de ter saído de uma outra onde o pastor só falava de salvação.

Observando os pregadores do Novo Testamento percebemos facilmente que a ênfase era outra:

1. João Batista
pregava arrependimento e as pessoas iam até ele para serem batizadas confessando os seus pecados (Mt. 3:6; Mc.1:5)

2. Jesus após ser batizado por João começou a pregar dizendo: arrependei-vos, pois é chegado a vós o Reino dos Céus (Mt.4:17)

3. Pedro no dia de Pentecostes anunciou a uma grande multidão de judeus que aquele que eles, juntamente com Pilatos, tinham matado era o Messias enviado por Deus. Compungidos em seus corações perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: o que faremos irmãos? Resposta de Pedro: arrependei-vos e convertei-vos e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus para perdão dos pecados e recebereis o dom do Espírito Santo (At. 2:14-41)

4. A pregação do apóstolo Paulo era fundamentada na graça de Deus, anunciando a morte e a ressurreição de Jesus, como meio para a nossa justificação. Paulo em suas cartas prega a novidade de vida, o abandono dos pecados, como na carta aos Efésios ele diz: aquele que furtava não furte mais (Ef.4:28)

Hoje, porém, as mensagens estão cada vez mais distantes da temática neo-testamentária.
Fala-se muito em conquista, cura apenas do corpo, aquisição de bens, diabo e demônios, determinação, direitos do cristão e etc.
Veja abaixo algumas características da pregação contemporânea:

• Não há ênfase na mudança de caráter:

Princípios como santidade, confissão de pecados, arrependimento, mudança de comportamento, mudança de linguagem não são lembrados.

• Não há ênfase na missão da Igreja:

As pessoas não são informadas do que e para o que se converteram. A finalidade da Igreja é uma incógnita. Não fala-se em evangelismo e discipulado. A imagem da Igreja como sal e luz não é transmitida.

• Não há ênfase na adoração a Deus:

Não há estímulo para a congregação adorar a Deus. Ao contrário, a Igreja é ensinada a cobrar as coisas de Deus, colocá-lo com canto da parede, como se isso fosse possível. Usa-se a expressão “eu não aceito” quando há situações difíceis. É interessante que o apóstolo Paulo pediu três vezes que Deus tirasse o espinho da sua carne e três vezes teve não como resposta. Depois disso aceitou e adorou a Deus porque quando ele entendeu que quando estava fraco era então que estava forte (II CO.12:7-10). As pessoas vão ao culto não para adorar a Deus pelo que Ele é e faz, mas para receber “bênçãos”.

• Não há ênfase no serviço:

As pessoas não são informadas dos seus deveres enquanto cristãos, pois apenas os “direitos” são abordados. Passa-se a idéia que a Igreja existe para ser servida e Deus tem que atender os nossos pedidos, pois Ele prometeu. Vive-se uma vida cristã voltada para receber e não para dar, contrariando a Palavra de Jesus (At.20:35).

• Não há ênfase na comunhão:

Não há estímulo para contato e prática do amor cristão. A Igreja como corpo não é ensinada. O príncípio é cada um por si, cada um buscando a sua bênção. Geralmente nessas igrejas os membros nem se conhecem. O pastor não tem contato com as ovelhas, não tem cheiro de ovelha e nem quer ter.

• Não há ênfase no aprendizado das Escrituras

Geralmente nas igrejas da teologia da prosperidade não há escola dominical. Os membros não se interessam pela leitura das escrituras e não são incentivados a crescer no conhecimento da Palavra. O pastor prega um sermão breve sem conteúdo bíblico, sem folhear a Bíblia ou citar outros versículos. Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam (Jo.5:39)

Que Deus na sua infinita graça tenha misericórdia de nós, pois o pior de tudo isso é que as pessoas gostam desse tipo de pregação. As pessoas querem bênção, saúde e prosperidade. As pessoas querem viver bem aqui na terra, segundo os padrões desse mundo. Não há preocupação com o Reino, com as coisas de cima. As pessoas não querem compromisso com o serviço, com a comunhão, com a oração devocional, com a santidade.

Que se levantem os profetas, pois quando falta profecia o povo perece (Pv.29:18).


Autor: Valdiva Nascimento
Fonte: [ Blog do autor ]
Via: [ Emeurgência ]

via: http://bereianos.blogspot.com/2009/09/pregacao-neopentecostal.html

Os Pecados capitais dos pastores





1. - Soberba - O que tem de pastor soberbo por aí, só mesmo vendo para acreditar. Muitos deles se acham melhores e mais santos do que os outros, sem atentar ao fato de que foram salvos exclusivamente pela GRAÇA e MISERICÓRDIA de Deus, sem que nada merecessem, a não ser condenação e inferno. Que eles jamais se considerem melhores do que os crentes e incrédulos, devendo amá-los, respeitá-los, pregar-lhes o Evangelho bíblico e orar por eles, a fim de provar que realmente os amam. Vamos ler Romanos 14:10: “Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo”; 14:12: “De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus”.

2. - Avareza - Este é o pecado mais encontrado nos “pentecapastors”, os quais fazem da avareza (que é idolatria) o seu pecado especial. Eles pregam o Evangelho não por amor às almas perdidas, mas visando lucros financeiros, para encher suas contas bancárias e construir templos suntuosos, a fim de mostrar aos seus confrades que sua igreja é MAIOR e MAIS BONITA do que a deles. O fenômeno (católico/pagão) do crescimento de igrejas começou nos Estados Unidos e tem se espalhado por todo o Ocidente, onde o clero se tornou mundano e avarento, em busca de fama, riqueza e poder eclesiástico (Lucas 12:15; Colossenses 3:5; 2 Pedro 2:3, etc.). Essa febre foi espalhada por um herege/budista dono de uma mega-igreja, o coreano David Yongi Cho. Ela infectou os americanos e, hoje em dia, alguns homens como Rick Warren e Robert Schüller exibem mega-igrejas com milhares de “convencidos” da salvação (Mateus 7:21-23). E os macacos nacionais seguem atrás deles...

3. - Luxúria - Antigamente os pastores evangélicos se destacavam pela sua honestidade e fidelidade no leito conjugal e no lar, “governando bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia”, conforme o mandamento da I Timóteo 3:4. Hoje os escândalos envolvendo pastores famosos explodem em todos os países, à medida que cresce o número de mega-igrejas. Muitos pastores que ficam famosos na TV são logo tentados por alguma ovelha sedenta de atenção e carinho e acabam caindo no pecado da luxúria, no adultério e até mesmo no homossexualismo. (1 Coríntios 6:18; 10:8; Gálatas 6:19; Apocalipse 21:8, etc.)

4. - Ira - Este é um pecado muito comum nos “pentecapastors“ e nos “avivados”, quando os gazofilácios de suas igrejas não ficam recheados de notas, após os cultos em que eles pregam, desavergonhadamente, Malaquias 3. Eles sempre exigem dízimos e ofertas (com até cheques pré-datados) das ovelhas incautas, as quais, acreditando em receber bênçãos à custa de sua generosidade, vão dando o que têm e o que não têm a esses “ministros do anjo de luz”, que desonram a igreja do Senhor (Efésios 4:26; Tiago 1:19; Mateus 5:22, etc.).

5. - Gula - Este é um dos pecados mais acariciados pelos pastores modernos. Quem já ouviu algum pastor pregar contra o grave pecado da GULA? Eu nunca ouvi. Eles ficam exigindo que suas ovelhas jejuem, mas eles mesmos comem tanto que acabam ficando gordos e flácidos, pelo excesso de arroz, feijão, macarrão, maionese, farofa, carne, doces, etc. Meu marido (um Químico alemão especialista em alimentos) costumava dizer que cada 10 gramas de alimento ingerido - além do que o organismo carece - se transforma em gordura, sobrecarregando o fígado e, nesse caso, engordando o pastor guloso, afetando-lhe a saúde e tornando-o preguiçoso no desempenho dos seus deveres eclesiásticos. É difícil encontrar um pastor que não seja obeso, pois enquanto esses “anjos da igreja” pregam nos púlpitos, muitas vezes estão ansiando pelo término do culto, a fim de irem para casa e encherem seus ventres de carboidratos, gordura e doces (Gálatas 5:21).

6. - Inveja - O que existe de pastor invejoso por aí nem se pode contar. Eles têm inveja dos incrédulos, quando os vêm enchendo as casas lotéricas em busca de fortuna fácil. Invejam-nos, quando os vêem diante de uma garrafa de cerveja nos bares, e também quando os vêem acompanhados de alguma mulher bonita e elegante, usando maquilagem e adereços da moda, pois muitos têm esposas mal amanhadas, principalmente aqueles “pentecas”, em cujas denominações as mulheres têm de usar saias e cabelos compridos, a fim de mostrarem uma piedade que nunca possuem (Tiago 4:2).

7. - Preguiça - Existe uma classe mais preguiçosa do que a dos pastores evangélicos? Primeiro, não exercem um emprego secular com a desculpa de se dedicarem exclusivamente ao “serviço de Deus” e aos assuntos da igreja. Contudo, esses mandriões dormem até altas horas do dia, ficam horas perdidas diante dos aparelhos de TV, ou fofocando com os confrades, e quase não lêem a Bíblia, a não ser em busca de alguns versos (em geral do Velho Testamento), para os transformarem numa pregação medíocre. Segundo, dificilmente esses pastores visitam uma ovelha carente ou enferma e nunca ajudam suas esposas nos afazeres domésticos, pois, em geral, são machistas demais e suas esposas se matam de trabalhar, em casa e na igreja, se não tiverem uma boa empregada (Provérbios 6:9; 15:19; Isaías 56:10, etc.).

Bem, meus leitores, mostrei apenas os pecados capitais da classe pastoral. Mas existem dezenas de outros pecados cometidos pelos pastores folgados e, a quem quiser descobri-los, aconselho a leitura do Livro de Provérbios e das Epístolas de Paulo, para depois comparar o desempenho do “anjo” de sua igreja e ver como ele se comporta em relação aos ensinos da Palavra de Deus.

Além desses pecados capitais, alguns desses “ungidos do Senhor” costumam praticar outros, como: mentira, covardia, ciúme, facção, bajulação... e por aí a fora.

Alguém vai ler estas “mal traçadas” críticas e se indagar: “Mary não tem medo de ser excluída da igreja por causa desse artigo?” Respondo: Primeiro, acredito piamente na 2 Timóteo 1:7. Segundo, o pastor da igreja que eu freqüento não se enquadra em nenhum desses pecados capitais, pois é um bom pai de família, é humilde, não é ambicioso, não é guloso, é um estudioso da Palavra, é um bom pregador e vive lendo muitos autores evangélicos. Por isso ele vai ler este artigo, vai esboçar um sorriso maroto e pensar: “Essa velhinha é louca de pedra!” E não tomará qualquer atitude contra mim, porque sempre fica na dele, até mesmo quando lhe faço alguma crítica direta e contundente! Por isso é que eu o respeito muito!

Autor: Mary Schultze
Fonte: [ O Brasil tem sede de Deus ]
Via: [ PavaBlog ]

via blog bereianos
http://bereianos.blogspot.com/2009/11/os-pecados-capitais-dos-pastores.html

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

PRECISAMOS NOVAMENTE DE HOMENS DE DEUS

A. W. Tozer

A igreja, neste momento, precisa de homens, o tipo certo de homens, homens ousados. Afirma-se que necessitamos de avivamento e de um novo movimento do Espírito; Deus, sabe que precisamos de ambas as coisas. Entretanto, Ele não haverá de avivar ratinhos. Não encherá coelhos com seu Espírito Santo.

A igreja suspira por homens que se consideram sacrificáveis na batalha da alma, homens que não podem ser amedrontados pelas ameaças de morte, porque já morreram para as seduções deste mundo. Tais homens estarão livres das compulsões que controlam os homens mais fracos. Não serão forçados a fazer as coisas pelo constrangimento das circunstâncias; sua única compulsão virá do íntimo e do alto.

Esse tipo de liberdade é necessária, se queremos ter novamente, em nossos púlpitos, pregadores cheios de poder, ao invés de mascotes. Esses homens livres servirão a Deus e à humanidade através de motivações elevadas demais, para serem compreendidas pelo grande número de religiosos que hoje entram e saem do santuário. Esse homens jamais tomarão decisões motivados pelo medo, não seguirão nenhum caminho impulsionados pelo desejo de agradar, não ministrarão por causa de condições financeiras, jamais realizarão qualquer ato religioso por simples costume; nem permitirão a si mesmos serem influenciados pelo amor à publicidade ou pelo desejo por boa reputação.

Muito do que a igreja faz em nossos dias, ela o faz porque tem medo de não fazê-lo. Associações de pastores atiram-se em projetos motivados apenas pelo temor de não se envolverem em tais projetos.

Sempre que o seu reconhecimento motivado pelo medo (do tipo que observa o que os outros dizem e fazem) os conduz a crer no que o mundo espera que eles façam, eles o farão na próxima segunda-feira pela manhã, com toda a espécie de zelo ostentoso e demonstração de piedade. A influência constrangedora da opinião pública é quem chama esses profetas, não a voz de Jeová.

A verdadeira igreja jamais sondou as expectativas públicas, antes de se atirar em suas iniciativas. Seus líderes ouviram da parte de Deus e avançaram totalmente independentes do apoio popular ou da falta deste apoio. Eles sabiam que era vontade de Deus e o fizeram, e o povo os seguiu (às vezes em triunfo, porém mais freqüentemente com insultos e perseguição pública); e a recompensa de tais líderes foi a satisfação de estarem certos em um mundo errado.

Outra característica do verdadeiro homem de Deus tem sido o amor. O homem livre, que aprendeu a ouvir a voz de Deus e ousou obedecê-la, sentiu o mesmo fardo moral que partiu os corações dos profetas do Antigo Testamento, esmagou a alma de nosso Senhor Jesus Cristo e arrancou abundantes lágrimas dos apóstolos.

O homem livre jamais foi um tirano religioso, nem procurou exercer senhorio sobre a herança pertencente a Deus. O medo e a falta de segurança pessoal têm levado os homens a esmagarem os seus semelhantes debaixo de seus pés. Esse tipo de homem tinha algum interesse a proteger, alguma
posição a assegurar; portanto, exigiu submissão de seus seguidores como garantia de sua própria segurança. Mas o homem livre, jamais; ele nada tem a proteger, nenhuma ambição a perseguir, nenhum inimigo a temer. Por esse motivo, ele é alguém completamente descuidado a respeito de seu prestígio entre os homens. Se o seguirem, muito bem; caso não o sigam, ele nada perde que seja querido ao seu coração; mas, quer ele seja aceito, quer seja rejeitado, continuará amando seu povo com sincera devoção. E somente a morte pode silenciar sua terna intercessão por eles.

Sim, se o cristianismo evangélico tem de permanecer vivo, precisa novamente de homens, o tipo certo de homens. Deverá repudiar os fracotes que não ousam falar o que precisa ser externado; precisa buscar, em oração e muita humildade, o surgimento de homens feitos da mesma qualidade dos profetas e dos antigos mártires. Deus ouvirá os clamores de seu povo, assim como Ele ouviu os clamores de Israel no Egito. Haverá de enviar libertação, ao enviar libertadores. É assim que Ele age
entre os homens.

E, quando vierem os libertadores... serão homens de Deus, homens de coragem. Terão Deus ao seu lado, porque serão cuidadosos em permanecer ao lado dEle; serão cooperadores com Cristo e instrumentos nas mãos do Espírito Santo...

Extraído da Revista Fé para Hoje

domingo, 1 de novembro de 2009

JOÃO, POLICARPO e os HEREGES



Por André Aloísio

Este texto é um trecho do livro Contra as Heresias, de Ireneu de Lião (130-202 d.C.), discípulo de Policarpo (70-160 d.C.).


Podemos ainda lembrar Policarpo, que não somente foi discípulo dos apóstolos e viveu familiarmente com muitos dos que tinham visto o Senhor, mas que, pelos próprios apóstolos, foi estabelecido bispo na Ásia, na Igreja de Esmirna. Nós o vimos na nossa infância, porque teve vida longa e era muito velho quando morreu com glorioso e esplêndido martírio. Ora, ele sempre ensinou o que tinha aprendido dos apóstolos, que também a Igreja transmite e que é a única verdade. E é disso que dão testemunho todas as Igrejas da Ásia e os que até hoje sucederam a Policarpo, que foi testemunha da verdade bem mais segura e digna de confiança que Valentim* e Marcião* e os outros perversos doutores. É ele que no pontificado de Aniceto, quando esteve em Roma, conseguiu reconduzir muitos destes hereges, de que falamos, ao seio da Igreja de Deus, proclamando que não tinha recebido dos apóstolos senão uma só e única verdade, aquela mesma que era transmitida pela Igreja. E há os que ouviram dele que João, o discípulo do Senhor, tendo ido, um dia, às termas de Éfeso e tendo notado Cerinto* lá dentro, precipitou-se para a saída, sem tomar banho, dizendo ter medo que as termas desmoronassem, porque no interior se encontrava Cerinto, o inimigo da verdade. O próprio Policarpo, quando Marcião, um dia, se lhe avizinhou e lhe dizia: "Prazer em conhecê-lo", respondeu: "Eu te conheço como o primogênito de Satã"; tanta era a prudência dos apóstolos e dos seus discípulos, que recusavam comunicar, ainda que só com a palavra, com alguém que deturpasse a verdade, em conformidade com o que Paulo diz: "Foge do homem herege depois da primeira e da segunda correção, sabendo que está pervertido e é condenado pelo seu próprio juízo" (Tt.3.10-11). Existe também uma carta importantíssima de Policarpo aos filipenses na qual os que desejam e se importam com a sua salvação podem conhecer as características da sua fé e a pregação da verdade. Também a igreja de Éfeso, que foi fundada por Paulo e onde João morou até os tempos de Trajano, é testemunha verídica da tradição dos apóstolos.


* Cerinto, Marcião e Valentim: hereges gnósticos do século II d.C.


Para maiores informações sobre Policarpo, veja o livro Padres Apostólicos, que traz duas epístolas de Policarpo escritas aos filipenses e o relato de seu martírio escrito pela Igreja de Esmirna. No blog Voltemos ao Evangelho também há um vídeo muito proveitoso onde John Piper narra o martírio de Policarpo.

fonte: blog teologia-vida http://www.teologia-vida.blogspot.com

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A perda da identidade OVINA da IGREJA...

Há muitas “igrejas” que não são constituídas por rebanhos (de ovelhas), mas são verdadeiras matilhas (grupo de cães) e até mesmo alcatéias (coletivo de lobo). Ávidas por carne, recebem qualquer um, ovelha ou não, com água na boca. Mordem, devoram e destroem as pobres ovelhinhas que entram pensando que é um aprisco, mas que na verdade é um matadouro.

Outras são verdadeiras versões demoníacas da Arca de Noé, ou seja, possuem todas as espécies de animais imundos em orgias, promiscuidades, depravações, atrocidades...

A perda da identidade ovina da igreja por conta de sua alcateização não é um fenômeno da igreja contemporânea, atual ou moderna. Paulo de Tarso já havia alertado os presbíteros da Igreja em Éfeso para os estragos que os lobos disfarçados (ou não) de ovelhas poderiam causar ao rebanho (Atos 20:29-30). E, antes mesmo de Paulo, Jesus, o Mestre dos mestres, já havia advertido seus discípulos sobre tal perigo: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.” (Mateus 7:15).

Os lobos nunca foram ovelhas, mas algumas alcatéias já foram rebanhos. Essa metamorfose coletiva, impossível no mundo animal, mas possível no universo eclesiástico, se dá quando as ovelhas não são prudentes e astutas como as serpentes e simples como as pombas (Mat 10:16), e, conseqüentemente, são mordidas (empeçonhadas), dilaceradas, devoradas e dizimadas.

Assim, por exemplo, das 100 ovelhas, “Anteontem eram 98 ovelhas e um casal de lobos. Ontem, descontando as que fugiram, as que se esconderam e as que foram devoradas, eram 54 ovelhas e um casal de lobos. Hoje, 22 ovelhas, um casal de lobos, quatro filhotes e três agregados. Amanhã, serão 98 lobos e um casal de ovelhas, conservados vivos para atraírem outras ovelhas. Pronto: o rebanho virou alcatéia!” (Dercinei Figueiredo Pinto).

A humanidade, por centenas de anos, sempre lutou contra os lobos, os caçou, os matou, mas não conseguiu exterminá-los, somente, por um espaço de tempo, reduziu sua quantidade e os fez se esconderem, entretanto, agora, os lobos se proliferaram em seus esconderijos e já não se escondem mais, não mais fogem, voltaram a ser audaciosos, desafiadores, seguros, e estão reconquistando o espaço que lhe foi tirado.

Por tudo isso aos Cristãos é de suma importância saber mais sobre os lobos para poderem perceberem se estão dentro de um aprisco ou no meio de uma alcatéia.



O lobo é um animal mamífero carnívoro da família dos canídeos (Canis lupus), semelhante a um cachorro de grande porte (enquanto a Bíblia abomina e amaldiçoa os cães, os homens dizem que o cão é o melhor amigo do homem). É um animal extremamente inteligente (30% mais do que os cães), sociável, que, na grande maioria das vezes forma bandos (alcatéias) nos quais impera um comportamento hierárquico, com machos e fêmeas dominantes (casal alfa), com padrões de comportamento que regulam a agressão, a ameaça e o apaziguamento.



Depois do leão, o lobo é o carnívoro mais bem disseminado do mundo. Parte do sucesso da grande disseminação dos lobos são as habilidades de se adaptarem-se às novas situações e explorarem todas as oportunidades para uma refeição fácil. Assim, a sua grande capacidade de adaptação e organização social lhes permitiram distribuírem-se por uma vasta área.



Tenazes, belos e misteriosos. Os lobos são extremamente inteligentes (os homens de Deus somente não são sabeis nas coisas deste mundo e a sabedoria deles sobre as celeste é pura revelação divina, ou seja, o mérito não é deles) fortes (os homens de Deus normalmente são fracos ou franzinos) e sociáveis (os homens de Deus não são sociáveis, muito menos possuem amizade com este mundo), habilidades que fazem dele um dos melhores predadores da Terra.



É um dos animais que mais se adapta do planeta. Adaptam-se a grande variedade de habitats, desde o bosque e a montanha até a tundra ártica, e se alimentam de diversas presas, desde pequenos roedores, coelhos e lebres a grandes herbívoros, que constituem as vítimas preferidas, entre as quais encontram-se cervos, alces e outros ungulados. Também atacam outros carnívoros, assim como as aves, répteis e anfíbios, e ingerem produtos vegetais. Enfim, possuem a capacidade de comerem qualquer coisa, inclusive carniça e vômito, tanto que costumam vomitar para os filhotes comerem (armazenam cerca de 15 kg de comida no estômago) e costumam enterrar os alimentos para poder ser consumido em outros dias, enquanto Deus diz que o maná é para o seu dia e não guardar nada para depois pois irá apodrecer (Êxodo 16:14-20) e as águias só comem carne fresca.



"Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?

Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?

E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?

E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;

E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.

Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?

Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?

(Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;

Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal." (Mateus 6:25-34).

Pastor Adriano Luiz dos Santos
fonte: www.pradriano.blogspot.com

terça-feira, 8 de setembro de 2009

É SILAS MALAFAIA, as coisas realmente MUDAM e como mudam!!!



Revirando algumas revistas velhas, deparei-me com uma em particular que chamou a minha atenção, mais precisamente a Eclésia nº 73 ano VII, cujo matéria de capa é a entrevista com o Pr. Silas Malafaia. Comecei a ler, e percebi como as coisas podem mudar com o passar dos tempos, como tudo pode ser “relativo”, dependendo das circunstancias em que vivemos; resolvi então postar alguns trechos da entrevista feita na época pelo repórter Carlos Fernandes. METRALHADORA GIRATORIA. Silas Malafaia chega aos 20 anos de um ministério marcado pela polemica. Ele é polemico por convicção. Na televisão e no radio esbraveja, gesticula, compra briga. Tudo para defender a verdade – a do Evangelho, ele garante; a sua própria esbravejam os adversários. O fato é que a 20 anos desde que foi ordenado pastor, Silas Lima Malafaia é uma das pessoas mais conhecidas e comentadas da Igreja Evangélica Brasileira.Noa ar desde 1982 com o programa Renascer, veiculado em rede nacional, é um dos pioneiros da modernização do uso da TV pelos evangélicos. Percorre o pais pregando a palavra e fazendo palestras. Boa parte deste material, reunido em fitas de vídeo, chega aos quatro cantos do pais e até do exterior através da Central Gospel. Nesta conversa com ele ECLESIA revela um pouco mais do pensamento de um dos mais controvertidos pastores brasileiros.

ECLESIA – Seu ministério é conhecido devido às posturas polemicas que o senhor adota. Por que o senhor age assim comprando brigas?
SILAS MALAFAIA – Eu me lembro do meu pai, que foi um líder evangélico que teve uma postura muito firme. E ele sempre me ensinou que eu não deveria ter medo da oposição, nem de cara feia. Ele me falava: “Meu filho, não abra mão se você estiver do lado da verdade, não tenha medo da pressão”. Há um texto bíblico que eu gosto muito de repetir na televisão, sempre que eu vou falar de algum assunto polemico, que é II Co. 13.8 : “Nada podemos contra a verdade, senão pela verdade.”
ECLESIA – Há quem diga que tudo não passa de encenação e que o senhor, na verdade, interpreta um personagem... Pura bobagem.
Eu não faço isso por marketing. Primeiro, que eu não pprecfiso viver disso, nem inventar nada – há 20 anos que estou ai, diante de todo mundo, defendendo o que acredito ser certo. Além disso, eu pertenço a uma igreja muito boa, muito sólida e equilibrada, que é a Assembléia de Deus...
Na sua opinião, o que é mais importante para o obreiro: a unção espiritual ou o preparo teológico? Eu penso que as duas coisas precisam estar alinhadas. Deus acredita no potencial humano. Aprendi que Deus não move uma palha naquilo que o homem pode fazer. A unção vem de Deus, mas a preparação, o desenvolvimento, cabe a mim. Eu posso ser um obreiro ungido, mas medíocre, e posso ser um obreiro ungido e atualizado.
Qual a sua avaliação sobre a formação dos pastores no Brasil? Temos muita gente ai sem nenhum tipo de preparo, nem espiritual, nem intelectual, falando em nome de Jesus. Eu não estou dizendo que tem que ser doutor, PHD, para dizer que esta preparado. Mas é preciso buscar conhecimento, ler muito, fazer um curso teológico, enfim, aprimorar o chamado que recebeu de Deus.
As associações de pastores que hoje existem, não deveriam atuar nesse sentido? Essas organizações são entidades associativas sem nenhum poder sobre as igrejas. Cada denominação é que estabelece suas próprias regras. E isso tem um lado muito ruim – um monte de trambiqueiro e pilantra têm ai o titulo de pastor, sai abrindo verdadeiras biroscas, dizendo que é igreja.
O senhor tem repetido insistentemente que o Brasil atravessa um grande avivamento espiritual. Não parece paradoxal, já que sabemos de tantos problemas e crises? Eu não compartilho da opinião desses críticos que apregoam o catastrofismo da igreja evangélica brasileira.
Enquanto existir ser humano vai haver pecado, vai haver deficiência. Olha só Jesus escolheu 12 discípulos. Grupo pequenininho não é? Mesmo assim, havia Judas, que era um traidor. E Judas era amigo intimo de Jesus. Quer dizer mesmo naquele grupinho, tinha um trem doido que não prestava. E não era só isso, não. Jesus teve que resolver muita parada com aquela turma. Tinha filho do trovão, tinha zelote, gente da pesada. Então, meu irmão, onde tem homem, tem crise. Isso não quer dizer que a Igreja esteja indo mal.
Então, como ainda há espaço para os escândalos e divisões que periodicamente, abalam o meio evangélico?
Porque isso é profético. São sinais dos últimos tempos. Rapaz, eu não quero citar nomes de denominações aqui por uma questão ética. Mas já apareceram, na historia do movimento evangélico no Brasil, aqueles que disseram que eram a verdadeira Igreja. Alias – eu vou dizer – foi a Igreja da Restauração do Brasil. Eles saíram da Assembléia de Deus, dizendo que tinham que ser mais santos, ter mais costumes ainda... Certo.
Mas por que tem aparecido tantas novidades em termos de eclesiologia? Porque o movimento neopentecostal, buscando identidade e afirmação, começou a buscar uma serie de medidas de experimentação. O problema é que veio junto uma serie de modismos de pataquada.
No apogeu do movimento G12, em meados de 2000, ECLÈSIA fez uma reportagem na qual o senhor disse que a chamada visão dos 12 era uma “palhaçada de quem não conhece a bíblia.” Previu também que o movimento teria vida curta. O que diz hoje? O mesmo que disse naquela ocasião. Só faço uma pergunta: cadê o G12? Cadê a revolução que iriam fazer? Disseram que eu era profeta do diabo, me amaldiçoaram, rogaram praga, pintaram o caneco, cadê? Acabou o modismo. Só serviu para dividir e derrubar igrejas. Olha, eu recebi mais de 50 mil faxes e e-mails falando dos estragos do G12. O que mais teve foi crente perturbado, crente decepcionado porque descobriu que o Evangelho não é mágica. Talvez tenha sido uma das maiores perturbações que a Igreja Brasileira enfrentou na sua historia.
O senhor não acha que o moderno movimento apostólico é legitimo? Que unção de apostolo? Ta, vamos lá. Primeiro, teria que ter visto Jesus. Mas vamos quebrar o galho, vamos deixar este aspecto de lado. Apostolo é aquele que vem para a base, é o desbravador, o que estabelece a base da Igreja. E esses apóstolos que temos ai? Qual é a deles? É tudo pescador de aquário dos outros. Estão com a Igreja cheia de membros das Igrejas dos outros e ficam pregando em grandes centros.E tem outra coisa: se são apóstolos tem que entregar a direção de suas igrejas. O verdadeiro apóstolo é o que rompe, estabelece a igreja e vai embora. Ah, para com essa brincadeira. É uma insensatez, um modismo barato. Apóstolo no Brasil, e uma função hierárquica. O camarada era pastor, se intitulou bispo, depois tem que ter um titulo maior. Só falta querer ser vice-Deus, do jeito que vai.
Qual a sua avaliação sobre a tão falada teologia da prosperidade? A teologia da prosperidade, copiada do modelo americano é outro besteirol puro. Aquele modelo de super-homens espirituais que conquistam tudo, que oram e Deus abre as portas, que não podem ficar doentes, que não podem ser pobres. Esse modelo não é bíblico. Quero ver implantarem esse troço na Somália. Prosperidade a luz da Bíblia, é um conjunto de elementos. É repartir, é viver feliz e alegre com o que se tem. Não é apenas a questão financeira, como andam dizendo por ai. Hoje, temas considerados tabus na igreja há pouco tempo, como o divorcio, já fazem parte do cotidiano dos crentes.
O que mudou? Lamentavelmente o que esta acontecendo é que estamos tomando a forma do mundo, contrariando o que o apostolo Paulo disse em Romanos 12 – ou seja, que nós não deveríamos nos conformar com o mundo. A grande ilusão do divorcio é que um segundo casamento não vai repetir os defeitos e problemas do anterior. As pessoas estão se divorciando, na maioria dos casos, por egoísmo. Ninguém abre mão, ninguém quer ceder. Estamos vivendo a cultura das facilidades. É mais fácil separar do que buscar a solução para os problemas conjugais.
E o que o senhor pensa de igrejas que admitem pastores divorciados? Eu não quero ser inflexível. Cada caso,é um caso. Mas dentro disso, temos princípios. O camarada se separou porque cansou da mulher e resolveu trocar uma de 40 por outra de 20? Tenha paciência. Eu não sei como é que tem povo para seguir um cara desses. O pastor, o ministro, de acordo com o principio da Bíblia, tem que ser irrepreensível, marido de uma só mulher. Não é uma de cada vez, não. Tem que ser exemplo dos fieis. Acima da normalidade. Que autoridade espiritual um pastor divorciado tem para chegar ao púlpito e exortar o membro da igreja a salvar seu casamento? Onde é que nós vamos parar com essa licenciosidade de gente que quer justificar o seu pecado? O senhor disse que cada caso, é um caso. Então quando se justifica um pastor largar sua mulher? Meu irmão, eu sou duro nesse negocio. Com pastor, então, mais ainda. Certa vez, um pastor chegou para mim e disse: “Malafaia, minha mulher adulterou, eu tentei salvar o casamento, ela adulterou de novo, eu tentei salvar novamente e aconteceu de novo.” Eu disse: “Então chega”. Ai é outra historia. E a igreja toda sabia da situação. Ele tentou. Admiti-se que um pastor se divorcie, mais em casos muito raros. Agora, tem pastor se separando porque ele é que é o adultero. Como é que a gente pode aceitar um camarada desses e dizer que é normal? Estamos em um ano eleitoral.
Qual a sua opinião sobre evangélicos na política?
É preciso fazer o seguinte diferenciação. Púlpito não é palanque. Mas a política não é do diabo. As pessoas que estão dentro das igrejas são seres humanos, dentro de um contexto social. E a própria Bíblia diz que, quando os ímpios governam o povo sofre. Então nós não podemos nos omitir. O pastor não deve fazer do púlpito uma negociata política. Pelo contrario, ele deve ter muita ética, sem impor ao povo coisa nenhuma. Estas foram algumas das respostas dadas pelo Pr. Silas, em um passado não muito distante...vale a pena parar pensar e refletir, como o tempo passa, e com o tempo as idéias...

Fabyo.

retirado do blog:http://fabiozine.blogspot.com/2009/09/entrevista-com-silas-malafaia.html

sábado, 15 de agosto de 2009

Ser Assembleiano…


Marcelo Lemos

Eu sempre soube, de ouvir falar, que tradicional não gosta muito de pentecostal. Igualmente, sempre tive conhecimento, por experiência, que pentecostal não gosta muito de tradicional. Estou generalizando, evidentemente. Então, é com muita alegria que recebo notícias de cristãos carismáticos que se aproximam da teologia reformada, e de crentes tradicionais que se abrem ao diálogo com os ‘pentecas’, outrora tidos como a escória do protestantismo pelas elites religiosas, sociais, econômicas…

Não é incomum que eu receba conselhos no sentido de deixar a comunhão assembleiana. São irmãos em cristo que me falam de como o pentecostalismo está saturado de excessos emocionais, e até místicos; de como o pentecostalismo se aliou ferinamente a soterologia arminiana, e a uma escatológica fictícia. E, cá entre nós, preciso ser honesto e reconhecer que diversas vezes já desejei, e até tentei, abandonar o barco…

Por qual razão não o fiz? Humanamente falando eu poderia listar diversos motivos. O principal deles é que acredito em reforma; mas que isso, acredito no poder da Palavra de Cristo. Não pretendo ser um revolucionário dentro do pentecostalismo, ou desta ou daquela Igreja. Não quero mudar as coisas numa noite! Antes, quero pregar a palavra, e por ela, trazer cativo “todo o entendimento à obediência de Cristo” (II Cor. 10.5).

Como se faz isso? Estou tentando aprender! Todavia, constantemente tenho contemplado os frutos da fé bíblica em ação! Creio que até os mais preconceituosos reformados se surpreenderiam se passagens alguns minutos com alguns pentecostais que eu conheço. Pouco a pouco, a fé reformada está invadindo o arraial pentecostal e assembleiano. E estou convencido que nós, reformados, possuímos, teologicamente falando, a única tábua de salvação para a crise que parece se anunciar no horizonte do pentecostalismo…

Eu bem poderia tornar este artigo numa convocação aos assembleianos e pentecostais, convidando-os a conhecerem os pilares do pensamento reformado. Mas, pretendo justamente o oposto: explicar a quem possa interessar, aqueles que considero os elementos mais fascinantes da espiritualidade assembleiana. Em outras palavras, quero escrever sobre os bons motivos de ser um cristão reformado… e permanecer assembleiano!

FERVOR

Há uma intensidade na liturgia assembleiana que é maravilhosa. Certamente me lembrarão dos excessos existentes. Também os conheço. Todavia, é irracional destruir todos os carros, só porque o Zé da Esquina não sabe dirigir. Para o pentecostal, o Espírito Santo não é apenas uma “doutrina” fundamental do cristianismo. O Espírito Santo é uma pessoa, real, e presente na Igreja e na vida de cada membro do Corpo de Cristo.

Tenho observado que para muitos tradicionais, os grandes mover do Espírito na História deixaram saudades. Porém, a maioria deles não consegue ver, nem buscar, a atuação do Espírito hoje. Isso é estranho demais! É como se a ‘veracidade’ de um mover espiritual fosse santificado pela passagem do tempo! Ontem? Sim! Hoje? Não!

Alguns dirão que exagero na critica. Espero que realmente não esteja comigo a razão sobre este ponto. Porém, tenho visto coisas que beiram ao ridículo. Por exemplo, recentemente alguns reformados caíram na alma da Igreja Presbiteriana do Brasil. Qual o motivo? Simples: a referida Igreja manifestou apoio ao projeto Minha Esperança Brasil. Foi a gota d’água! Choveu acusações de que a IPB estaria abraçando o arminianismo!

Pessoalmente não apoio tal ministério, nem sua doutrina; porém, incentivei o mesmo, da maneira que pude. Por qual razão? O objetivo era anunciar a Cristo. Nisto, não há arminianos, nem calvinistas. Todos são cristãos testemunhando Jesus como Caminho, Verdade e Vida. Infelizmente, dos dois lados da ‘guerra’ existem aqueles que, por sua atitude sectária, parece crer que os demais não sejam pessoas salvas. Isso não é ser reformado – não era essa a atitude que Calvino demonstra nas Institutas, por exemplo. Ser reformado não é ser sectário, é ser um reformador!

Um outro exemplo diz respeito a Hernandes Dias Lopes. Até onde sei este estimado pastor é um cristão reformado, e aceita todos os cinco pontos da ‘Tulip’. Mas, ‘coitado’ (!), comete o terrível pecado de ser um evangelista… Então, em diversas comunidades do Orkut, chove imprecações contra um irmão em Cristo! Ora, e desde quando ‘evangelismo’ é coisa de arminiano, e contrário a fé reformada?

Há sempre o perigo de falarmos do poder do Espírito, da atuação do Espírito, e, entretanto, na hora H, ficarmos apenas no discurso. É verdade, admito, que em muitos casos o pentecostalismo tem um conhecimento teológico precário, mas os tradicionais podem aprender muito com eles quanto a confiar na atuação do Deus Triuno, não apenas no passado, mas hoje, agora! E a liturgia e o trabalho assembleiano é um testemunho vivo desta fé.

LIBERDADE

Acredito que pouca gente respeita tanto o principio reformado do ‘sacerdócio universal dos crentes’ quanto o pentecostalismo. Outra vez, desejo estar exagerando. Na liturgia assembleiana clássica, acredita-se que a ‘Vox Dei’ esteja disponível a qualquer um dos seus servos, e não apenas ao ministro ordenado. Aliás, normalmente o assembleianismo desconhece os conceitos clássicos sobre “ministro” e “leigo”. Todos sãos “vasos” a serem utilizados pelo Senhor.

E engana-se quem pensa que estou falando de “profecias”. Estou referindo-me a todos os aspectos da liturgia. É verdade que ainda precisamos caminhar bastante no que diz respeito a “ordem e decência”; contudo, pouca gente leva tão a sério quanto nós a ordem de Paulo sobre “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para a edificação” (I Cor. 14.26).

Já fui a diversos cultos ‘tradicionais’ e nunca vi este mandamento ser levado a sério! Normalmente há um dirigente de culto, um dirigente de louvor, e um pregador ao final.

Na liturgia assembleiana a coisa é diferente. Todos podem falar, cantar e até pregar. Não existem clérigos, nem existem leigos. Somos todos sacerdotes de Cristo.

Para os meus irmãos assembleianos fica um alerta: não permitam que lobos tirem tal liberdade de vocês. Estou pensando agora nos conceitos neopentecostais sobre “cobertura espiritual”, e outros abusos eclesiásticos, que ameaçam várias de nossas Igrejas e ministérios. Meus queridos, historicamente jamais aceitamos que qualquer pessoa fosse “maior” ou “especial” – e não podemos abrir mão de nossa liberdade agora!

E uma vez mais percebo que os cristãos, reformados e carismáticos, podem aprender uns com os outros.

SERVIÇO


Recentemente me mudei para um determinado bairro aqui da capital paulista. Tendo decidido encontrar uma igreja reformada para visitar (trata-se de algo que gosto de fazer), não tive nenhuma surpresa ao descobrir que não havia nenhuma a menos de 40 minutos da minha casa. Isso jamais acontecerá a um assembleiano; a menos que ele se mude para onde Judas perdeu as meias!

Alguns dirão que é impossível que as igrejas tradicionais cresçam e mantenham a hegemonia doutrinária. Penso diferente. Ora, as Assembléias de Deus possuem Igrejas em praticamente todos os bairros, e a maioria de suas congregações é dirigida por obreiros sem nenhuma formação teológica, ou com apenas algum curso básico de teologia. Mesmo assim, as Assembléias de Deus se mantém muito unidas quanto aos seus princípios.

Alguns exemplos que posso indicar de memória: Assembléia de Deus – Ministério do Belém; Assembléia de Deus – Ministério São Bernardo; Assembléia de Deus – Ministério Belo Horizonte (Missão); enfim. Só em São Bernardo do Campo o Ministério do Belém possui algo perto de 45 congregações. Nesta mesma cidade, o Ministério São Bernardo, atualmente dirigida pelo pastor Tarciso, que foi diretor do Seminário onde iniciei meus estudos teológicos, tem mais de 150 congregações! E mesmo assim, são ministérios unidos, e contam grande homogenia interna quando a costume e doutrinas! E são independentes um do outro… Cada ministério tem sua Sede, alguns tem até convenções próprias, etc.

Um outro exemplo que posso citar de cabeça vem do Campo de São Mateus (CNM). No último fim de semana, 01,02/08, foram recebidos, por meio do batismo, mais 108 novos membros. Este já é o oitavo batismo realizado pelas Igrejas filiadas a sede da Mateo Bei em 2009.

Não parece haver escapatória aqui. Ou os cristãos reformados precisam classificar estas pessoas como “não salvas”; ou então, precisam admitir que estão trabalhando menos do que poderiam. A luz do que a História nos ensina, é muito mais seguro concluirmos que boa parte dos reformados de hoje não está alinhada com uma das maiores ‘paixões’ do calvinismo histórico: a evangelização!

Alguém deve estar pensando quem me esqueço dos problemas que o modelo assembleiano provoca. Também tenho consciência deles. E não estou propondo que o modelo assembleiano seja o certo, nem o ideal. Estou apenas tentando ilustrar o fato de que a fé reformada poderia estar muito mais inserida na nossa sociedade, mesmo que para isso fosse preciso colocar os ‘leigos’ nas ruas, avenidas, morros e favelas!

Neste sentido, tenho orgulho de ser assembleiano. Quantas vezes preguei em Igrejas localizadas em morros tão mal iluminados que, na volta para casa, pedíamos para ser acompanhados por algum irmão da Igreja! E aquelas vezes que preguei em favelas nas quais era preciso pedir autorização do ‘chefe’? E as vezes que preguei no interior, tendo como audiência, inclusive, alguns bois e alguns gansos?

Há! Que saudades temos, minhas esposa e eu, das congregações do Lajedo e do Mirante! E a congregação do Novo Arão Reis? Que história maravilhosa a de vocês, meus amados! – um pequeno grupo de jovens que decide evangelizar uma favela, ganha um morador para cristo, começam algumas reuniões, e hoje, temos uma nova Igreja! Ria-se quem quiser, mas só de escrever este parágrafo as lágrimas se aproximam dos olhos!

Concluo reafirmando ter plena consciência dos erros e dos desafios que estão a nossa porta, assembleianos. E reafirmando a minha convicção no poder da Proclamação do Evangelho. Quem sabe, num futuro próximo, eu escreva sobre aquela que é a Assembléia de Deus dos meus sonhos…

Paz e bem.

fonte:http://olharreformado.wordpress.com/2009/08/04/ser-assembleiano/

domingo, 19 de julho de 2009

A Pregação que 'ME AGRADA"

Eu andei fazendo uma reflexão sobre tudo o que tenho ouvido e visto, fiquei lembrando de todas as pregações que já "mexeram" comigo, e as que não fizeram diferença alguma em minha vida...

Está tão difícil ouvir o evangelho sendo pregado em sua essência,
O que faz do Evangelho tão poderoso não é a Verdade escrita nele?A forma como Deus confronta nosso Eu, nos coloca à frente de um espelho e nos faz ver como somos pequenos?

Não somos nada, nós seres humanos somos mesquinhos, mentirosos, medíocres, arrogantes,vaidosos e rebeldes.É a nossa natureza.

E Deus nos ama mesmo assim, o Senhor nos mostra o Seu amor e a forma como quer que a gente conduza nossas vidas que Ele nos deu.Nos dá a chance de abandonar nossos erros e começar do zero dia após dia.

Todos os dias o Senhor nos livra do mal,nos abençoa, nos dá graça.Quando entregamos nossas vidas à Ele recebemos o Seu perdão,e o Espírito Santo passa a habitar em nós e é Ele quem nos guia e nos dá o alerta sempre quando o velho homem quer voltar a agir.

"Quanto a vós outros, a UNÇÃO que dEle recebestes permanece em vós e não tendes necessidade que ninguém vos ensine, mas a UNÇÃO vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nEle como também ela vos ensinou".
(I João 2:27)

Todos os dias somos libertos, transformados e curados.

Esse poder agindo em nós é que faz o mundo à nossa volta ser mudado, pois através da nossa conversão e da transformação de nosso caráter é que "mostramos" ao mundo que Deus é vivo e é Poderoso.

Quem ou o quê poderia fazer de um assassino perverso um homem bom, manso, e honesto?
Pequenas coisas que o Senhor opera todos os dias,mas que os cristão de hoje não se interessam mais em ver.

Querem grandes espetáculos, querem ver grandes sinais coisas vistas ali e naquele momento.E assim vão se entregando ao engano, tendo suas mentes cauterizadas e os olhos cheios de escamas, sem perceber voltam ao estado de cegueira e de idolatria,
Pois não enxergam que estão indo pro lado errado, idolatram seus umbigos indo aos cultos somente para "receber" uma bênção, correm atrás de "unções" liberadas por "super homens" que eles criaram....

(I Jo-5;9)Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; ora este testemunho de Deus é o que Ele deu de Seu Filho.

Eu vou ao culto para ser posta diante de um espelho e enxergar quem eu sou, quero ter meu caráter cada dia mais e mais transformado, quero saber como Deus quer que eu conduza a minha vida,aprender com os exemplos e experiências vividas pelos "heróis" da fé, e compreender mais sobre quem Deus é, o que Ele quer de mim e para mim.

(I Jo-5;20-21)Também sabemos que o Filho de Deus veio e que nos deu entendimento para que conheçamos o Verdadeiro; e nós estamos no Verdadeiro, em Seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.
Filhinhos, guardai-vos dos ídolos!

Em Cristo sempre.

Márcia Gizella.

fonte: www.agracadedeusmebasta.blogspot.com/

sexta-feira, 10 de julho de 2009

“Há abusos em nome de Deus”


Jornalista relata os danos do assédio espiritual cometido por líderes evangélicos

Kátia Mello

A igreja evangélica está doente e precisa de uma reforma. Os pastores se tornaram intermediários entre Deus e os homens e cometem abusos emocionais apoiados em textos bíblicos. Essas são algumas das afirmações polêmicas da jornalista Marília de Camargo César em seu livro de estreia, Feridos em nome de Deus (editora Mundo Cristão), que será lançado no dia 30. Marília é evangélica e resolveu escrever depois de testemunhar algumas experiências religiosas com amigos de sua antiga congregação.


ENTREVISTA - MARÍLIA DE CAMARGO CÉSAR
QUEM É
Marília de Camargo César, 44 anos, jornalista, casada, duas filhas

O QUE FEZEditora assistente do jornal O Valor, formada pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero

O QUE PUBLICOU
Seu livro de estreia é Feridos em nome de Deus (editora Mundo Cristão)


ÉPOCA – Por que você resolveu abordar esse tema?
Marília de Camargo César – Eu parti de uma experiência pessoal, de uma igreja que frequentei durante dez anos. Eu não fui ferida por nenhum pastor, e esse livro não é nenhuma tentativa de um ato heroico, de denúncia. É um alerta, porque eu vi o estado em que ficaram meus amigos que conviviam com certa liderança. Isso me incomodou muito e eu queria entender o que tinha dado errado. Não quero que haja generalizações, porque há bons pastores e boas igrejas. Mas as pessoas que se envolvem em experiências de abusos religiosos ficam marcadas profundamente.


ÉPOCA – Qual foi a história que mais a impressionou?
Marília – Uma das histórias que mais me tocaram foi a de uma jovem que tem uma doença degenerativa grave. Em uma igreja, ela ouviu que estava curada e que, caso se sentisse doente, era porque não tinha fé suficiente em Deus. Essa moça largou os remédios que eram importantíssimos no tratamento para retardar os efeitos da miastenia grave (doença autoimune que acarreta fraqueza muscular). O médico dela ficou muito bravo, mas ela peitou o médico e chegou a perder os movimentos das pernas. Ela só melhorou depois de fazer terapia. Entendeu que não precisava se livrar da doença para ser uma boa pessoa.


ÉPOCA – Que tipo de experiência você considera como abuso religioso e que marcas são essas?
Marília – Meu livro é sobre abusos emocionais que acontecem na esteira do crescimento acelerado da população de evangélicos no Brasil. É a intromissão radical do pastor na vida das pessoas. Um exemplo: uma missionária que apanha do marido sistematicamente e vai parar no hospital. Quando ela procura um pastor para se aconselhar, ele fala assim para ela: “Minha filha, você deve estar fazendo alguma coisa errada, é por isso que o teu marido está se sentindo diminuído e por isso ele está te batendo. Você tem de se submeter a ele, porque biblicamente a mulher tem de se submeter ao cabeça da casa. Então, essa mulher, que está com a autoestima lá embaixo, que apanha do marido - inclusive pelo Código Civil Brasileiro ele teria de ser punido - pede um conselho pastoral e o pastor acaba pisando mais nela ainda. E ele usa a Bíblia para isso. Esse é um tipo de abuso que não está apenas na igreja pentecostal ou neopentecostal, como dizem. É um caso da Igreja Batista, em que, teoricamente, os protestantes históricos têm uma reputação melhor.


ÉPOCA – Seu livro questiona a autoridade pastoral. Por quê?
Marília
– As igrejas que estão surgindo, as neopentecostais, e não as históricas, como a presbiteriana, a batista, a metodista, que pregam a teologia da prosperidade, estão retomando a figura do “ungido de Deus”. É a figura do profeta, do sacerdote, que existia no Antigo Testamento. No Novo Testamento, não existe mais isto. Jesus Cristo é o único mediador. Então o pastor dessas igrejas mais novas está se tornando o mediador. Para todos os detalhes da sua vida, você precisa dele. Se você recebeu uma oferta de emprego, o pastor pode dizer se deve ou não aceitá-la. Se estiver paquerando alguém, vai dizer se deve ou não namorar aquela pessoa. O pastor, em vez de ensinar a desenvolver a espiritualidade, determina se aquele homem ou aquela mulher é a pessoa da sua vida. E o pastor está gostando de mandar na vida dos outros, uma atitude que abre um terreno amplo para o abuso.


ÉPOCA – Você também fala que não é só culpa do pastor.
Marília
– Assim como existe a onipotência pastoral, existe a infantilidade emocional do rebanho, que é o que o Sérgio Franco, um dos pastores psicanalistas entrevistados no livro, fala. A grande crítica do Freud em relação à religião era essa. Ele dizia que a religião infantiliza as pessoas, porque você está sempre transferindo as suas decisões de adulto - que são difíceis - e a figura do sagrado, no caso aqui o líder religioso, para a figura do pai ou da mãe - o pastor, a pastora. É a tendência do ser humano em transferir responsabilidade. O pastor virou um oráculo. É mais fácil ter alguém, um bode expiatório, para pôr a culpa nas decisões erradas tomadas.


“O pastor está gostando de mandar na vida dos outros
e receber presentes. Isso abre espaço para os abusos”


ÉPOCA – Quais são os grandes males espirituais que você testemunhou?
Marília
– Eu vi casamentos se desfazer, porque se mantinham em bases ilusórias. Vi também pessoas dizendo que fazer terapia é coisa do Diabo. Há pastores contra a terapia que afirmam que ela fortalece a alma e a alma tem de ser fraca; o espírito é que tem que ser forte. E dizem isso supostamente apoiados em textos bíblicos. Dizem que as emoções têm de ser abafadas e apenas o espírito ser fortalecido. E o que acontece com uma teologia dessas? Psicoses potenciais na vida das pessoas que ficam abafando as emoções. As pessoas que aprenderam essa teologia e não tiveram senso crítico para combatê-la ficaram muito mal. Conheci um rapaz com muitos problemas de depressão e de autoestima que encontrou na igreja um ambiente acolhedor. Ele dizia ter ressuscitado emocionalmente. Só que com o passar dos anos, o pastor se apoderou dele. Mas ele começou a perceber que esse pastor é gente, que gosta de ganhar presentes e que usa a Bíblia para se justificar. Uma das histórias que mais me tocou foi a de uma jovem que tem uma doença degenerativa grave. Ela foi para uma dessas igrejas e ouviu que se estivesse sentindo ainda doente era porque não tinha fé suficiente em Deus. Essa moça largou os remédios que eram importantíssimos no tratamento para retardar os efeitos da miastenia grave (doença auto-imune que acarreta fraqueza muscular). O médico dela ficou muito bravo e não a autorizou. Mesmo assim, ela peitou o médico e chegou a perder os movimentos das pernas. Ela só melhorou depois de fazer terapia. Ela entendeu que não precisava se livrar da doença para ser uma boa pessoa.


ÉPOCA – Por que demora tanto tempo para a pessoa perceber que está sendo vítima?
Marília
– Os abusos não acontecem da noite para o dia. A pessoa que está sendo discipulada, que aprende com o pastor o que a Bíblia diz, desenvolve esse relacionamento aos poucos. No primeiro momento, ela idealiza a figura do líder, como alguém maduro, bem preparado. É aquilo que fazemos quando estamos apaixonados: não vemos os defeitos. O fiel vê esse líder como um intermediário, como um representante de Deus que tem recados para a vida dele, um guru. E o pastor vai ganhando a confiança dele num crescendo, como numa amizade. Esse líder, que acredita que Deus o usa para mandar recados para sua congregação, passa a ser uma referência na vida do fiel. O fiel, pro sua vez, sente uma grande gratidão por aquele que o ajudou a mudar sua vida para melhor. Ele se sente devedor do pastor e começa, então, a dar presentes. O fiel quer abençoar o líder porque largou as drogas, ou parou de beber, ou parou de bater na mulher, ou porque arrumou um emprego e está andando na linha. E começa a dar presentes de acordo com suas posses. Se for um grande empresário, ele dá um carro importado para o pastor. Isso eu vi acontecer várias vezes. O pastor, por sua vez, gosta de receber esses presentes. É quando a relação se contamina, se torna promíscua. E o pastor usa a Bíblia para dizer que esse ato é bíblico. O poder está no uso da Bíblia para legitimar essas práticas.


ÉPOCA – Qual é o limite da autoridade pastoral?
Marília
– O pastor tem o direito de mostrar na Bíblia o que ela diz sobre certo tema. Como um bom amigo, ele tem o direito de dar um conselho. Mas ele tem de deixar claro que aquilo é apenas um conselho. Pode até falar que o resultado disso ou daquilo pode ser ruim para a vida do fiel. Mas ele não pode mandar a pessoa fazer algo em nome de Deus. O que mais fere as pessoas é ouvir uma ordem em nome de Deus. Se é Deus, então prova! Se Deus fala para o pastor, por que Ele não fala para o fiel? Eles estão sendo extremamente autoritários.


ÉPOCA – Você afirma que muitos dos pastores não agem por má-fé, mas por uma visão messiânica. Explique.
Marília
– É uma visão messiânica para com seu rebanho. Lutero (teólogo alemão responsável pela reforma protestante no século XVI) deve estar dando voltas na tumba. Porque o pastor evangélico virou um papa que é a figura mais criticada no catolicismo, o inerrante. E não existe essa figura, porque somos todos errantes, seres faltantes, como já dizia Freud. Pastor é gente. E é esse pastor messiânico que está crescendo no evangelismo. Existe uma ruptura entre o Antigo e o Novo Testamento, que é a cruz. A reforma de Lutero veio para acabar com a figura intermediária e a partir dela veio a doutrina do sacerdócio universal. Todos têm acesso a Deus. Uma das fontes do livro disse que precisamos de uma nova reforma e eu concordo com ela. Essa hierarquização da experiência religiosa, que o protestante tanto combateu no catolicismo, está se propagando. Você não pode mais ter a conversa direta com o divino. Porque tem aquela coisa da “oração forte” do pastor. Você acha que ele ora mais que você, que ele tem alguma vantagem espiritual e, se você gruda nele, pega uma lasquinha. Isso não existe. Somos todos iguais perante Deus.


ÉPOCA – Se a igreja for questionada em seus dogmas, ela não deixará de ser igreja?
Marília
– Eu não acho isso. A igreja tem mesmo de ser questionada, inclusive há pensadores cristãos contemporâneos que questionam o modelo de igreja que estamos vivendo e as teologias distorcidas, como a teologia da prosperidade, que são predominantemente neopentecostais e ensinam essa grande barganha. Se você não der o dízimo, Deus vai mandar o gafanhoto. Simbolicamente falando, Ele vai te amaldiçoar. Hoje o fiel se relaciona com o Divino para as coisas darem certo. Ele não se relaciona pelo amor. Essa é uma das grandes distorções.


ÉPOCA – Por que você diz que existe uma questão cultural no abuso religioso?
Marília
– Porque o brasileiro procura seus xamãs, e isso acontece em todas as religiões. O brasileiro é extremamente religioso. A ÉPOCA até publicou uma matéria sobre isso, dizendo que a maioria acredita em algo e se relaciona com isso, tentando desenvolver seu lado espiritual. O brasileiro gosta de ter seu oráculo. A pessoa que vem do catolicismo, onde há centenas de santos, e passa a ser evangélica transfere aquela prática e cultura do intermediário para o protestantismo, e muitas igrejas dão espaço para isso. O pastor Edir Macedo (da igreja Universal) trouxe vários elementos da umbanda, do candomblé, porque ele é convertido. Ele diz que o povo precisa desses elementos -que ele chama de pontos de contato - para ajudar a materializar a experiência religiosa. A Bíblia condena tudo isso.


ÉPOCA – No livro você dá alguns alertas para não cair no abuso religioso. Fale deles.
Marília
– Desconfie de quem leva a glória para si. Um conselho é prestar atenção nas visões megalomaníacas. Uma das características de quem abusa é querer que a igreja se encaixe em suas visões, como quere ganhar o Brasil para Cristo e colocar metas para isso. E aquele que não se encaixar é um rebelde, um feiticeiro. Tome cuidado com esse homem. Outra estratégia é perguntar a si mesmo se tem medo do pastor ou se pode discordar dele. A pessoa que tem potencial para abusar não aceita que discorde dela, porque é autoritária. Outra situação é observar se o pastor gosta de dinheiro e ver os sinais de enriquecimento ilícito. São esses geralmente os que adoram ser abençoados e ganhar presentes. Cuidado com esse cara.


fonte: revista ÉPOCA, via link: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI80245-15228,00.html

terça-feira, 7 de julho de 2009

Não deixe o fracasso destruir teu sonho


Por John Piper



Em 26 anos de pastorado, o mais perto que eu havia chegado de ser demitido da Igreja Batista Bethlehem foi em meados da década de 1980, depois de escrever um artigo intitulado Missões e masturbação para nosso boletim. Eu o escrevi ao voltar de uma conferência sobre missões presidida por George Verwer, presidente da Operação Mobilização. No evento ele disse como seu coração pesava pelo imenso número de jovens que sonhavam em obedecer completamente a Jesus, mas que acabavam se perdendo na inutilidade da prosperidade americana. A sensação constante de culpa e indignidade por causa de erros sexuais dava lugar, pouco a pouco, à falta de poder espiritual e ao beco sem saída da segurança e conforto da classe média.

Em outras palavras, o que George Verwer considerava trágico – e eu também considero – é que tantos jovens abandonem a causa da missão de Cristo porque ninguém lhes ensinou como lidar com a culpa que se segue ao pecado sexual. O problema vai além de não cair; a questão é como lidar com a queda para que ela não leve toda uma vida para o desperdício da mediocridade. A grande tragédia não são práticas como a masturbação ou a fornicação, e nem a pornografia. A tragédia é que Satanás usa a culpa decorrente desses pecados para extirpar todo sonho radical que a pessoa teve ou poderia vir a ter. Em vez disso, o diabo oferece uma vida feliz, certa e segura, com prazeres superficiais, até que a pessoa morra em sua cadeira de balanço, em um chalé à beira de um lago.

Hoje de manhã mesmo, Satanás pegou seu encontro das duas da manhã – seja na televisão ou na cama – e lhe disse: “Viu? Você é um derrotado. O melhor é nem adorar a Deus. Você jamais conseguirá fazer um compromisso sério para entregar sua vida a Jesus Cristo! É melhor arrumar um bom emprego, comprar uma televisão de tela plana bem grande e assistir o máximo de filmes pornográficos que agüentar”. Portanto, é preciso tirar essa arma da mão dele. Sim, claro que quero que você tenha a coragem maravilhosa de parar de percorrer os canais de televisão. Porém, mais cedo ou mais tarde, seja nesse pecado ou em outro, você vai cair. Quero ajudá-lo a lidar com a culpa e o fracasso, para que Satanás não os use para produzir mais uma vida desperdiçada.

Cristo realizou uma obra na história, antes de existirmos, que conquistou e garantiu nosso resgate e a transformação de todos que confiarem nele. A característica distintiva e crucial da salvação cristã é que seu autor, Jesus, a realizou por completo fora de nós, sem nossa ajuda. Quando colocamos nele a fé, nada acrescentamos à suficiência do que fez ao cobrir nossos pecados e alcançar a justiça que é considerada nossa. Os versículos bíblicos que apontam isso com mais clareza estão na epístola de Paulo aos Colossenses 2.13-14: “Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões e cancelou o escrito de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz”.

É preciso pensar bem nisso para entender plenamente a mais gloriosa de todas as verdades: Deus pegou o registro de todos os seus pecados – todos os erros de natureza sexual – que deixavam você exposto à ira. Em vez de esfregar o registro em seu rosto e usá-lo como prova para mandar você para o inferno, Deus o colocou na mão de Seu filho e pregou na Cruz. E quem são aqueles cujos pecados foram punidos na cruz? Todos que desistem de tentar salvar a si mesmos e confiam apenas em Cristo. E quem assumiu essa punição? Jesus. Essa substituição foi a chave para a nossa salvação.

Alguma vez você já parou para pensar no que significa Colossenses 2.15? Logo depois de afirmar que Deus pregou na cruz o registro de nossa dívida, Paulo escreve que o Senhor, “tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz”. Ele se refere ao diabo e seus exércitos de demônios. Mas como são desarmados? Como são derrotados? Eles possuem muitas armas, mas perdem a única que pode nos condenar – a arma do pecado não perdoado. Deus pregou nossas culpas na cruz. Logo, houve punição por elas – então, seus efeitos acabaram! O problema é que muitos percebem tão pouco da beleza de Cristo na salvação que o Evangelho lhes parece apenas uma licença para pecar. Se tudo que você enxerga na cruz de Jesus é um salvo-conduto para continuar pecando, então você não possui a fé que salva. Precisa se prostrar e implorar a Deus para abrir seus olhos para ver a atraente glória de Jesus Cristo.

Culpa corajosa – A fé que salva recebe Jesus como Salvador e Senhor e faz dele o maior tesouro da vida. Essa fé lutará contra qualquer coisa que se coloque entre o indivíduo salvo e Cristo. Sua marca característica não é a perfeição, nem a ausência de pecados. Quem enxerga na cruz uma licença para continuar pecando não possui a fé que salva. A marca da fé é a luta contra o pecado. A justificação se relaciona estreitamente com a obra de Deus pregando nossos pecados na cruz. Justificação é o ato pelo qual o Senhor nos declara não apenas perdoados por causa da obra de Cristo, mas também justos mediante ela. Cristo levou nosso castigo e realiza nossa retidão. Quando o recebemos como Salvador e Senhor, todo o castigo que ele sofreu, e toda sua retidão, são computados como nossos. E essa justificação vence o pecado.

Possuímos uma arma poderosa para combater o diabo quando sabemos que o castigo por nossas transgressões foi integralmente cumprido em Cristo. Devemos nos apegar com força a essa verdade, usando-a quando o inimigo nos acusar pelas nossas faltas. O texto de Miquéias 7.8-9 apresenta o que devemos lhe dizer quando ele zombar de nossa aparente derrota: “Não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei (...) Sofrerei a ira do Senhor, porque pequei contra ele, até que julgue a minha causa e execute o meu direito”. É uma espécie de “culpa corajosa” – o crente admite que errou e que Deus está tratando seriamente com ele. Mas, mesmo em disciplina, não se afasta da bendita verdade de que tem o Senhor ao seu lado!

Há vitória na manhã seguinte ao fracasso! Precisamos aprender a responder ao diabo ou a qualquer um que nos diga que o Senhor não poderá nos usar porque pecamos. “Ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei”, frisou o profeta. “Embora eu esteja morando nas trevas, o Senhor será a minha luz.” Sim, podemos estar nas trevas da iniqüidade; podemos sentir culpa, porque somos, realmente, culpados pelo nosso pecado. Mas isso não é toda a verdade sobre o nosso Deus. O mesmo Deus que faz nossa escuridão é a luz que nos apóia em meio às trevas. O Senhor não nos abandonará; antes, defenderá a nossa causa.

Quando aprendermos a lidar com a culpa oriunda de nossos erros com esse tipo de ousadia em quebrantamento, fundamentados na justificação pela fé e na expiação substitutiva que Cristo promoveu por nós, seremos não apenas mais resistentes ao diabo como cometeremos menos falhas contra o Senhor. E, acima de tudo, Satanás não será capaz de destruir nosso sonho de viver uma vida em obediência radical a Jesus e de serviço à sua obra.




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Fonte: Ortodoxia, via Genizah, via pulpito cristão

sábado, 27 de junho de 2009

O padrão de conduta é alto demais e a carne é fraca demais, todavia a salvação é grande demais

Em tempos difíceis e sombrios, de generalizada corrupção, o paradigma precisa ser redescoberto, como aconteceu na época da Reforma



Na história do Antigo Testamento, de vez em quando aparecem certos verbos que dão a entender que alguma coisa estava perdida e foi achada. Por ocasião da reforma do templo de Jerusalém, na época de Josias, por exemplo, o sumo sacerdote Hilquias encontrou o livro da Lei (2 Rs 22.8).

Na época de Neemias, “descobriram na Lei que o Senhor tinha ordenado, por meio de Moisés, que os israelitas deveriam morar em tendas durante a festa do sétimo mês” (Ne 8.14). Pouco depois, achou-se também “que nenhum amonita ou moabita jamais poderia ser admitido no povo de Deus” (Ne 13.1). Eram fatos sérios perdidos ou esquecidos em épocas de crises. Daí a necessidade de se redescobrir certas coisas que ainda estão esquecidas ou relegadas a planos inferiores.



A descoberta do paradigma

O modelo de comportamento ordenado por Deus aos cristãos não é outro senão aquele que foi dado aos israelitas na travessia do deserto: “Consagrem-se e sejam santos, porque eu sou santo” (Lv 11.44; 19.2; 20.7).

Jesus apresentou o mesmo padrão de conduta logo no início do sermão do monte: “Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês” (Mt 5.48).

Paulo bate na mesma tecla: “Deus nos escolheu nele [em Cristo] antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença” (Ef 1.4) e “Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade” (1 Ts 4.7).

Pedro traz à tona o velho argumento de que a santidade de Deus nos obriga a ser santos: “Assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, porque eu sou santo” (1 Pe 1.15-16).

Precisamos ter certeza absoluta de que a mentira, o suborno, a soberba, a profanação do santo nome de Deus, o egoísmo, a injustiça social, e o orgulho ainda são pecado, e de que o casamento ainda deve ser heterossexual e estável.

Em tempos difíceis e sombrios, de generalizada corrupção, o paradigma precisa ser redescoberto. Foi o que aconteceu por ocasião do 18º ano do reinado de Josias (2 Rs 22.8-23.25), bem como em outras ocasiões na história bíblica e na história da igreja (por ocasião da Reforma e em épocas de autênticos reavivamentos).



A descoberta da dificuldade básica

O maior problema do homem não são nem a influência esmagadora da presente ordem deste mundo, vendido ao pecado, nem a atuação satânica. Certamente a sua dificuldade maior, mais antiga, mais entranhável, mais escondida, mais resistente e mais incontida não é outra senão o pecado residente. É Jesus quem chama a atenção para a realidade desse problema: “O que sai do homem é que o torna ‘impuro’. Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos. Os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem ‘impuro’” (Mc 7.20-23). Numa linguagem mais rústica, o que Jesus está afirmando é que nós somos uma lata de lixo. Ele não é o único a pôr o dedo no lugar exato da ferida. Salomão assevera que o coração humano “está cheio de maldade e de loucura durante toda a vida” (Ec 9.3). Tiago ensina que a tentação nunca vem da parte de Deus: “Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido” (Tg 1.14). Nossas dificuldades de relacionamento social, inclusive, vêm das paixões que guerreiam dentro de nós (Tg 4.1).

Na prática, existe uma “guerra civil” que vai perdurar até a volta do Senhor. Paulo explica: “A carne [a bagagem pecaminosa que carregamos] deseja o que é contrário ao Espírito [a presença do próprio Deus em nós]; e o Espírito, o que é contrário à carne” (Gl 5.17). “Estas duas forças dentro de nós”, continua o apóstolo, “estão lutando constantemente uma contra a outra, a fim de ganharem o domínio sobre nós, e os nossos desejos nunca estão livres de suas pressões” (Gl 5.17, BV).

A melhor exposição da dificuldade básica para se alcançar o paradigma da conduta ideal é a da lavra de Paulo. O apóstolo investiga-se acuradamente para encontrar a razão da teimosia, da freqüência, da perseguição e da ousadia do pecado. Então ele descobre o tal pecado residente: “Neste caso [de fazer não o que desejo, mas o que odeio], não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim” (Rm 7. 17, 20); “Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim” (Rm 7.21); “No íntimo de meu ser tenho prazer na Lei de Deus [o tal paradigma]; mas vejo outra lei atuando nos membros de meu corpo, guerreando contra a lei de minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros” (Rm 7.22-23).

Não há outra doutrina bíblica e teológica tão universalmente aceita quanto a teologia do pecado residente, tanto na literatura religiosa como na literatura secular. Na literatura secular não se usa a palavra “pecado”. Os que abordam o assunto preferem usar outras expressões sinônimas : “o lado ruim”, “o lado animal”, “o lado crápula”, “o lado diabólico”, “a parte maldita”, “o fantasma interior”, “o impulso negativo”, “o instinto agressivo”, “o lixo emocional”, “o leão adormecido”, “o demônio escondido” e até “o espírito porco”. (Veja O drama do “pecado residente” na versão religiosa e O drama do “pecado residente” na versão secular)



A descoberta do messias

Logo após o seu primeiro encontro com Jesus, André revelou a Pedro: “Achamos o Messias” (Jo 1.41).

Se as descobertas do paradigma e do pecado residente são descobertas iniciais, desconcertantes e opressivas, a descoberta do Messias é simplesmente maravilhosa. O Messias (o Salvador) não é outro senão o Senhor Jesus Cristo, que Paulo chama inteligentemente de “o segundo Adão”, para diferenciá-lo do “primeiro Adão”.

O primeiro Adão foi criado à imagem e semelhança de Deus no paraíso do Éden. Recebeu da parte do criador liberdade e capacidade para mandar e desmandar, mas pôs tudo a perder, tanto a criatura como a criação. Por meio dele, “o pecado entrou no mundo” e “pelo pecado a morte” (Rm 5.12). Pecado e morte, irmãos gêmeos, são as duas maiores desgraças da raça humana, invencíveis e irremovíveis sem a manifestação da graça de Deus.

Já o segundo Adão veio para remover os escombros deixados pela queda e reconstruir o paraíso perdido. Está escrito: “Assim como por meio da desobediência de um só homem [o primeiro Adão] muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio de um único homem [o segundo Adão] muitos serão feitos justos” (Rm 5.19).

O primeiro Adão é o único responsável pela grande destruição. E o segundo Adão é o único responsável pela grande reconstrução. O Adão do Éden trouxe o pecado para o mundo. O Adão do Getsêmani é o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29).

Achar o Messias significa enxergar uma porta aberta no drama do pecado e no drama da morte. Significa enxergar nitidamente uma luz no fim do túnel.

Em duas ocasiões diferentes Paulo dá graças a Deus por Jesus Cristo com profundo senso de gratidão e real conhecimento de causa. No primeiro “Graças a Deus!”, ele agradece porque Jesus Cristo é aquele que lhe dá a vitória sobre a força monstruosa do pecado residente (Rm 7.24-25). No segundo “Graças a Deus!”, ele agradece porque Jesus Cristo é aquele que lhe dá a vitória sobre o poder monstruoso da morte física (1 Co 15.57). Se o pecado é a dificuldade básica, a morte é “a angústia básica de todo ser humano”, “a grande neurose das civilizações” e uma das mais teimosas e iniludíveis manifestações da finitude e impotência humana”.

A descoberta do Messias é a maior e mais feliz de todas as descobertas!

fonte: Ultimato
link: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&secMestre=1048&sec=1054&num_edicao=296

A Tentação da IDOLATRIA

No Antigo Testamento um dos maiores esforços dos profetas é para acabar com a idolatria em Israel. Na época de Amós, os israelitas são julgados porque “inclinam-se diante de qualquer altar” (Am 2.8).

Como é possível a um povo de propriedade exclusiva do Senhor, treinado durante mais de mil anos a não adorar outros deuses além do Senhor, calcado nos Dez Mandamentos e várias vezes severamente punido por ter praticado a idolatria — como é possível a esse povo inclinar-se mais uma vez a “qualquer altar”? Esse negócio de “qualquer altar” é vício das nações pagãs, e não de Israel.

A igreja do Novo Testamento, formada de pessoas convertidas no ambiente monoteísta de Israel e no ambiente politeísta de outras nações, estaria livre da tentação da idolatria?

Os apóstolos deixam bem claro que a idolatria era coisa do passado na vida dos crentes. Antes da conversão, os coríntios eram idólatras mas, depois, já não o são (1 Co 6.9-11). Todo mundo sabia que os tessalonicenses, depois de terem aceitado o evangelho, deixaram os ídolos “a fim de servir ao Deus vivo e verdadeiro” (1 Ts 1.9). Pedro lembra aos eleitos de Deus espalhados pela Ásia Menor que no passado eles viviam na “idolatria repugnante” (1 Pe 4.3).

Todavia, o perigo de inclinarem-se a “qualquer altar” continua ontem e hoje. Daí a exortação de Paulo — “Fujam da idolatria” (1 Co 10.14) — e a de João —“Guardem-se dos ídolos” (1 Jo 5.21).

Não se deve pensar que a palavra ídolo se refere exclusivamente às tais imagens que nem sequer falam, embora o artífice tenha moldado a boca, e nem sequer andam, embora o mesmo artífice tenha colocado as duas pernas no lugar certo (Sl 115.4-7).

É por isso que a palavra “Guardem-se dos ídolos” é traduzida para “Cuidado com os falsos deuses” (NTLH) e para “Afastem-se de qualquer coisa que possa tomar o lugar de Deus no coração de vocês” (BV). Segundo a nota de rodapé da Bíblia Pastoral, para o apóstolo, “ídolos são pessoas, coisas, estruturas e projetos que produzem escravidão e morte e se apresentam como absolutos, pretendendo substituir o projeto de vida e liberdade que Deus realizou em Jesus Cristo”.

O horror a “qualquer altar” deve ser mantido com muito cuidado, pois sobre ele não estão os repugnantes ídolos do passado, mas os atraentes ídolos do presente.

A sociedade de consumo está cheia de altares. O verdadeiro adorador não pode desalojar o verdadeiro Deus de sua verdadeira glória nem se inclinar a “qualquer altar”, sejam os altares da riqueza, da glória própria ou das paixões incontroláveis. Ele é adorador de altar único, pois só ao Senhor se deve prestar culto (Mt 4.10)!

fonte: Ultimato
link:http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=813&secMestre=874&sec=883&num_edicao=291

Infantilização do LEGALISMO

Postado por Gutierres Siqueira

Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne. (Cl 2. 20-23)

Você acredita que tem gente sendo disciplinada (lê-se: Retirada da comunhão da igreja, além de “privação” do céu) porque simplesmente resolveu pintar uma unha ou cortar as pontas do cabelo? Você acredita que alguns pregadores fanáticos pregam que é um grave pecado assistir qualquer programa jornalístico? Você acredita que alguns condenam o uso inclusive de uma gravata vermelha? Sim, essa é a realidade de milhares de evangélicos todos os dias nesse país.

Esses líderes pensam e agem como se suas ovelhas fossem crianças medievais, das quais não viviam senão debaixo de inúmeras regras. Os legalistas produzem a infantilização do seu rebanho. Quando uma regra não é acompanhada de pesada vigilância da liderança, logo acontece a transgressão dessas normas. Por que isso acontece? Porque os princípios bíblicos não estão enraizados no coração, mas sim no raso pires do legalismo, na superficialidade de exterioridade.

Quando uma liderança acredita que seus subordinados são crianças necessitadas de regras, não demora muito para que os abusos de autoritarismo surjam. Toda igreja legalista tem líderes autoritários. Isso é uma regra, com poucas exceções. A “piedade pervertida” manifesta suas garras e seus choques de uma liderança distante do modelo “líder-servo”, exposto por Jesus Cristo, pois “qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva” (Mc 10.43).

Portanto, os “tabus comunais” onde as denominações criam milhares de regras acima das Escrituras, baseadas em suas tradições e pensamentos humanos, surgem então uma igreja doente, legalista, hipócrita, mas bem distante da santidade bíblica, que brota do interior e manifesta no exterior. Mais do que essas “listinhas de regras” necessitamos mergulhar em nossos corações os princípios bíblicos, que nortearão nossas vidas sem cabresto. Não esqueçamos que a santidade vem de Deus e começa pelo espírito, para então chegar ao corpo (I Ts 5.23). O caminho contrário é uma deturpação.

fonte: www.teologiapentecostal.blogspot.com

ABUSOS DA LIDERANÇA

Postado por Gutierres Siqueira

“Mesmo se o pastor estiver errado, nós devemos obedecê-lo, pois a Bíblia diz que devemos honrar nossos líderes”. Eu já tive o desprazer de ouvir essa asquerosa frase. Incrivelmente há aqueles que pregam uma obediência cega aos seus pastores. Pessoas que acreditam que os seus líderes são incriticáveis, infalíveis, uma espécie de “papa evangélico” ou no evangeliquês, um “ungido do Senhor”. Pastores que estão acima das Escrituras, pois suas palavras são “inspiradas” por Deus e soam como Palavra do Senhor.

Muitos pastores carismáticos (em ambos os sentidos) usam de um poder persuasivo, com toques de emocionalismo exacerbado, para “manipular” os fiéis. Utilizando supostos “dons” do Espírito (?) para humilhar pessoas, por meio de supostas revelações e profecias e até exigir quantias de dinheiro através de “atos proféticos”. A jornalista Marília de Camargo César escreveu uma reportagem em formato de livro sobre abuso de autoridade por parte de pastores evangélicos, ela conclui:

Uma das conclusões a que cheguei foi que esse tipo de culto fortemente movido pelas emoções confere enorme poder à liderança. E o poder é uma espada que poucos manejam com graça. É fácil errar a mão. É fácil cair na tentação de manipular. [1]

Outros acreditam piamente que maldição de pastor pega. Ou seja, crentes que são ameaçados “espiritualmente” ao trocarem de congregação ou por não acatarem uma decisão do líder, pois esses pastores alertam sobre a grave ameaça de sair de sua “cobertura espiritual”. Certamente se alguém ouvir essa espécie de maldição deve sair o mais rápido possível. Eles são verdadeiros terroristas “espirituais”, uma espécie de “pastor Bin Laden”. Existiria algo mais pagão do que isso? Difícil responder.

E a bajulação?Uma verdadeira praga. Quem disse que pastores devem viver em um modo de vida irreal, com dissonância em relação as suas ovelhas? Há congregações que, tendo pobres em seu meio, pagaram viagens para Israel aos seus pastores. Tudo bem, se o pastor tiver condições de fazer essa maravilhosa viagem, que faça, mas baseadas em uma oferta de uma congregação necessitada, aí não dá. Os espertalhões logo dizem que os críticos são hipócritas e tentam escapar de suas vaidades acusando outros. A mania de grandeza de alguns afeta inclusive seu ministério da pregação (bem rentável por sinal), pois jamais transmitem a Palavra em ambientes desagradáveis. Como escreveu o pastor José Gonçalves: “As ovelhas gemem quando o pastor conhece mais a arte de tosquiar do que a de apascentar” [2].

Em muitas igrejas pentecostais e neopentecostais, com suas estruturas caudilhistas, enxergam seus líderes não como servos, mas como empresários, administradores, CEOs e até minimonarcas. Nessa condição, os mesmos ganham uma cadeira de destaque nos palanques da igreja, sendo a mais bonita das cadeiras. Aliás, qual a funcionalidade daquele palanque cheio de homens engravatados sentados? Lembro que certa vez fui a um casamento, que inclusive estava sendo filmado, e os auxiliares daquela igreja estavam todos no “púlpito”, uma coisa nada haver, um verdadeiro vício dos lugares especiais. O pior é quando acontece alguma festa na igreja, onde visitantes ficam de pé, por causa da lotação, e os diáconos, auxiliares, presbitérios etc., todos sentados naquele palanque.

Ainda há a maldita idolatria. Crentes que não acreditam em santos e imagens de escultura como seus mediadores, mas agem como se seus pastores fosse esses mediadores, por serem pessoas com uma suposta aura especial. Outros líderes encarnam essa idolatria e logo mudam sua nomenclatura para apóstolos, e logo serão conhecidos como semideus. Pessoas que atribuem a si mesmo o poder e os milagres.

Como no texto que escrevi nessa quarta-feira (veja logo abaixo), o abuso das autoridades “espirituais” se dá também por meio de legalismos infantilizantes. Aplicam regras e mais regras além das Escrituras e acabam criando um estado de forte repreensão e medo. Tal ambiente é facilitador de toda sorte de abuso. Portanto, é muito pecado sob a capa de “santidade”, só que essa santidade não é bíblica.

Muitos outros exemplos poderiam ser dados, mas também devemos dar graças a Deus pelos bons pastores, que estão longe desses modelos caudilhistas, que não valorizam o poder acima do humano. Pessoas que dedicam sua vida para o crescimento do Reino de Deus e entregam sua vida para uma linda obra pastoral. Portanto, honrai aos bons pastores, denunciai os falsos.

Referências Bibliográficas:

[1] CÉSAR, Marília de Camargo. Feridos em Nome de Deus. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2009. p 19.

[2] GONÇALVES, José. As Ovelhas também Gemem. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 67.

fonte: www.teologiapentecostal.blogspot.com

Psicologia no Púlpito









Não creio que a psicologia deva ser usada como ferramenta de púlpito cristão. Ela é imprópria para aquilo que propomos usá-la! A psicologia nasceu da necessidade de “libertar” o homem da presença divina e, por conseqüência, da “escravidão” que seu criador pensava ser o sistema religioso.

Sigmund Freud era filho de judeus, mas tal fato não o auxiliou a crer em Deus.

Em conversas com pastores e lendo os textos bíblicos, extraiu princípios cristãos a fim de serem usados num sistema que, excluindo a divindade, permitisse ao homem auxiliar outro homem, sem, no entanto, ficar preso aos sistemas religiosos inerentes da época.

Era a solução perfeita para acompanhar a tese Darwiniana! “A morte de Deus”. Este foi o “boom” que a mídia veiculou!

A Psicologia não foi criada para ser uma ferramenta de auxílio à Bíblia, mas sim, para ser sua competidora mais voraz, afirmando ter a resposta para os problemas espirituais do homem, coisa que a Bíblia afirma, criteriosamente, ser a única a possuir.

De início, temos dois sistemas que competem pela posse da verdade, um deles bíblicos e o outro formulado de uma mente atéia em rebeldia ao governo divino. Tal menção, por si só, é suficiente para uma profunda reflexão sobre o porquê de estarmos amalgamando substâncias diametralmente opostas, por mais que aparentem um mútuo auxílio entre elas.

Como qualquer bom médico poderia comprovar, o maior problema de um paciente não está na doença, mas sim, na administração equivocada do remédio errado, fruto do mau diagnóstico feito pelo profissional da área. Ele, simplesmente, pode gerar conseqüências fatais ao enfermo. Se a causa do problema for mal diagnosticada, o tratamento tenderá de ineficiente a mortífero, dependendo do tempo de submissão ao tratamento e a dose administrada.

A análise freudiana é incapaz de remeter o problema do homem a causa motriz, o pecado original, e por isso, ineficiente para tratar a doença! É com o tratar câncer com aspirina, o doente não estará mais sentindo dor, contudo, não estará curado e irá morrer da mesma forma. Somente, pensa que está melhorando quando na realidade, seu sistema nervoso está sendo enganado para que não sinta dores. Um estímulo positivo que engana o sistema nervoso e o faz crer que estamos melhorando, quando continuamos a ser arrastados rumo ao julgamento final.

A análise freudiana remete os problemas humanos à formação do ser e identifica inúmeras fases a fim de descrever os problemas correlatos de cada fase. Todo problema humano remete-se a simplicidade de impulsos, desejos e anseios que o ID deseja satisfazer, mas que são inibidos por causa do SUPEREGO, formado a partir das regras e costumes da sociedade. A resposta do sistema freudiano é liberar o ID agindo na diminuição da inibição causada pelo SUPEREGO, ou seja, permissão concedida para satisfazer a própria vontade.

A bíblia trabalha a questão de forma contrária! O superego não é formado pela sociedade, mas sim, uma consciência impressa no homem por Deus a fim de balizar suas ações, e esta, impressa em nossas mentes por causa da queda. A Bíblia ensina que tal consciência não é algo que deva ser ignorada em prol da satisfação egoísta de nossos desejos. Antes, somos orientados a não pensar de si mais do que nos convém e negarmo-nos a si mesmos, constantemente.

Os sistemas competem entre si. Uma única proposta, a cura para os males do homem, contudo, cada uma aponta para um lado, completamente, diferente. Não há liga! Ao uni-los, não torno a pregação Bíblica mais eficaz, mas retiro dela tudo aquilo que ela julga ser: A verdade absoluta que não necessita de complementos!

Apesar de não crer que as duas devam ser unidas num único sistema, não excluo a necessidade de conhecê-la profundamente, pois a sociedade em que vivemos é uma sociedade psicológica, onde os termos Ego, Egoísmo, Psique, entre outros, estão fortemente arraigados a nossa cultura.

Ora, se temos que trazer alguém das trevas para a luz, devemos conhecer como funciona o pensamento dentro de uma sociedade psicológica, para entendermos os pontos de conflito entre a verdade que pregamos com aquela que o mundo afirma ser verdade.

Que ninguém fique nestes pequeninos parágrafos, mas que busquem e pesquisem na ânsia salutar de encontrar a verdade...


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.



Postado por O PENSADOR

fonte:http://www.opensador.info/2009/02/psicologia-no-pulpito.html?obref=outbrain

A Maldição do Dedo Podre Evangélico!









Por Alessandro Monteiro

Tenho observado o andamento das coisas e entristecidamente eu confesso que não consigo assimilar as enormes diferenças existentes entre o evangelho de Cristo e o “evangeliquês” que se tem pregado já há muito tempo. Busco razões na Bíblia para atender aos chamados de quem se diz cristão, mas na realidade, na hora do aperto e da contradição acaba-se demonstrando semelhante ao homem comum, mundano e sem Deus.

Como pode alguém que se considera convertido ao Cristo ressurreto conviver com a idéia de que seus costumes guardados e sua língua perniciosa o torna mais santo e que essas coisas o levarão ao céu? Onde em algum momento o Mestre apontou o dedo para algum pecador e o condenou? Antes disse que esse era pecador e que deveria se arrepender e não mais pecar. Onde o Senhor condenou alguém por ser apenas um homem falho? Antes condenou as falhas e morreu por todos os homens.

O dedo podre tem desenvolvido e contaminado o povo com sua podridão. E analisando com cuidado percebe-se que não acusam porque não fazem e sim porque tem medo de fazer. Isso é coisa de fariseu! Vejo e ouço dizerem que Fulano ou Cicrano não é “crente”, pois usa roupas não tradicionais ao costume que o homem implantou na Igreja dizendo ser DOUTRINA. Já pensaram que isso é contra a Palavra e que nela acrescentam seus “entendimentos”? Isso SIM é pecado! Querem ser separados do mundo, mas usam isso para destituírem quem quer que ande no Caminho e não respeite seus dogmas de bom agrado da Glória do Senhor Jesus. Mas então Deus resolve justificar o JUSTO (ficou redundante) e aquele que dantes queria lançá-lo ao mármore do inferno, agora está perdido, sentindo-se humilhado por sua própria índole. Então nasce um dos mais vis espíritos que tem se agregado debaixo dos átrios dos maledicentes, a vingança!

Um sentimento ruim que assombra, que anda a espreita, que observa tudo e todos e faz do "justificado por Cristo" o maior alvo de sua existência. Para esse sentimento, os dogmas e doutrinas triplicam e as verdades e amor de Cristo não mais existem, agora existe apenas sua meta a ser atingida, "derrubar aquele que Deus levantou no seu lugar". Então surgem as fofocas, o “disse me disse”, lançando em xeque a credibilidade das pessoas, como se Deus Todo Poderoso não soubesse o que se passa no coração de cada um, como se Deus dormisse no ponto e deixasse o que não escapou aos olhos da ave de rapina, passar despercebido.

Isso realmente é o maior e mais mortífero câncer que existe dentro da igreja protestante, reformada e evangélica. E ainda tem quem se levante e diga que na igreja primitiva também era assim, portanto não precisamos evoluir... E vamos para o inferno como os que na igreja primitiva cometeram tais perjúrios? Li em algum lugar algo sobre nosso Jesus que me deixou muito pensativo e acredito que isso tenha feito minha torpeza parar e o veneno da minha língua se extinguir. Dizia nesse texto que se Jesus tivesse vindo nos dias de hoje, que para imaginarmos como foi o escândalo daquela época, que o veríamos sentados junto a prostitutas, traficantes, políticos corruptos,... O que diríamos? Ouviríamos suas palavras e nelas acharíamos a cura para nossos males, mas como os fariseus, diríamos que não vinha de Deus, pois não sentava junto aos “filhos” e sim com a “escória”. Então como poderíamos nós, filhos do Altíssimo seguir a um homem cujas palavras feriam os “justos” e afagavam os “ímpios”? E como da outra vez, a mesma história se repetiria, não somente porque estava escrito que assim deveria de ser, mas porque foi escrita assim, porque Deus conhece o coração do homem desde a sua criação.

fonte:http://membrodebanco.blogspot.com/2009/04/maldicao-do-dedo-podre-evangelico.html

NAZISMO EVANGÉLICO


Gostaria muito de saber o motivo pelo qual, nós, chamados seguidores ou imitadores de Cristo fazemos completamente o oposto daquilo que Jesus fez e ensinou, e o porque, que muitos de nossos irmãos e irmãs andam pelas ruas de nossas cidades como se fossem melhores ou superiores ao resto da sociedade.

Você já reparou o olhar altivo de muitos cristãos, direcionado àqueles que não estão vestidos quem sabe da mesma maneira que eles? Ou a cara fechada, e de poucas amizades que os cristãos fazem questão de fazer quando chegam a um lugar cheio de pessoas de todos os tipos de raças e religiões?

Não consigo entender quem nos ensinou a ser assim, mas de alguma maneira um “Farizeu Nazista” foi sim gerado dentro de todos nós. E é esse fariseu dentro de nós que faz com que nos julguemos melhores do que aqueles que ainda não aceitaram a Cristo, e muito mais em relação àqueles que estão na margem da sociedade.

Adolf Hitler foi o líder do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, também conhecido como Nazi, que possuía teses “Racistas” e “Anti-Semitas” e se considerava superior àqueles que não eram da raça considerada “pura”, no caso a raça Ariana.

Grupos como: Testemunhas de Jeová, eslavos, poloneses, ciganos, negros, homossexuais, deficientes físicos e mentais e judeus, eram marginalizados e em seguida brutalmente perseguidos e mortos, fato que ficou conhecido como “holocausto”durante o período da segunda guerra mundial.

Diz a história que A. Hitler era um homem que não admitia que seus oficiais e aliados fumassem, e ainda era uma pessoa polida e cordial no trato particular, quase paternal,
Hitler até gostava de se reunir com seus camaradas no restaurante, sempre pedindo um ravioli e água mineral, regado por papos discontraídos e muitas risadas.

Analisando o esteriótipo de Adolf Hitler, posso dizer que ele não era uma pessoa muito diferente dos crentes que lotam nossas igrejas. Pois a maioria deles não bebem, não fumam, são cordiais e mansos no falar com os seus irmãos e camaradas, porém não passam de “Nazistas Espirituais”, que marginalizam constantemente todos àqueles que são diferentes, pecadores, ou que até mesmo não se vestem ou pensam como eles.
É importante salientar que qualquer tipo de marginalização e preconceito é exatamente o oposto do que Jesus ensinou.

O amor segundo o apóstolo Paulo é o único dom que nunca perecerá e que pode verdadeiramente transformar alguém. Pois o amor é bondoso, não maltrata, e não se alegra com a injustiça...

Podemos ver relatados nos evangelhos que o Senhor Jesus, ao longo de seu ministério sobre a terra, deixou uma forte marca: o bom relacionamento com os pecadores. Jesus literalmente impressionava os religiosos da sua época, com demonstrações de amor e compaixão.

Então, agora é a nossa vez de impressionar e comover os religiosos da nossa época e todo o resto da sociedade, com demonstrações de amor, compaixão e afeto que possam destruir todo tipo de preconceito, ódio, ou sentimento de superioridade que ainda exista entre os homens.


Edificados Sejamos!
Postado por Thiago Rodrigo e Elinéias Fabrício
fonte: http://www.chamadospelagraca.blogspot.com/

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Bobagens que cantamos por aí

"No mundo tereis aflições!"

Com esse afirmativo Jesus prepara-nos para enfrentarmos cada dia com o seu cotidiano mal.

Peculiar é a situação do apóstolo São Paulo: "Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação." Fp 4: 11

Paulo é categórico: "APRENDI" a viver contente, não que ele gostasse das catástrofes que marcaram seus dias de crente aqui; entendia o curso deste tenebroso mundo avesso a Jesus, e prosseguia.

"Sei o que é estar necessitado e sei também o que é ter mais do que preciso, aprendi o segredo de me sentir contente (.) quer esteja alimentado ou com fome." Fp 4: 12 – NTLH
O apóstolo dos gentios "aprendeu" a viver contente, pois viveu para e com o Senhor, não bajulava o próprio ventre. E trabalhou mais, plantou igrejas mais que todos. E foi capaz, em Deus, de proferir: "Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação." Fp 4: 13. NTLH

Em momento algum encontraremos Paulo entoando musiquetas anestésicas do tipo: “Vai dar tudo certo!” Porque as pessoas sérias; e o Evangelho está cheio de gente séria, sabe que não é verdade, nem sempre vai dar tudo certo; passaremos por aflições.
Curioso é que a mesma música, que falsamente afirma que tudo vai dar certo, também lamenta: “Sei que a vida não é, só de momentos bons, há tempos difíceis, a vida é mesmo assim...” Mas, não ia dar tudo certo?

Bobagens que cantamos.

Entre os absurdos da Confissão Positiva, madrasta da teoria da restituição está esta canção-oração: ”Restitui, eu quero de volta o que é meu...” Mas, o que exatamente o novo homem deixou de bom lá atrás pra aporrinhar Deus pedindo de volta? Parece a mulher de Ló ao deixar Sodoma! O que perdi e quero de volta? Um ministério falido? Um casamento conspurcado? Um negócio escuso e cambaleante? A namorada que se mandou?

Pois eu quero tudo, novinho em folha, o Cristo a quem eu sirvo me prometeu e é fiel pra cumprir: II co 5: 17. A teoria da restituição poderia muito bem ser apelidada de “síndrome da mulher de Ló!” Quero um casamento novo todo dia, um ministério com nome do Céu e não de homens, flagrante macabro do autoculto. Importa que eu diminua.
Bobagens que cantamos.

Pedimos a Deus: “Quebre a minha vida, faze-a de novo.” Uma coisa é a inegável nobreza da petição, outra é que tal pedido baseia-se nos capítulos 18, 19 e 20 do livro de Jeremias; clamor por juízo? Suplico para ser entregue nas mãos de satanás, e disciplinado? Pois se bem me lembro, por toda a Bíblia Deus usa satanás ou coisas deste mundo, avesso a Jesus para açoitar-nos. Não é o que quero dizer, é o que digo.
A isso emendo outro descalabro: “Eu quero estar com Cristo onde a luta se travar...” Mal conseguimos resistir ao mal cotidiano, pecamos em assuntos caducos e trovejamos como a tropa de elite celestial. Absurda pretensão!

Bobagens que cantamos.

Nem a ordem eterna e soberana dos Céus é respeitada: “Põe um anjo aqui Senhor, põe um anjo lá, um anjo na porta e outro no altar...” Parece escalação de time de várzea, simples assim? Apoc 10: 1,2 descreve um único anjo, e já impressiona.
E a igreja vai assim, de bobagem em bobagem, contaminada pela “batalha espiritual” outro equívoco; a classe de catecúmenos está às moscas, mas anuncie um curso de “batalha”, lota. Onde estão as ovelhas, dependentes de Cristo, o general e seu exército de anjos, não de homens. O Senhor pelejará por vós, e vos calareis. Êxodo 14: 14. ARC
Rm 16: 20: “E Deus, logo esmagará satanás debaixo dos pés de vocês.” NTLH – Deveria encerrar as loucuras cantadas por aí, é Deus, e não nós quem esmagará satanás; até o gesto da “gospel” Fernanda Brum é esquisito. A mesma “ensina” que anjos recebem ordens de humanos - DVD apenas um toque – a patota “gospel” abusa, sem temor nem limites. A presença de Deus, o Soberano, é tratada como se trata um “despastor” qualquer; pop-gospel que se preza deixa Deus tomando chá de cadeira.

Aí, quando penso que os tropeços acabaram, a emissora “gospel”, cujo proprietário também gerencia a seção de títulos celestiais, toca: rompendo em fé, uma belíssima canção que, por força do hábito, um hábito ruim, afirma que: “Se diante de mim, não se abrir o mar, Deus vai me fazer andar por sobre as águas.” Claro, Deus é soberano pra fazer o que bem entender, abrir o mar, me fazer andar por sobre as águas etc... O que escapa aqui é a afirmação: se o mar não se abrir, Deus usa o plano B. e desde quando Deus precisa de plano B?

A afirmação, e aqui estamos tratando de afirmações espirituais contidas nas composições ditas de louvor a Deus, afronta Deus. O hit “gospel” afirma, ou sugere que, se Deus não for competente o suficiente para abrir o mar da tribulação, da falta de fé, da dificuldade, Ele dá um jeitinho e me faz passar por cima das tempestuosas águas da vida.

É milagre de livramento sim. O que não se pode ignorar? As afirmações.

Bobagens que cantamos.

(ex-interno do centro de recuperação de mendigos – Missão Vida)

www.mvida.org.br

www.sola-scriptura.com

fonte:http://www.ultimato.com.br/?pg=mural&local=mural_show&util=1®istro=1769

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Lembranças de algo que não há


Rodrigo de Lima Ferreira

No último domingo, celebrei a Ceia na igreja que pastoreio. Para mim, é um momento importante, quando vivenciamos um mistério, que é a presença de Jesus nos elementos e no culto. Na verdade, não dá para explicar aquilo que nós reformados chamamos de “sacramento”. No máximo, podemos compartilhar a experiência.

Enquanto me lembrava do culto e do momento da Ceia, da alegria de partilhar da mesa do Senhor com gente tão pecadora quanto eu, mas também tão alcançada pela graça salvadora de Jesus, comecei a ficar triste.

Não por causa do culto em si, nem pela igreja que pastoreio. Muito menos pelas pessoas de lá. Minha tristeza se deu por causa de um cansaço.

Acho que estou cansado, estafado, esgotado. Não se trata de cansaço físico, que uma boa noite de sono resolve, nem de cansaço ministerial. Estou cansado é dos rumos que a igreja evangélica brasileira anda tomando. Em contraste com a santidade e a intimidade que o Senhor nos proporciona, lembradas pela celebração da Ceia, vivemos tempos muito ruins. Parafraseando Frank Peretti, estamos vivendo em um mundo tenebroso. Não temo em afirmar que rumamos para uma grande apostasia.

A fé bíblica deixou de ser parâmetro para o ser cristão. Hoje as pessoas buscam cada vez mais ter experiências sensoriais, ainda que em total afronta às Escrituras. Bíblia? Ora, para quê Bíblia, se hoje temos profetas, bispos e apóstolos ungidos, vindo diretamente do trono de Deus, sem nenhuma chancela do Espírito Santo e de seu corpo, que é a Igreja (não confundir com “igrejas”) aqui na terra? Por que gastar tempo lendo e interpretando uma literatura em sua maior parte de origem semita, produzida há cerca de 2 mil anos, se hoje temos DVDs, CDs e outras bugigangas que trazem o alento necessário às almas ocas? Por que se importar em ser pastoreado de modo saudável, se hoje não nos importamos mais em viver um verdadeiro renascimento medieval? Se hoje se cobra um módico preço de cada incauto para que ele seja abençoado por Deus através de gente que confunde estética metrossexual com intrepidez ministerial? Em nossos tempos, não é melhor cantar “Restitui” do que “Tudo a Ti, Jesus, entrego”?

Sempre que posso, procuro alertar as pessoas sobre como a igreja evangélica brasileira tem se transformado nessa espécie de “Sodoma gospel”, onde as pessoas, ainda que religiosas, são más e agem contra o Senhor (Gn 13.13). Fico feliz com a igreja que pastoreio hoje, que tem sido receptiva àquilo que procuro alertar. E sei também de outras comunidades e igrejas locais onde se busca o evangelho verdadeiro. Mas sei também que estamos nos tornando exceção.

Sinto saudades do tempo em que as aberrações eram prontamente identificadas e rejeitadas, um tempo em que o “deus-mercado”, o “deus-espelho” e o “deus-sucesso-a-qualquer-preço” ainda não tinham colocado as garras de fora. E isso tudo me entristece bastante.

Sei que Deus ampara os seus, não permitindo que fiquem atordoados (1Pe 2.6). Sei que estamos vivendo o cumprimento das profecias acerca da volta de Jesus (Lc 18.8), e que apareceriam falsos cristos e falsos profetas anunciando a “última revelação fresquinha” de Deus (Mt 24.5, 23, 24) — o que de fato já está ocorrendo. Mas a vida ministerial tem dessas coisas. Que Deus me ajude a olhar mais para suas promessas, que refrigeram o coração e a alma (Sl 19.7), enquanto andamos no seu caminho.


• Rodrigo de Lima Ferreira, casado, duas filhas, é pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil desde 1997. Graduado em teologia e mestre em missões urbanas pela FTSA, hoje pastoreia a IPI de Rolim de Moura, RO.

fonte:http://www.ultimato.com.br/?pg=show_conteudo&util=1&categoria=3®istro=1069

terça-feira, 9 de junho de 2009

O RABO DO AVESTRUZ E A IGREJA XIITA...






Por Leonardo Gonçalves



Igreja xiita! Sim, xiita e preconceituosa, que ensina os crentes que a santidade está em abandonar a calça jeans e usar uma saia comprida até na canela; que mente aos homens dizendo que jogar futebol é coisa do diabo, e onde o pecado é definido e redefinido segundo o achômetro do pastor.


Tenho muita pena dos membros dessas igrejas, pois sei que no final de tudo eles são vítimas. São vítimas de uma liderança farisaica que se encerra dentro de um caixote, e de líderes avestruzes que enfiam a cabeça na terra para não enxergar o que acontece no mundo. Avestruzes que não assistem televisão, mas vivem pendurados na internet. Avestruzes desinformados que enfiam a cabeça na terra e não vêem a real necessidade do mundo! Avestruzes que falam de missões, mas a missão que eles conhecem não vai mais longe do que o famigerado congresso do Balneário Camboriú. Avestruzes que enfiam a cabeça na terra e depois reclamam quando alguém mete bala no seu rabo (*).


“Ai!!! Quem foi que atirou no meu rabo?”. Como é que o avestruz vai saber? Ele estava com a cabeça dentro do buraco e não viu quando, por causa desses extremismos, o mundo começou a zombar de nós. E quando, por causa da sem vergonhice gospel, a globo começa a falar mal dos crentes, o avestruz reclama, diz que é perseguição da mídia... Pobre avestruz.


As vezes me pergunto o que aconteceria se Jesus viesse hoje à terra, da mesma forma que há 2 mil anos atrás. O que aconteceria se os crentes evangélicos vissem Jesus comendo na casa de político corrupto, ou conversando com a “Bruna surfistinha” sozinho no banco da praça? O fariam os nossos tradicionais irmãos, aqueles dos “bons costumes”, se vissem uma mulher de calça jeans e brinco de argola, acariciando os pés de Jesus, beijando e enxugando-os com seu cabelo. O que faria essa gente quando Jesus proferisse seu famoso discurso de Mateus 23, e bradasse em alto e bom som:


“Ai de vós, hipócritas, que limpais o exterior do copo e do prato, mas no interior estão cheio de rapina e de iniquidade”“


Ai de vós, hipócritas! Que parecem com sepulcros caiados, que por fora se mostram belos, mas por dentro estão cheios de podridão!”


“Guias cegos! Vocês coam os mosquitos e comem camelos”. Preocupam-se tanto com vestimentas, mas pregam heresias!


“Ai de vós, tradicionalistas hipócritas! Porque cruzam o céu em avião para fazer novos convertidos (missionários?); mas depois que ganham essa alma, fazem dele um filho do inferno, duas vezes mais preconceituoso e xiita que vocês!”


E na minha imaginação, vejo-os fazendo exatamente o que fizeram à 2 mil anos atrás: julgando, condenado e crucificando novamente o Filho de Deus!




***


(*) – Apenas à guisa de esclarecimento: o uso da palavra rabo no referido contexto, não é uma expressão desrespeitosa, ou um palavrão. Lembre-se que esta palavra foi usada no contexto do mundo animal, e animais não têm nádegas, têm rabo mesmo.


Leia também no Púlpito Cristão
fonte:http://genizah-virtual.blogspot.com/2009/06/o-rabo-do-avestruz-e-igreja-xiita.html

MANUAL DE INSTRUÇÃO PARA LUDIBRIAR O REBANHO COM ENTRETENIMENTO E PROSPERIDADE


Manual de instrução para ludibriar o rebanho com entretenimento e prosperidade.

Eis aqui um artigo ironicamente preparado para demonstrar as mutretagens dos populares ministros da fé e da prosperidade, os quais dominam o cenário eclesiástico nas três Américas, por causa da incompetência bíblica de 99% dos crentes.

Regra Número 1

a) - Aprenda
a falar as palavras capciosas dos cristãos "ungidos". Você pode começar repetindo a palavra "ungido" em sua conversa, fazendo com que as pessoas de fato acreditem que você possui essa unção especial. (Veja a regra 3, para ter uma completa lista dessas palavras capciosas). Congregar pessoas na audiência para serem "curadas" é uma boa maneira de captar a confiança do rebanho. Contudo, tenha a certeza de que o incômodo do qual elas desejam ser curadas é invisível, não podendo ser constatado pela Medicina. Enxaquecas e outras dores e incômodos são excelentes motivos para uma boa capitalização. Esteja certo de escolher de antemão as pessoas, de modo que elas não publiquem o que está acontecendo. Persuadir as pessoas de que você vai lhes dar um conhecimento secreto, o qual outras pessoas não conhecem, pode atraí-las como moscas para o mel. Isso vai encorajá-las a ficar maravilhadas diante do seu conhecimento. Quando as pessoas reconhecerem que você possui essa "unção", você logo poderá afirmar o seu apostolado ou se estabelecer como um "profeta de Deus". Isso funciona muito bem porque as pessoas preferem ouvir um "profeta" que escutar a voz de Deus através do estudo de Sua Palavra. Lembre-se de evitar que elas descubram que você se "ungiu" a si mesmo. Isso é vital. Se elas virem que você é o único a afirmar que foi "ungido", você jamais conseguirá a afluência do rebanho, e não vai conseguir o entretenimento e o lucro que vão chegar, quando você conseguir ludibriar as ovelhas.

b) - Estabeleça-se como um profeta de Deus, fazendo algumas predições. Não importa se estas não se cumprirem, pois você sempre vai poder afirmar a falta de fé como a razão para que estas não tenham se cumprido. O segredo do sucesso é jogar a culpa sobre os outros, quando estiver num local apropriado. O que quer que aconteça, jamais assuma a responsabilidade pelo fracasso da profecia, pois isso poderá manchar a sua imagem e atrapalhar a tosquia do rebanho para o entretenimento e a prosperidade. Você também deve evitar que o rebanho chegue perto de passagens da Bíblia, as quais dizem que um profeta deve ter 100% de acerto, conforme Deuteronômio 18. É necessário conservá-lo longe dessas passagens, lembrando-o de que todo mundo pode falhar. Se você mantiver o foco sobre as pessoas falíveis, seu rebanho não vai saber que as profecias supostamente vindas de Deus são infalíveis.

c) - Se alguém o desafiar como um profeta de Deus, faça com que ele se lembre do verso "Não toqueis nos meus ungidos" e as conseqüências sobre quem "blasfema contra o Espírito Santo". Nunca os deixe perceber que essas passagens nada têm a ver com você ou com a situação em pauta. Vai soar muito espiritual se você lhes falar essas passagens em voz alta, olhando-os severamente nos olhos... É essencial que você sempre amedronte o rebanho, o máximo possível, para ter a certeza de que as ovelhas têm medo de você. O medo é uma grande ferramenta a ser usada, a fim de garantir a tosquia do rebanho.

d) - Desencoraje o rebanho de ler a Bíblia sozinho. Relembre-o sempre de como o Espírito Santo tem falado com você, o que reduz a necessidade de suas ovelhas estudarem a Bíblia, visto como os seus conhecimentos são até superiores aos da Bíblia. Não esqueça de injetar um verso, aqui e ali, de modo que elas pensem que isso é de Deus. Procure versos obscuros, de modo que o rebanho não descubra que eles nada têm a ver com o que você tem ensinado. É aconselhável usar uma versão bíblica mais antiga, pois a maioria das pessoas hoje em dia não entende o português clássico e você pode fazer com que elas entendam os versos exatamente como você deseja. Se alguém o desafiar, invoque o seu "divino conhecimento da revelação" e repita as clássicas frases do item "c". Se alguém no rebanho tentar ler a Bíblia por conta própria, tenha a certeza de interpretar as Escrituras para ele, dizendo o que elas "realmente" significam. Será proveitoso que você escreva o seu próprio estudo bíblico, com as suas próprias anotações nas margens. As versões em couro podem ser vendidas por mais de R$ 200 cada uma e podem oferecer uma fonte de lucro por muitos anos.

e) - As pessoas mais chatas são aquelas que ficam insistindo na sã doutrina e é preciso ficar alerta quanto a esse tipo de gente, a qualquer custo.
Seu lucro e reputação estão em jogo neste ponto. Contudo, isso pode ser facilmente superado com a frase capciosa: "Será que podemos continuar? Todos nós amamos Jesus". Convença o rebanho de que a doutrina é divisora e o que importa é amar o Senhor. Isso funciona bem, pois os que insistem no assunto são rotulados como divisores e isso questiona a sua espiritualidade. Quando se chega a esse ponto, fica fácil deixar de lado o que eles estavam falando.

f) - O emocionalismo é essencial para o ministério de engodar o rebanho. Imite os mais bem sucedidos enganadores e pratique isso, até que se torne um hábito. Ande agressivamente para a frente e para trás, no palco, acenando amplamente com os braços, com a certeza de estar falando rápido e em voz alta. Para dar mais ênfase, sussurre algumas vezes para que todos se esforcem para escutar você e em seguida dê um forte gemido, para que eles pulem de suas cadeiras. Verter lágrimas e ficar ensopado de suor na fronte e no queixo, enquanto está pregando, ajuda bastante a demonstrar "unção", garantindo que o rebanho está recebendo uma mensagem "ungida". Dance bastante e fale "Uuuuh! Sinto a unção chegando sobre mim... Ó glória!" Esteja certo de fazer barulhos estranhos, às vezes, e diga que está falando nas línguas do Espírito. Isso impressiona demais e assegura a admiração do rebanho sobre você.

Regra Número 2

Para um ministério prosperar, o dinheiro deve ser regularmente extorquido do rebanho
. Não tome todo o dinheiro dele, de uma vez, porque isso poderia fazer a fonte secar e você deve ter a certeza de receber ofertas durante muito tempo, a fim de aumentar o seu lucro. Continue fazendo com que os seus seguidores tenham esperança de que os ensinos recebidos funcionam de fato. Isso pode ser conseguido, mostrando como o Senhor o tem abençoado, quando você dirige a sua limusine. Assegure-os de que eles também podem tornar-se servos ungidos de Deus, recebendo as mesmas bênçãos. Alguns dos truques seguintes podem funcionar muito bem; eles têm sido tentados e testados. Contudo, quando esses truques começarem a falhar, use um pouco de imaginação para conservá-los atuais e excitantes.

a) - Oração ungida sobre roupas e acessórios. Isso tem sido uma boa novidade e com muito sucesso. Esse truque não funciona bem com as ovelhas mais idosas, mas existem muitas ovelhas novas que ainda acham isso excitante. Você pode ter uma variedade de roupas e adereços ungidos que as conservará freqüentando, por enquanto. Roupas e acessórios podem servir para unção, riqueza e poder. As possibilidades são quase ilimitadas com uma imaginação fértil. A margem de lucro pode ser muito grande porque as roupas e acessórios são baratos na compra e podem dar um bom lucro, quando vendidos por preços mais altos do que valem, por causa da "unção" [hoje está na modas as toalhias com o seu suor].

b) - Orar sobre cartas. Esta é outra maneira de atrair lucro. Uma vez que o seu investimento financeiro é quase nulo. Faça com que os membros enviem cartas com pedidos de oração e você pode estabelecer o preço para orar sobre as mesmas. Quanto você cobra depende do quanto você deve ter convencido as ovelhas de sua unção. Um bom profeta ungido pode receber 20 pratas ou mais por oração, se esta for manejada corretamente. Tenha a certeza de que tem uma maneira de se livrar das cartas, a fim de que estas não entulhem o seu espaço particular no escritório.

c) - Se alguém optar pelo ministério de libertação como um meio de lucro e gratidão, você pode oferecer acessórias ungidos para afugentar os espíritos, fixando o preço conforme a severidade do demônio. Eu não recomendaria o uso do termo "dólares contra os demônios", porque isso poderia não soar muito espiritual. Contudo, esse ministério garante lucro e reconhecimento, porque os demônios não ficam presos por muito tempo e logo voltam. Então, você será chamado sempre e sempre para exorcizar os mesmos demônios das mesmas pessoas. Evite muito trabalho nessa área, porque as pessoas depressa ficarão dependentes de você para conservar os demônios longe. Se elas se tornarem insatisfeitas e o questionarem, chegou o tempo de você as despachar como cães que continuam voltando ao seu próprio vômito. Lembre-se que sua imagem precisa ser protegida e jamais aceite perguntas tolas, como: "Por que não funciona?" A chave para um ministério bem sucedido é jogar a culpa sobre a ovelha. A arrogância será sua melhor aliada para o manter a salvo do rebanho.

d) - A era eletrônica é maravilhosa e não se pode negligenciar este meio de lucro e gratidão. Você pode convencer o rebanho de que Deus está sempre presente em toda parte, inclusive na Internet. Faça com que os possessos dos demônios ou enfermos coloquem as mãos e a testa diante da tela, convencendo-os de que Deus está tocando-os através de você, pelo monitor. Coloque em seu website um desenho em que você apareça com a mão estendida para eles. Isso os convencerá de que você realmente está orando em seu favor. Declare que as orações só irão funcionar se eles tiverem remetido dinheiro. Sua reputação é que vai determinar o preço a ser fixado por essas orações. O poder de sugestão funciona bem; os hipnotizadores têm usado esse princípio por muitos anos. O importante é que o cliente esteja mentalmente convencido de que a "unção" está fluindo para ele através da tela do monitor. Então, você pode pedir mais ofertas para futuros toques ungidos.

Regra Número 3

Fique papagueando o jargão que somente os ungidos costumam usar: "Clame pelo sangue de Jesus".

a) Não importa o fato de que não haja qualquer precedente na Bíblia para a frase acima.
Como a mesma soa espiritual, então que seja usada constantemente. Repetida sempre e sempre ela pode dar a impressão de algum ingrediente mágico no sangue de Jesus, ficando no mesmo nível da água benta, do incenso, das velas acesas e do uso do crucifixo [NT: Hábitos muito comuns aos católicos], como proteção para o rebanho. (Esses itens supracitados poderão ser vendidos com um bom lucro, se forem "ungidos"). Conhecer o linguajar dos "ungidos" poderá elevar você ao reconhecimento e colocá-lo na posição de ludibriar o rebanho pelo entretenimento e pela profecia, de maneira mais rápida. Falar diretamente com Satanás é muito impressionante, mas você deve evitar que eles vejam que isso não é bíblico. Juntar palavras e frases capciosas à mímica deve ser feito conforme abaixo e JAMAIS esqueça de "invocar o nome de Jesus" (Tente falar "Jesus" o mais longo possível: Jeeeeeeesuuuuusssss. Quanto mais longo, melhor). "Satanás, estou aqui em nome de Jesus". "Satanás, você está amarrado em nome de Jesus". "Satanás, eu ordeno que você volte para o inferno, em nome de Jesus". "Satanás, eu repreendo você em nome de Jesus". (Não esqueça de enfatizar o pronome EU. Isso vai colocar você em foco como alguém com poder para fazer essas coisas. Isso também coloca o foco em Satanás e não esqueça de invocar o nome de Jesus para um toque de religiosidade, que vai dar a impressão de poder. Se você conseguir desviar o foco de Jesus, então isso vai convencer o rebanho de como ele precisa dos que ocupam a posição de "ungidos". Apontar para Jesus vai atrapalhar a posição de ungido e de continuar com o engodo; portanto, todo cuidado nessa área é pouco!)

b) Mais algumas palavras e frases capciosas:
* Afirmar, confessar e exigir a cura em nome de Jesus é bom, mas retira a atenção de sua unção. Mais uma vez, quanto mais arrogante você for, mais chamará a atenção das ovelhas sobre a sua "unção".
* Aleluia, Louvai ao Senhor, glória e amém. (repita sempre e sempre, e para mais ênfase, um assobio às vezes é bom. Quanto mais alto melhor, para que escutem a sua unção).
* Gritos de glória e "vivas ao Espírito Santo, devem ser atirados às vezes. Se você for vencido pelo riso, será fácil engodar o rebanho, afirmando que se trata do "riso santo" e todos irão a você (o que vai levá-lo a rir mais fortemente; mas não se preocupe, pois eles vão rir muito, o tempo todo).
* Cantar, dançar, falar e andar no Espírito são certamente fogo nas palavras "ungidas", as quais serão notadas!

c) - Semente de fé. Este termo indica que os crentes estão plantando uma semente de fé e vão conseguir uma colheita em dinheiro por causa dela.
Usando essa idéia, você pode conseguir que as pessoas lhe enviem grandes somas de dinheiro sob a promessa que receberão de volta o valor centuplicado. As pessoas são ambiciosas por natureza e a ilusão da promessa de receber milhares de dólares de volta é uma poderosa indução. (Mas tenha a certeza de que elas ficarão longe da leitura de Marcos 10:29-30, porque você não vai querer dar a elas um lampejo sequer de que as perseguições também poderão acontecer em suas vidas. Livre-as de qualquer idéia de que o estilo de vida que você está promovendo poderia algum dia causar-lhes problemas). Isso também vai dar-lhe uma excelente oportunidade de usar a culpa e a intimidação para coagir as pessoas a lhe mandarem grandes somas como "ofertas de amor". Obviamente, se elas não quiserem lhe enviar esse tipo de "oferta de amor", então é porque não têm bastante fé para plantar. Termos acusatórios sobre a sua falta de fé, se não lhe enviarem dinheiro, neste caso funciona bem e vai lhe garantir um proveitoso ministério para muitos anos futuros.

Resumo:Lembre-se que a natureza corrupta do homem o conduz à busca de fama e fortuna para si mesmo, excluindo o próximo. Pode ficar certo da continuação, caso se lhe ofereça a possibilidade de conseguir riqueza e poder. Tendo isso em mente, continue a apelar para a sua natureza corrupta, espiritualizando-a, a fim de que as ovelhas pensem que as coisas que elas desejam são as que Deus quer que elas possuam. Repita constantemente frases como "Deus deseja que vocês sejam ricos, saudáveis e felizes, acima de todas as cosias". Evite as pessoas que afirmam que a maturidade espiritual é mais importante aos olhos de Deus que o sucesso financeiro. Conserve o seu rebanho longe desses tipos. Eles podem ser devastadores para o seu ministério.
Se o rebanho falhar em alguma coisa, use a intimidação e o medo para que ele continue intacto. Essa tática vai garantir a continuidade do seu próprio bem-estar financeiro. Lembre-o de que se ele falhar nessas coisas será pela falta de fé, a qual está evitando que as bênçãos de Deus aconteçam.
Lembre-se que você tem de andar conforme fala, a fim de conservar a credibilidade. Isso quer dizer: nunca mencionar que você pode pegar um resfriado, pode deixar de se sentir feliz e que está com problemas financeiros. Cometer um erro assim seria uma rápida maneira de destruir o ministério de levar o rebanho no papo. Você é o exemplo de tudo que Deus deseja para ele e demonstrar qualquer sinal de fraqueza humana vai minar tudo que você esperava conseguir. A ilusão é tudo.
Se você descobrir que alguém está querendo sair, use depressa o medo e a culpa para conservá-lo no rebanho. Uma tática muito eficiente é a de ameaçá-lo com a perda da salvação, caso ele saia. Ameace também os seus filhos, dizendo que se ele sair, seus filhos vão pagar pela sua falta de fé. Esta é uma boa maneira de conservá-lo na linha, pois a maioria dos pais ama demais os filhos.

(Traduzido do Artigo "Official Handbook Of How To Fleece The Flock For Fun And Profit")
Postado por Djalma Oliveira Santiago
fonte:http://presbiterianoscalvinistas.blogspot.com/2008/11/manual-de-instruo-para-ludibriar-o.html

quarta-feira, 27 de maio de 2009

PASTOR CHAMA PÚLPITO CRISTÃO DE LIXO, SOLIDARIEDADE ao "HEREGE" do Púlpito Cristão, meu Brother Leo

Para que possam ver que ainda impera em nossa "família" o velho adágio: "PASTOR NÃO ERRA, JUSTIFICA-SE..."

Cuidado!!!! Se você teme a maldição lançada pelo "ungido", NÃO LEIA!!!! senão, " vais pagar o preço", kkkkkk

Mas, seriamente falando, observem a que ponto estamos chegando e, ninguém toma qualquer tipo de providência, estamos mais preocupados em nos aparelharmos melhor administrativamente e financeiramente, porém, em termos teológicos e doutrinários, não usos e costumes, estamos deixado a desejar, por isso, o tão antes por nós repudiado neo-pentecostalismo e tantas outras heresias tem adentrado, facilmente e com muita rapidez em nossas igrejas, pois garante bom retorno nas ofertas e campanhas "mercenárias" e marketeiras, onde a fé dos fiéis é barganhada, mediante $$$$$ quando as "sacolinhas" são passadas, além da imposição obrigatória do dízimo como requisito para salvação, pois quem não o dá é ladrão e esta categoria não entra nos céus, então já não o é também suficiente, tem que ter os sacrifícios $$$$$ e as gratidões $$$$, ação social $$$$$, etc;

Quando questionamos, sempre aparece alguém dizendo: "não faça isso, coitado, deixe-o pensar assim, ele quis falar de outra forma, não foi neste contexto, vc até entendeu.... e por aí vai o povo engolindo tanta besteira, estamos criando um monte de pessoas deficientes na fé, estamos mais preocupados com os nossos cultos MÍSTICOS, com pessoas em TRANSE que dão mais valor a profecia entregue para uma exclusiva pessoa, flada pelo microfone, em detrimento a MENSAGEM PROFÉTICA ministrada pelo PRELETOR do CULTO, ou seja, tem que ter MOVIMENTO, e a liderança gosta, pois afinal, rende $$$$$$ e ajuda a manter seus salários de míseros milhares de reais.... bom vou me ater aqui sei que apanharei por demais por minhas palavras...

Bom Léo, o que posso fazer além de repassar seu post e recomendar seu blog é publicar aqui na íntegra o que está a acontecer e, me juntar a você na formação da UNIÃO DOS BLOGUEIROS PERSEGUIDOS...

mas quero aqui partilhar minha solidariedade pela CORAGEM e SOBRUEDADE tratada pelo meu querido irmão Leonardo em seu Blog: www.pulpitocristão.blogspot.com



PASTRO RUI RAIOL CHAMA PÚLPITO CRISTÃO DE LIXO E AMALDIÇOA BLOGUEIRO

E-mail enviado pelo pastor Rui Raiol, no dia 24/05



Que o Senhor julgue suas palavras. Mesmo não lendo o lixo que tanta gente imunda produz diariamente na internet, noto que vc é uma das ferramentas mais ferrenhas contra tudo que Deus tem falado. Quem é você para julgar desse jeito, irmão? Não lhe causei nenhum mal. Porventura citei seu nome na rede, falei mal de A ou de B? Acusei você de algum crime ou algo parecido? Não sei se vc é inteligente suficiente para notar que, com sua estupidez em difamar servos de Deus, cai em contradição. Afinal de contas, o Evangelho é amor. Quando vc vem a público, sem conhecer uma pessoa, e age do jeito que tem agido, está condenado por suas próprias palavras e atitudes. Quem tem o Espírito de Deus, sabe que está diante de uma pessoa carnal e leviana. É isso que vc é?

Meu irmão, sou um homem de Deus. E vc deveria ter pelo menos respeito ao falar tanta coisa. Como jurista, sei que poderia processá-lo por danos morais e, com isso, ia buscar até o último centavo de seu bolso pelo seu abuso. Porém, o sofrimento é por Jesus, e não vou revidar. Não vou pôr, promete-lho diante de Deus, uma só palavra na rede contra você. Basta o julgamento perfeito do Senhor entre mim e ti.

Amigo, vc tem cérebro suficiente para entender entre a visão de homem natural e a visão do Onisciente? Amigo, vc acha que Jesus me diria "Venceu o pastor B", quando Ele sabe que não venceu? Vc acha que Deus mentiria? Amigo, o que perguntei a Deus foi a essência, vc entende? Não perguntei resultado oficial. Se vc perguntasse a Deus quem venceu para ser o sucessor de Judas, será que Ele responderia "Matias", sabendo que Ele chamaria a Saulo?

Irmão, vc já esteve desenganado por 3 anos e foi curado por Jesus pessoalmente? Vc é batizado com o Espírito Santo e com fogo? Vc ora todos os dias? Vc foge do pecado para seguir a Jesus? Vc observa a Palavra? Vc sabe ouvir a voz do Espírito Santo?

Quem é vc para julgar, irmão?

Que o Senhor julgue entre mim e ti. Se profetizei da carne, venha o juízo de Deus sobre mim. Agora, se sou homem de Deus e vc tem sido um instrumento de Satanás, que a mão do Senhor pese sobre ti terrivelmente, e só se retire quando vc reconhecer que há um Deus no Céu.

Em oração.

rui raiol




Resposta ao pastor Rui Raiol: E-mail enviado dia 27/05



Caro pastor (e profeta) Rui Raiol,

O Senhor está certo em afirmar que não me causou nenhum dano, não tendo eu nenhuma razão pessoal para revidar. Eu não tenho mesmo. Acontece que os meus artigos desmascarando a sua falsa profecia não são produto de uma motivação pessoal, e sim do zelo de Deus e da sua doutrina. Não foi contra mim que o senhor pecou quando proferiu aquela profecia apócrifa; foi contra Deus. Foi o nome do Senhor que ficou envergonhado quando o amado profetizou a vitória do pastor Samuel Câmara, e publicou a notícia antecipada no seu site no dia 16 de abril.

Que bom seria se o prezado tivesse se arrependido da sua falsa profecia. Dizer que o resultado foi fraudado, como o senhor faz naqueles vídeos no youtube, não melhora em nada a situação. Supõe-se que, ainda que as eleições tivessem sido fraudadas, o Onipotente saberia dizer com precisão o resultado final. Além do mais, em sua profetada, o irmão (fazendo-se passar pelo SENHOR) diz claramente: “Chamei a Samuel Câmara e ninguém poderá derrubá-lo”. Que Deus é esse que fala e não cumpre?

Ultimamente o senhor andou dizendo que o plano de Deus para a CGADB foi frustrado por culpa do pastor José Wellington. Isso é ridículo, pastor Rui! O que aconteceu com Números 23.19 que diz: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?”. Será que Deus mudou? Agora ele mente, se arrepende, fala e já não confirma? Como é fácil frustrar o plano de Deus, não é mesmo?! Não, pastor Rui: não foi Deus quem te revelou aquela profecia. Foi a sua soberba que falou naquele programa de rádio: “Quando o tal profeta falar em nome do SENHOR, e tal palavra se não cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou o tal profeta; não tenhas temor dele” (Dt 18.22).

Com respeito às suas demais perguntas, respondo prontamente: Jamais estive "desenganado" pelos médicos, nem vi Jesus pessoalmente, e também não entendo qual a correlação disto com aquilo. Será que para ser um pregador do evangelho eu preciso ser ex-aidético, ex-canceroso ou ex-morto? E eu que pensava que a qualificação para o ministério estava ligada à vocação, temor de Deus e o conhecimento bíblico do cidadão (risos). Errei denovo, né pastor?

Sou batizado apenas com o Espírito Santo. O batismo com fogo como uma benção para o crente é produto de uma má exegese. Note que o fogo, em inúmeras passagens, aparece na Bíblia como símbolo do juízo de Deus [*]. Além disso, o contexto imediato de tal batismo deixa claro que o fogo é para a palha, ou seja - ímpios (Mt 3.10 e 12), e não para os servos de Deus. O batismo com fogo é o batismo em que serão batizados os falsos profetas que não se arrependerem de seus abomináveis presságios.

Busco observar a Palavra, embora eu mesmo seja um transgressor dela. Não confessá-lo seria passar uma falsa aparência de santidade, e acusar a Deus de mentira (1Jo 1.10). Mas dou graças ao Senhor pela sua maravilhosa Graça, que me faz aceitável, no amado.

Sim, pastor: Eu conheço a voz do Senhor (Jo 10.27). Tanto que posso afirmar sem medo de errar que sua profecia não vem de parte de Deus, mas da sua própria carne ensoberbecida (Dt 18.22). Segundo a bíblia, o que Deus determina, infalivelmente acontece (Is 43.13). As profecias de Deus são seguras, as dos homens são fraude.

Finda a entrevista, deixe-me falar da sua mais nova profecia carnal:

Pastor Rui... O senhor é um escritor de livros, um homem douto, não pega nem bem ficar invocando o juízo de Deus sobre a sua cabeça. A história de Nadabe e Abiú ficou no passado, e hoje em dia essas coisas não acontecem mais. Já pensou se isso fosse acontecer literalmente hoje em dia? O que ia ter de raio caindo na cabeça de pastor da Universal não está no gibi! Meu amigo: Deus não tem pressa em castigar ninguém; ele é longânimo e deseja o nosso arrependimento (2Pe 3.9). Embora a lei da semeadura seja uma verdade quase científica (Gl 6.7), o juizo de Deus virá sobre os ímpios no fim dos tempos (Jo 12.48). Portanto, aí vai um conselho do seu irmão e amigo: PARA COM ISSO, RUI! Ao invés de pedir juízo sobre a sua cabeça, o senhor devia pedir é perdão e misericórdia pelas coisas que anda dizendo. Todos nós erramos, pastor Rui: O senhor não foi o primeiro, nem será o último a entregar uma profetada, mas deve se arrepender enquanto é tempo.

Pare também com essa história de dizer que eu sou servo de Satanás e de que a mão de Deus vai pesar terrivelmente sobre mim. Aliás, que gíria esdrúxula, pastor! Pense no tamanho da bobagem que o senhor está falando: Se Deus pesar a mão dele sobre mim, não vai sobrar nem o meu farelo pra contar a história. O “peso” da mão de Deus é incalculável, infinito como a sua essência, por assim dizer. Agora, imagine se ele decide pesar a mão TERRIVELMENTE, como o senhor faz questão de acrescentar: Não vai sobrar um só planeta no sistema solar! Será que o senhor deseja mesmo isso para mim? O senhor quer que Deus pese a mão TERRIVELMENTE sobre mim? Que pena, hein Ruizão?... Logo o senhor que falou tanto em amor, não compreendeu o que Jesus quis dizer em Mateus 5.44:

“Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem”

Se eu estou errado e o senhor certo, então seu dever seria: amar-me, abençoar-me, fazer o bem e orar pela minha vida. Ainda que, pelo menos da minha parte, não tenho nada contra a sua pessoa, pastor Rui, e sim contra a sua atitude. Não o tenho por inimigo, e sim como objeto de minhas orações. Mas parece que o senhor preferiu me amaldiçoar, né? Ok, vamos lá então. Pode jogar praga o quanto quiser. Ninguém pode amaldiçoar o que Deus abençoa. Simples assim... está na Bíblia, sabia? Lembra? Aquele livro de capa preta que os crentes carregam debaixo do braço? Então, tá lá.

Concluo dizendo que, ao enviar-me este e-mail, o senhor deu mostra do tipo de cristianismo que abraçou. Não duvido que Deus tenha te usado, abençoado e curado algum dia, mas insisto que a tal profecia não é de Deus, pois não passa no crivo da Palavra. Mas fique à vontade, se quiser me processar, como ameaçou. Apenas te adianto que no momento tenho exatos 42 soles (aproximadamente 40 reais) no bolso, com os quais pretendo passar a última semana do mês. Se achar que vale à pena arrancar meu “último centavo”, vá em frente! Só acho que o senhor não vai conseguir comprar muita coisa com o que conseguir ganhar na justiça (risos).

No mais, me despeço no amor do Senhor, e desejo que Ele te cubra com toda sorte de bençãos, saúde, paz e prosperidade. Desejo que Deus derrame infinitas bençãos sobre toda a sua família, e espero – sinceramente - que Deus jamais pese a mão sobre ti, e muito menos TERRIVELMENTE, pois isso equivaleria a adiantar o apocalipse! Muito pelo contrário: quero mesmo é que Deus, em sua infinita graça, lhe pague em bens, por todo mal que o senhor me desejar e vier a fazer.

Em Cristo Jesus, meu Senhor e Mestre.

Leonardo Gonçalves


***
[*] - Quanto ao fogo como símbolo do juízo: Gn 19.24, Ex 9.23, Nm 3.4, Nm 11.1, Nm 16.34-35, Jó 15.34, Sl 97.3, 105.32,140.10, Is 66.16, Jr 15.4, Jl 2.3, Am 7.4, Ob 1.18, Na 1.6, Sf 3.8, Mt 3.10, 3.12, 5.22, 7.19, 13.10, 18.8-9, 25.41, Mc 9.43-48, Lc 3.9, 3.17, 9.54, 12.49, 17.29, Jo 15.6, 2Ts 1.18, Hb 10.27, 12.29, 2Pe 3.7, Jd 7, 23, Ap 8.5, 9.18, 20.9-10,20.14-15, 21.8.

- Referências em HORTON, Stanley: A doutrina do Espírito Santo, CPAD


Meus agradecimentos aos blogueiros Danilo Fernandes, Teóphilo Noturno, Marcelo e Eunice, Ruy B. Marinho e Newton Carpinteiro, pela solidariedade neste assunto. Abraço, amigos!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Quadrilhas religiosas

Mãos ao alto! Não quero ver ninguém calado. Olhinhos fechados, carinha de choro; Bíblia numa mão, carteira na outra. Isso é um culto, meu irmão! Pegue a notinha mais alta que você tiver e ponha dentro da sacolinha. Depois vire-se sutilmente para o individuo ao seu lado e diga a ele que há um pote de ouro no fim do arco-íris. Que ele será mais forte que o Super-homem. Mais rico que o rei Salomão e mais poderoso que o Barak Obama!

Agora bem alto que é para o inimigo ouvir. Repita comigo: compre batom. – perdão! Diga! Eu sou mais que vencedor! Eu sou muito mais que vencedor. deus vai me colocar por cabeça e não por cauda. Isso é meu, a casa do vizinho é minha; o carro o emprego também. Tô pagaando! - Mais alto, que é para o Satanás ouvi e cair da cama . Eu sou filho do rei. Tudo é meu!- ai, ai, ai, que saudades do Tim Tones!

E olha aê; olha aê! Têm sabonete ungido, pra mamãe e pro papai. Rosa mais milagreira que Santo Antônio amarado de cabeça para baixo. Quem vai querer? Olha aê, olha aê. Vai passado a sacolinha de novo, olha aê! Tem oração forte que só leite de jumenta, baratinha na promoção. Pague uma e leve duas. Desamarra até nó cego. E la garantia soy jô! Olha aé, olha aê! Também tem óleo mais cheiroso que filho de barbeiro, capaz de fritar até pecado oculto. Vamos colocando o real na sacolinha. Que é para comprar um terreninho, nossa Canaã meu irmão. Ajudar na construção do templo. Pagar a rádio no fim do mês. – tem fé não é? Lembre-se que você está nos ajudando a dominar o mundo.

Não se mexa meu irmão! Porque ainda tem mais, vem aí um pregador mais poderoso que reza de benzedeira, que promete prodígios e maravilhas de deixar Hercules no chinelo.- há quem diga que ele cura mais que pomada de banha de cobra. Cura dores ciáticas, dores reumaticas, males de pele, nevrites ou artrozes, equizemas secos ou úmidos, feridas dificeis de sarar, caroços e se lhe passar a mão sara mais do que gelol.

E antes de sair não se esqueça de dar uma passadinha em nossa loja, logo aí na entrada. Tem CDs; DVDs, de entrevista com o demo. Feijões mágicos, pipoca, algodão doce e muito mais. – O que?Acabou o seu dinheiro? Pare de sofrer! Aceitamos cheques pré-datados, cartões de créditos e ainda dividimos sua oferta em dez vezes sem juros! Agora vá embora devagarzinho, não olhe para trás. E volte sempre!

Werton Freire

fonte:http://www.ultimato.com.br/?pg=mural&local=mural_show&util=1®istro=1696

domingo, 24 de maio de 2009

Os “atos proféticos” estão na moda, inclusive em algumas Assembleias de Deus. Onde vamos parar?


Não faz muito tempo que uma famosa intérprete do chamado mundo gospel, num “ato profético”, andou como um animal quadrúpede em cima de um palco, como se fosse uma leoa. A mesma cantora e seu grupo, em um mega-show, no Rio de Janeiro, apresentou um deprimente espetáculo em que um rapaz representou o Diabo, enquanto ela o pisava “profeticamente” (quer dizer, pisava supostamente o Inimigo), acompanhada de dançarinos que poderiam, sem exagero, fazer parte dos shows da Madonna, da Britney Spears ou da Beyoncé.

Há alguns anos, seguidores de um grupo “evangélico” resolveram, também num “ato profético” ao extremo, escalar e ungir o Dedo de Deus, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Segundo eles, esse pico é um chamariz da presença de Deus. Além disso, bem próximo dele há outro que, de tão parecido, chega a se confundir com ele — a Agulha do Diabo, que também precisaria ser ungida. Com isso, declararam “profeticamente” que o Estado fluminense pertence ao Senhor e que toda ação diabólica foi quebrada!

Melhorou alguma coisa no Rio de Janeiro depois desses ousados “atos proféticos”? Do jeito que o Diabo foi supostamente pisoteado e humilhado, diante de milhares de pessoas, no mínimo ele estaria fora de combate, mas o Inimigo continua bastante atuante, não só em territórios fluminenses, como em todo o mundo. E quanto às unções do Dedo de Deus e da Garganta do Diabo, que resultado trouxeram?

Como é triste ver igrejas ditas evangélicas voltadas ao misticismo... Infelizmente, a moda do “ato profético”, que começou entre os adeptos do G12, em que prevalece um pseudopentecostalismo, já conquistou pastores da Assembleia de Deus. Um dia desses, assistindo a um programa assembleiano que vai ao ar no sábado pela manhã, fiquei pasmo. Vários “atos proféticos” foram apresentados com a maior naturalidade, como se fizessem parte da liturgia pentecostal...

O que está acontecendo com a quase-centenária Assembleia de Deus, que sempre valorizou o estudo da Palavra de Deus, a oração e a evangelização? É necessário mesmo que sejam adotadas práticas místicas para o recebimento das bênçãos do Senhor? A adoração pura e simples, o louvor e a intercessão perderam a eficácia? E a pregação expositiva ungida, não funciona mais? É preciso mesmo que empreguemos no culto toda essa parafernália mística do falacioso movimento gedozista?

Certo “pregador” assembleiano — não me pergunte o nome dele — anda dizendo por aí que, ao ter chegado a uma cidade, e percebendo que havia uma nuvem negra sobre ela, resolveu, num “ato profético”, percorrer a cidade inteira de carro, rua por rua, derramando azeite por onde passasse! Já pensou se a moda “pega”, e alguém queira ungir cidades como Nova York, Londres, Rio de Janeiro e São Paulo?! Haja azeite!

Recentemente, fui convidado para ministrar a Palavra em uma Assembleia de Deus — não me pergunte onde —, mas acabei não pregando. Quer saber por quê? Era domingo de eleições, e o pastor resolveu fazer um “ato profético”. Enrolou-se na bandeira do Brasil, “profetizou” vitória sobre a nossa nação, ungiu a bandeira e depois pediu para todos os presentes, um a um, “profetizarem” bênçãos para o Brasil, representado pela bandeira estendida.

Resultado: como o tal ato durou mais de uma hora, não houve exposição da Palavra de Deus nem manifestação do Espírito Santo (1 Co 14.26), e o Diabo, com certeza, ficou muito feliz. Ocorreu também uso indevido da unção, pois à igreja neotestamentária, nesse tempo da Graça, a única unção com óleo (literalmente, falando) que se aplica é a que se ministra no momento da oração pelos enfermos (Mc 6.13; Tg 5.14).

Meu Deus, quanta invencionice no meio do teu povo! Onde vamos parar?! O evangelho de Cristo é simples (2 Co 11.3,4). Temos de orar e jejuar, amar e estudar a Palavra de Deus, bem como sair das quatro paredes, levando a mensagem da cruz ao mundo perdido (1 Co 1.18,22,23; 2.1-5). Digamos “não” aos “atos proféticos”, que só servem para afastar o povo de Deus da Palavra e da simplicidade do evangelho, gerando falsa espiritualidade e pseudo-avivamento.

Ciro Sanches Zibordi


(Fonte: Blog do Ciro)

CRENTE FICA DOENTE

Augustus Nicodemos

Creio em milagres. Creio que Deus cura hoje em resposta às orações de seu povo. Durante meu ministério pastoral, tenho orado por pessoas doentes que ficaram boas. Contudo, apesar de todas as orações, pedidos e súplicas que os crentes fazem a Deus quando ficam doentes, é um fato inegável que muitos continuam doentes e eventualmente, chegam a morrer.

Apesar do ensino popular de que a fé nos cura de todas as enfermidades, uma breve consulta feita à capelania hospitalar de grandes hospitais do nosso país revela que há um número elevado de evangélicos hospitalizados — tradicionais, pentecostais e neopentecostais — sofrendo dos mais diversos tipos de males. A proporção de evangélicos nos hospitais acompanha a proporção de evangélicos no país. As doenças não fazem distinção religiosa.

Para muitos evangélicos, no entanto, os crentes adoecem e não são curados porque lhes falta fé em Deus.

Será que poderemos dizer que todos eles — sem exceção — estão ali porque pecaram contra Deus, ficaram vulneráveis aos demônios e não têm fé suficiente para conseguir a cura?

É nesse ponto que muitos evangélicos que adoeceram, ou que têm parentes e amigos evangélicos que adoeceram, entram numa crise de fé. Muitos, decepcionados com a sua falta de melhora, ou com a morte de outros crentes fiéis, passam a não crer mais em nada e abandonam suas igrejas e o próprio Evangelho. Outros permanecem, mas marcados pela dúvida e incerteza. Todavia, conforme a Bíblia e a história nos ensinam, mesmo homens de fé podem ficar doentes.

Há diversos exemplos na Bíblia de homens de fé que ficaram doentes e até morreram dessas enfermidades. Um deles foi o profeta Eliseu, que padeceu de uma enfermidade que o levou a morte: “Estando Eliseu padecendo da enfermidade de que havia de morrer” (2Re 13.14). Outro, foi Timóteo. Paulo recomendou-lhe um remédio caseiro por causa de problemas estomacais e enfermidades freqüentes: “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades” (1Tm 5.23).

Ao final do seu ministério, Paulo registra a doença de um amigo que ele mesmo não conseguiu curar: “Erasto ficou em Corinto. Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto” (2Tm 4.20).

O próprio Paulo padecia do que chamou de “espinho na carne”. Apesar de suas orações e súplicas, Deus não o atendeu, e o apóstolo continuou a padecer desse mal (2Co 12.7-9). Alguns acham que se tratava da mesma enfermidade da qual Paulo padeceu quanto esteve entre os Gálatas: “a minha enfermidade na carne vos foi uma tentação, contudo, não me revelastes desprezo nem desgosto” (Gl 4.14). Outros acham que era uma doença nos olhos, pois logo em seguida Paulo diz: “dou testemunho de que, se possível fora, teríeis arrancado os próprios olhos para mos dar” (Gl 4.15). Também podemos mencionar Epafrodito, que ficou gravemente doente quando visitou o apóstolo Paulo: “[Epafrodito] estava angustiado porque ouvistes que adoeceu. Com efeito, adoeceu mortalmente; Deus, porém, se compadeceu dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza” (Fp 2.26-27).

fonte: Ultimato

sábado, 18 de abril de 2009

DEZ REGRAS PRÁTICAS DO "AVIVAMENTO GOSPEL"

1.Ficar sempre atento à programação midiática gospel dos meios de comunicação, a fim de não faltar aos shows e congressos de avivamentos “inspirituais” programados em seu Estado. Se possível freqüente essas seções diariamente. Quanto ao estudo da Palavra, basta apenas aquela horinha na escola bíblica dominical.

2.Não quebre a cabeça com estudos bíblicos demasiados longos, principalmente àqueles que exigem uma infinidade de obras para consultar, como livros de História, de Geografia, de Filosofia Cristã, de Teologia e outras “gias”, além de enciclopédias e dicionários. Nas livrarias gospel você já encontra tudo mastigadinho para o seu crescimento espiritual, sem necessidade de forçar a mente. Lá você pode adquirir pacotes de “pague 3 e leve 4”.

3.Se tiver que decidir entre um “show de avivamento” e uma reunião de estudo bíblico, não vacile escolha o primeiro. Afinal, a nossa vida aqui é tão curta, e esse negócio de estudo pode prejudicar a saúde mental, principalmente daqueles que já ultrapassaram os 45 anos.. Veja e compare: aqueles que saem dos retetés de avivamento apresentam-se alegres e de faces radiantes, enquanto aqueles que saem do estudo das Escrituras Sagradas apresentam-se cabisbaixos, apáticos e com cenhos franzidos, como se tivessem acabado de assistir a uma sessão de tortura.

4.Nos grandes congressos e festas gospel use ao máximo, o som esfuziante das bandas de forró, axé e frevo. Não deixe a multidão “paradona”. Incentive as palmas, os gritos dos bordões evangeliquês, os pula-pulas, os cai-cai, etc.

5.Se você é o preletor oficial, nunca deixe de suar a camisa, e se possível o paletó. Nunca deixe de imprimir aquele vozeirão dramático e tonitruante. Se a platéia se mostrar fria, exerça os seus dons teatrais, como pulos, cambalhotas, sapateados e lançamentos de bíblias ou lenços, que você tão bem ensaiou.

6.Não deixe de comprar em nossas livrarias, os famosos livros de marketing sobre pregações para multidões, como os recentemente publicados: “Como Inflamar as Multidões” ─ de Flamarion Nazareno; e o best-seller: "Cem Conselhos para Incendiar as Igrejas"─ de Pinto Sette e Caio Botafogo.

7.Os organizadores dos shows de avivamento gospel, não podem em hipótese alguma, reservar muito tempo para a exposição da Palavra de Deus. Os sermões longos causam enfado e deixam as multidões sonolentas.

8. É patente e notório que, se você quiser ganhar um maior número de almas para seu rebanho, deverá pregar mais sobre Apocalipse, enfatizando com cores fortes, o terror do fim do mundo e do inferno. As pessoas temem muito o castigo final, e consequentemente, vão procurar ligeirinho, uma igreja para se congregar.

9. Não esqueça o que preconiza o marketing da “Hora do Apelo”. O mesmo deve ser executado com muito esmero. Intensa e solene dramatização, ao som de “corinhos” e de uma suave e crescente pressão dos auxiliares junto ao assustado pecador, para que “livremente”, ele se dirija ao púlpito, a fim de ser contabilizado para a honra e glória do pregador.

10.Após o término dos shows, todos deverão procurar as nossas barracas de cds, vídeos, camisetas, revistas, sandálias, toalhas, pratos, chaveiros, bolsas e bonés com versículos bíblicos e emblemas judaico-cristãos, a fim de adquirir um ou mais objetos para se guardar como recordação. OBSERVAÇÃO: levem sempre algum dinheiro na carteira, pois não aceitamos cheques ou cartões de crédito.



Por: Levi B. Santos
Guarabira,06 de março de 2009
fonte: http://levibronze.blogspot.com/2009/03/dez-regras-praticas-do-avivamento.html

USOS E COSTUMES ASSEMBLEIANOS: "CURIOSIDADES"


Em seu livro "A Igreja, o país e o mundo: desafios a uma fé engajada", o Bispo Anglicano Robson Cavalcanti, ao falar sobre questões culturais, e de forma mais específica, sobre a maneira das mulheres "Assembleianas" se vestirem, nos diz o seguinte:



"Por que as mulheres da Assembleia de Deus no Brasil se vestem assim, quando em outros países do mundo, até mesmo da América Latina, não o fazem? É um costume da Assembleia de Deus no Brasil. Aí, você vai descobrir que essa denominação não começa no sul, mas no norte e no Nordeste, na zona rural. Converteram-se pessoas que vinha da Igreja Católica, da religião popular. E quem viveu no interior do Nordeste, nos anos de 40-60, percebe que a beata católica tinha como características não se pintar, usar cabelos longos presos e roupas longas. Tal costume, então, dessa denominação é, na verdade, uma absorção da cultura católica popular, que depois se tornou doutrina." (CAVALCANTI, p. 145, 2000)



Penso que a questão não se limita apenas ao que foi colocado acima, mas também, ao processo de "conversão à cultura dos missionários".

No ano de 1946, o missionário sueco Otto Nelson (1891-1982), então presidente da Assembléia de Deus em São Cristovão, Rio de Janeiro, em sessão ordinária, deliberou o seguinte:

"1) Não será permitido a nenhuma irmã membro desta igreja raspar sobrancelhas, cabelo solto, cortado, tingido, permanente ou outras extravagâncias de penteado, conforme usa o mundo, mas que se penteiem simplesmente como convém às que professam a Cristo como Salvador e Rei.

2) Os vestidos devem ser suficientemente compridos para cobrir o corpo com todo pudor e modéstia, sem decotes exagerados e as mangas devem ser compridas.

3) Se recomenda às irmãs que usem meias, especialmente as esposas dos pastores, anciãos, diáconos, professoras de Escola dominical, e dos que cantam no coro ou tocam.

4) Esta resolução regerá também toda as congregações desta igreja.

5) As irmãs que não obedecerem ao que acima foi exposto serão desligadas da comunhão por um período de três meses. Terminando o prazo, e não havendo obedecido à resolução da igreja, serão cortadas definitivamente por pecado de rebelião.

6) Nenhuma irmã será aceita em comunhão se não obedecer a estas regras de boa moral, separação do mundo e um vida santa com Jesus. Estamos certos de que todas as irmãs que amam ao Senhor Jesus cumprirão, com gozo, o que foi resolvido pela igreja.

O Ministério"


(Fonte: Daniel, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. p. 219)

A resolução acima foi publicada no Mensageiro da Paz, gerando uma polêmica que culminou numa retratação, publicada na edição da 2ª quinzena de janeiro de 1947 do já citado jornal:


"AVISO

O Ministério da Assembléia de Deus no Rio de Janeiro deseja fazer público que, de acordo com a igreja, retira as regras publicadas no Mensageiro da Paz da 1ª quinzena de julho, estabelecidas para as irmãs membros da igreja, pois sem elas as irmãs obedecem a Palavra de Deus (grifo nosso).

O Ministério"

(Fonte: idem, p. 222)


O missionário Otto Nelson (foto) trabalhou também nos Estados de Alagoas (1915-1930) e Bahia (1930-1936). "Por outro lado, apesar de as resoluções de São Cristovão terem sido atribuídas ao presbitério da igreja, sabe-se que Gunnar Vingren e Otto Nelson foram os missionários suecos mais rígidos em termos de vestimentas" (Ibdem, p. 220)


Diante de todas as questões que envolvem usos e costumes, a imposição de regras nos termos aqui expostos, não é o melhor caminho. Prefiro a promoção de uma tomada de consciência quanto ao bom senso e ao pudor, fundamentados nos princípios espirituais, éticos e morais da Santa Palavra de Deus.

fonte: http://www.altairgermano.com/2009/04/usos-e-costumes-assembleianos.html

quinta-feira, 16 de abril de 2009

PORQUE EU ODEIO A RELIGIÃO!!!


Texto de meu Brother Bruno, um estudioso da Palavra e agora pelo visto está se tornando um Pensador, espero e torço para que não o podem, como é usual acontecer, pois o considero uma mente brilhante!!!

Diante da realidade que vivemos hoje, digo concernente à religião, senti a nescessidade de postar algo de minha autoria em meu blog no que diz respeito ao contexto religioso no qual muitos de nós estamos inseridos. Quem vive próximo a mim, pode afirmar com clareza qual é minha posição diante de algumas atitudes que tem sido tomadas por entidades ditas representantes de Cristo ne terra, mas de fato se formos prová-las pelas Escrituras, veremos que tais atitudes são respaldadas unicamente pelas rasuras existentes dentro do coração corrompido do homem que diz ser seguidor de Jesus! A principio antes de explicar porque eu odeio a religião quero me esconder atrás da Cruz de Cristo, afirmando que o nosso mestre também a odiou!! Afinal qual de nós nunca ficou estupefato com as palavras de Jesus aos Religiosos de sua época chamando-os de hipócritas, sepulcros caiados e Serpentes. E o que dizer de seu precurssor João Batista?....como veementemente "ofendeu-os" chamando-os de raça de víboras, pois acreditavam que sua religiosidade os faria escapar da condenação eterna!(qualquer semelhança com sua igreja é mera coincidência!!)Portanto a Religião esta se tornando uma das instituiçoes que mais afasta o homem de Deus!!....acredite você ou não.
A palavra religião vem do latim religare que por inferência quer dizer que a mesma é quem religa o homem a Deus, mas biblicamente sabemos que o unico mediador entre Deus o os homens é Cristo verdadeiro o homem, verdadeiro Deus!...o resto pode até suplantar, mas na verdade acaba separando o homem de seu Criador!

Pois bem, apartir de agora colocarei aqui minhas motivações que me fazem odiar o sistema religioso atual...e por favor...nao se escandalize, pois se isso acontece com você é porque é um deles também!!

- o primeiro motivo pelo qual odeio a religião (acredito ser esse o que mais me deixa irado!!!) está no fato de a mesma anular a graça de Deus. Quando digo anular não estou dizendo que a graça de Deus se torna ineficaz no sistema religioso, mas que é isso que é pregado pelos defensores da religião, pois se fala de uma teologia totalmente subsidiada pelas obras. Ora, não foi isso que Cristo repudiou contudentemente em seu ministério terreno? A religião ensina que somente os que praticam certas obras herdarão o reino dos céus, e o interessante disso é que os religiosos pregam essa teologia mas eles mesmos não cumprem seus mandamentos, pelo menos foi isso que Jesus disse! Fecham a porta dos céus na cara dos eleitos, fazem prosélitos e os tornam duas vezes mais filhos do inferno do que eles mesmos! Todos nós sabemos que Cristo não veio para esses ditos "sãos" mas justamente para os fracos e doentes, aqueles que reconhecem sua incapacidade de se salvar, e de cumprir a risca os mandamentos, digo os divinos! Se voce leitor tem sido vilipendiado por lideres ou até mesmo membros leigos, religiosos, e sente-se o menor dos homens da terra, saiba de uma coisa, Cristo te ama e não é a pratica de certas ordenanças, como usos de certas roupas, o seu dizimo, a sua presença em certas reuniões, ou obediência incondicional aos lideres que o fará agradar a Cristo, mas sim sua fé e dependência de segurança no Senhor. Enquanto a Religião ensina que para se salvar é nescessário certas obras, a graça ensina que as obras não existem para nos salvar, mas por sermos salvos praticamos boas obras...estou falando de boas obras e não mandamentos humanos sem fundamento biblico algum!

- O segundo motivo pelo qual odeio a religião esta no fato de a mesma ser altamente exclusivista, ou seja, ela existe para definir padrões para o homem, e se alguem por fraqueza nao conseguir cumprir tais mandamentos, pode considerar-se "fora", "disciplinado", "excluido" etc, etc e tal.....dizem que pedoam, mas após o perdão ainda é nescessário ficar um tempo fora....na verdade (entendam como ironia por favor!) foi bem isso que Jesus fez!....perdoava e depois discplinava!( eita palhaçada!!!)

- O terceiro motivo é que a religião existe para os sãos, diferente da graça que se manifestou em Cristo para os "doentes". Cansei-me de ouvir pastores chamar determinadas ovelhas de seu pasto (isso com um sentido exacerbadamente pejorativo)de "doentes", tais lideres se esquecem que foi justamente para os tais que Cristo se revelou, para os doentes! Alguns lideres se acham no direito de definir quem sãos as ovelhas e quem são os "bodes", acham que de uma forma misteriosa podem detectar quem é o trigo e quem é o joio, e ainda que saibam, os tais se esquecem que Jesus disse que o joio nao deve ser tocado, para que juntamente com ele o trigo nao seja também destruido, esse papel de mandar pessoas embora, nunca pertenceu a nós meros pecadores, porque todos estamos no mesmo nivel diante do Criador, tu que dizes que nao peca poderia afirmar o mesmo diante de Cristo?....somos todos fracos em carne e todos dependentes da graça...e governar sobre os sãos é facil, quero ver governar sobre os fracos e doentes..pois foi para esses que Jesus veio!

- Quarto!!(nao fique bravo comigo por favor...afinal este é meu pulpito!)Odeio a religião porque ela subsiste de atitudes externas e nao internas, subsistem entre eles aqueles que são mais hipócritas, que aparentam nunca errar, pois para condenar como condenam, para disciplinar como disciplinam acredito que nao devem cometer erros, pois nunca pedem perdão!! Os lideres mensuram os mais espirituais e os mais fiéis com os critérios mais absurdos e antibiblicos que possam existir, tais são eles: dizimo, presença em cultos, estilo de roupa (ternos, gravatas, saias etc..)obediência incondicional ao ministério, dons espirituais e as vezes até condição finenceira!!....sabemos que o homem pode ir para o inferno com todos esse critérios supra citados!....Logo os mais "crentes" são os que diante dos olhos do pastor aparentam ser mais espirituais! Não dando trabalho pro pastor, e tendo cara de Crente, já ta bom!...nao importa se nasceu de novo ou não!

- Quinto motivo...odeio a religião porque ela não pemite que seus seguidores tenham nehum tipo de opinião contraria aos principios estabelecidos, não podem ser questionados (parecem que tem medo de algo..que será?) se alguem questionar é o "rebelde da história". O que me deixa irritado é que muitas dessas instituiçoes religiosas são seguidoras (ou pelo menos dizem ser) do grande reformador Lutero...ei amigos!....somos protestantes ou não?..uns se dizem protestantes, mas se protestarem tem sua cabeça cortada! Falamos tanto da igreja Católica, mas a unica diferença entre nós e eles tem sido os Santos..ja percebeu?....pois também temos os santos sacerdotes e o santo ministério..que não podem ser questionados (alguém ai já ouviu falar da infalibilidade do papa?...pois bem qualquer semelhança é mera coincidência)

Bom acho melhor eu parar por aqui..se não os religiosos vão ficar bravos comigo e vão me excluir..mas esse são alguns dentre os vários motivos pelo qual eu odeio a religião e amo unicamente a Cristo meu salvador.....e por favor...se sinta seguro em Cristo mesmo que tenha falhado em cumprir mandamentos humanos, pois você é salvo pela fé e não por obras (por favor religioso hipócrita nao fica bravo comigo tá?)e muito menos por cumprir mandamentos humanos falíveis.

Soli Deo Gloria

Bruno Domingues

Obstáculos para Vir a Cristo

por Arthur W. Pink



“Ninguém pode vir a mim” (João 6.44).



Ohomem natural é incapaz de “vir a Cristo”. Citemos João 6:44, “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer.” A razão pela qual “duro é esse discurso”, até mesmo para milhares que professam ser cristãos, é que eles fracassam completamente em compreender o terrível estrago que a queda provocou; e, o que é pior, eles mesmos não se dão contam da “chaga” que existe nos seus próprios corações (1 Rs. 8:38). Certamente se o Espírito já os tivesse despertado do sono da morte espiritual, e lhes dado ver alguma coisa do pavoroso estado em que estão por natureza, e feito sentir que suas “mentes carnais” são “inimizade contra Deus” (Rm. 8:7), então eles não mais discordariam dessa solene palavra de Cristo. Mas aquele que está espiritualmente morto não pode ver nem sentir espiritualmente.

Onde reside a total incapacidade do homem natural? Ela não está na falta das faculdades necessárias. Isso tem de ser bastante enfatizado, do contrário o homem caído deixaria de ser uma criatura responsável. Mesmo que os efeitos da queda tenham sido terríveis, eles não privaram o homem de nenhuma das faculdades que Deus originalmente lhe concedeu. É verdade que o pecado tirou do homem a capacidade de utilizar essas faculdades corretamente, ou seja, empregá-las para a glória do Criador. Entretanto, o homem caído possui ainda a mesma natureza, corpo, alma e espírito, que tinha antes da Queda. Nenhuma parte do ser do homem foi aniquilada, ainda que cada uma tenha sido contaminada e corrompida pelo pecado. De fato, o homem morreu espiritualmente, mas a morte não é a extinção do ser (aniquilação) - morte espiritual é a alienação de Deus (Ef. 4:18). Aquele que é espiritualmente morto está bem vivo e ativo no serviço de Satanás.

A incapacidade do homem caído (não regenerado) de vir a Cristo não reside em nenhum defeito físico ou mental. Ele tem o mesmo pé para levá-lo tanto a um local onde o Evangelho é pregado, como para caminhar até um bar. Ele possui os mesmos olhos que podem lhe servir para ler tanto as Escrituras Sagradas como os jornais. Ele tem os mesmos lábios e voz para clamar a Deus os quais usa agora em conversas fiadas e em canções ridículas. Assim, também, possui as mesmas faculdades mentais para ponderar sobre as coisas de Deus e sobre a eternidade, as quais ele utiliza tão diligentemente nos seus negócios. É por causa disso que o homem é “indesculpável”. É o mau uso das faculdades que o Criador lhe concedeu que aumenta a sua culpa. Que cada servo de Deus veja que essas coisas pesam constantemente sobre os seus ouvintes não convertidos.

1) A incapacidade do homem está na sua natureza corrompida.

Nós temos de ir bem mais a fundo se quisermos encontrar a fonte da incapacidade do homem. Devido à queda de Adão, e por causa do nosso próprio pecado, a nossa natureza se tornou tão corrompida e depravada que é impossível para qualquer homem “vir a Cristo”, amá-lO e serví-lO, estimá-lO mais que tudo neste mundo e submeter-se a Ele, até que o Espírito de Deus o regenere e implante nele uma nova natureza. A fonte amarga não pode jorrar água doce, nem a árvore má produzir bons frutos. Deixe-me tentar explicar isso melhor através de uma ilustração. É da natureza de um abutre alimentar-se de carniça; no entanto, ele tem os mesmos órgãos e membros que lhe permitiriam comer grãos, como fazem as galinhas, mas ele não possui nem a disposição nem o apetite para tal alimento. É da natureza da porca o chafurdar na lama; e apesar dela possuir pernas como a ovelha para levá-la à campina, lhe falta entretanto o desejo por pastos verdejantes. Assim acontece com o homem não-regenerado. Ele tem as mesmas faculdades físicas e mentais que o homem regenerado possui para empregar no serviço e nas coisas de Deus, mas não tem amor por elas.

“Adão… gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem” (Gn. 5:3). Que terrível contraste há aqui com o que lemos dois versículos antes: “… Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez”. No intervalo entre esses dois versos, o homem caiu, e um pai caído pode gerar somente um filho caído, transmitindo-lhe a sua própria depravação. “Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? (Jó 14:4). Por isso nós encontramos o salmista de Israel declarando, “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl. 51:5). No entanto, apesar de por natureza Davi ser um monte de iniquidade e pecado (como também somos nós), mas tarde a graça fez dele o homem segundo o coração de Deus. Desde que idade essa corrupção da natureza aparece nas crianças? “Até a criança se dá a conhecer pelas suas obras” (Pv. 20:11). A corrupção do seu coração logo se manifesta: orgulho, vontade própria, vaidade, mentira, aversão ao que é bom, são frutos amargos que cedo brotam no novo, mas corrupto, ramo.

2) A incapacidade do homem está na completa escuridão em que se encontra o seu intelecto.

Essa importante faculdade da alma foi destituída da sua glória original, e coberta de confusão. Tanto a mente como a consciência estão corrompidas: “Não há quem entenda”(Rm. 3:11). O apóstolo solenemente lembra os santos, “Pois outrora éreis trevas” (Ef. 5:8), não somente estavam “em trevas”, mas eram as própria “trevas”. O pecado fechou as janelas da alma e a escuridão se estende por todo o lugar: ela é a região das trevas e da sombra da morte, onde a luz é como a escuridão. Lá reina o príncipe das trevas, onde não se pratica nada além das obras das trevas. Nós nascemos espiritualmente cegos, e não podemos ter essa visão restaurada sem um milagre da graça. Esse é o seu caso quem quer que você seja, se ainda não nasceu de novo” (Thomas Boston, 1680). “São filhos sábios para o mal, e não sabem fazer o bem” (Jr. 4:22).

“O pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar”(Rm. 8:7). Existe no homem não regenerado uma oposição e aversão pelas coisas espirituais. Deus revelou a Sua vontade aos pecadores no tocante ao caminho da salvação, contudo eles não trilharão esse caminho. Eles sabem que somente Cristo é capaz de salvá-los, no entanto eles recusam se separar das coisas que obstruem o seu caminho até a Ele. Eles ouvem que é o pecado que mata a alma, no entanto o afagam em seu peito. Eles não dão ouvidos às ameaças de Deus. Os homens acreditam que o fogo há de consumir-lhes, e estão em grande tormento para evitá-lo; contudo, mostram com suas ações que consideram as chamas eternas como se fossem um mero espantalho. O mandamento divino é “santo, justo e bom”, mas o homem o odeia, e só o observa enquanto a sua respeitabilidade é promovida entre os homens.

3) A incapacidade do homem está na corrupção dos seus sentimentos.

“O homem, no estado em que se encontra, antes de receber a graça de Deus, ama tudo e qualquer coisa que não seja espiritual. Se você quiser uma prova disso, olhe ao seu redor. Não há necessidade de nenhum monumento à depravação dos sentimentos humanos. Olhe por toda parte. Não há uma rua, uma casa, e não somente isso, nenhum coração, que não possua uma triste evidência dessa terrível verdade. Por que no Dia do Senhor o homem não é encontrado congregando-se na casa de Deus? Por que não nos achamos mais freqüentemente lendo nossas Bíblias? O que acontece para a oração ser um dever quase que totalmente negligenciado? Por que Jesus Cristo é tão pouco amado? Por que até mesmo os seus seguidores professos são tão frios em seus sentimentos para com Ele? De onde procedem essas coisas? Seguramente, caros irmãos, nós não podemos creditá-las a outra fonte que não a corrupção e a perversão dos sentimentos. Nós amamos o que deveríamos odiar, e odiamos o que deveríamos amar. Não é outra coisa senão a natureza humana caída que nos faz amar esta vida mais do que a vida por vir. É um efeito da Queda o fato do homem amar o pecado mais que a justiça, e os caminhos do mundo mais que os caminhos de Deus”. (Sermão de C.H. Spurgeon em Jo. 6:44).

Os sentimentos do homem não regenerado são totalmente depravados e desordenados. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto” (Jr. 17:9). O Senhor Jesus afirmou solenemente que os sentimentos do homem caído (não regenerado) são a fonte de toda abominação: “Porque de dentro do coração do homem, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, a malícia, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Mc. 7:21,22). Os sentimentos do homem natural estão miseravelmente deformados, ele é um monstro espiritual. O seu coração se encontra onde deveriam estar os seus pés, seguro ao chão; seus calcanhares estão levantados contra os Céus, para onde deveria estar posto o seu coração (At. 9:5). Sua face está voltada para o inferno; por isso Deus o chama para converter-se. Ele se alegra com o que deveria entristecê-lo, e se entristece com o que deveria alegrá-lo; se gloria com a vergonha, e se envergonha da sua glória; abomina o que deveria desejar, e deseja o que deveria abominar (Pv. 2:13-15) (extraído do Boston’s Fourfold State).

4) Sua incapacidade está na total perversão da sua vontade.

“O homem pode ser salvo se ele quiser”, diz o arminiano. Nós lhe respondemos, “Meu caro senhor, nós todos cremos nisso; mas essa é que é a dificuldade - se ele quiser.” Nós afirmamos que nenhum homem deseja vir a Cristo por sua própria vontade; não, não somos nós que o dizemos, mas Cristo mesmo declara: “Contudo não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo. 5:40); e enquanto esse “não quereis vir” estiver registrado nas Escrituras nós não podemos ser levados a crer em nenhuma doutrina do livre arbítrio. “É estranho como as pessoas, quando falam sobre livre arbítrio, falam de coisas das quais nada compreendem. Um diz “Ora, eu creio que o homem pode ser salvo ser ele quiser”. Mas essa não é toda a questão. O problema é: é o homem naturalmente disposto a se submeter aos termos do Evangelho de Cristo? Afirmamos, com autoridade bíblica, que a vontade humana é tão desesperadamente dada ao engano, tão depravada, e tão inclinada para tudo que é mau, e tão avessa a tudo aquilo que é bom, que sem a poderosa, sobrenatural e irresistível influência do Espírito Santo, nenhum homem nunca será constrangido a buscar a Cristo.” (C.H. Spurgeon).

“Há uma corda de três pontas contra o céu e a santidade, que não é fácil de ser rompida; um homem cego, uma vontade pervertida, e um sentimento desordenado. A mente, inchada pela vaidade, diz que o homem não deve se humilhar; a vontade, inimiga da vontade de Deus, diz: ele não quer; as emoções corrompidas levantando-se contra o Senhor, em defesa da vontade corrompida diz: ele não irá. Assim a pobre criatura permanece irredutível contra Deus, até o dia do Seu poder, quando é feito nova criatura” (Thomas Boston).

Pode ser que alguns leitores sejam inclinados a dizer: “ensinamentos como estes desencorajam pecadores e os levam ao desespero”. Nossa resposta é: Primeiro, eles estão de acordo com a Palavra de Deus! Segundo, esperamos que Ele se agrade em usar essas verdades para levar alguns a desesperarem-se de qualquer ajuda que possam encontrar neles mesmos. Terceiro, esse ensino manifesta a absoluta necessidade da obra do Espírito Santo nessas criaturas depravadas e espiritualmente impotentes, se algum dia vierem salvificamente a Cristo. Então, até que isso seja claramente entendido, o Seu auxílio nunca será realmente buscado.

DEUS USA VASOS QUEBRADOS


Nancy Leigh DeMoss


Um dos temas recorrentes das Escrituras é o de que Deus usa pessoas e coisas “quebradas”. Essa é a maneira de ele agir. A reviravolta na vida de Jacó ocorreu numa luta no meio da noite às margens do rio Jaboque (Gn 32). Anos antes, Deus havia prometido abençoar aquele patriarca, mas até então ele nunca fora capaz de desfrutar aquela bênção, porque tentava controlar a própria vida.

Agora, no Jaboque, Jacó chegou a uma situação em que não tinha mais controle. Na manhã seguinte, tinha de se encontrar com seu irmão, que vinha até ele com um exército. Jacó, o suplantador, estava encurralado e aterrorizado. Deus havia despertado sua atenção. Naquela noite o Senhor, na forma de anjo, se encontrou com Jacó. E os dois empreenderam um combate corpo a corpo, enquanto Jacó se esforçava para alcançar a bênção que já lhe pertencia.

A verdadeira vitória aconteceu quando Jacó foi subjugado pelo anjo, e este lhe perguntou seu nome. Naquele momento, imagino que ele se lembrou do dia, anos antes, em que tinha tentado arrancar a bênção de seu pai cego e idoso. Isaque lhe perguntou: “Quem és tu, meu filho?” (Gn 27.18.) Ele o enganou afirmando ser Esaú. O orgulho no coração de Jacó o levou a fingir ser outra pessoa.

Dessa vez, Jacó encontrou alguém à altura. Agora não tinha mais controle das circunstâncias, ficou à mercê de um Ser infinitamente mais forte, e por fim falou a verdade a respeito de quem era:

“Qual o seu nome?”

“Jacó.”

Sem fingimentos, sem tentar causar boa impressão, sem explicações, sem justificativas. Jacó proclamou a pura verdade: “Jacó – o astuto, enganador, manipulador, vigarista. Este sou eu”. Ao aceitar a derrota, Jacó alcançou a vitória definitiva. Daquele momento em diante, tornou-se um novo homem. Tendo Jacó sido quebrantado, Deus pôde revesti-lo com poder. Assim que admitiu a verdade a respeito de quem era, o Senhor lhe deu um novo nome – Israel, que significa “príncipe com Deus” – que representava seu caráter restaurado. Agora ele poderia ser usado.

Como Jacó, Moisés também conheceu o poder do quebrantamento. Após quarenta anos no palácio, fazendo parte da corte de Faraó, foram necessários mais quarenta anos no deserto para que fosse destituído de todas as suas vantagens naturais – habilidades, contatos, posição e reputação. Moisés perdeu tudo. Todavia, voltou da sarça ardente um homem quebrantado, pronto para ser usado por Deus.

Quando os filhos de Israel chegaram ao pé do monte Horebe e não encontraram água potável, Moisés teve outra lição sobre quebrantamento (Êx 17). “Bata na rocha”, disse Deus, “e a água irá brotar”. Todos sabemos que não é possível tirar água de uma pedra. Mesmo assim, em obediência, Moisés feriu a rocha – um símbolo de Cristo sendo açoitado e moído por nós – e a água fluiu para matar a sede de dois milhões de israelitas.

E houve também o líder militar – Gideão – que não tinha qualificação para o cargo. Em número muito menor do que os soldados do exército dos midianitas, o destacamento remanescente de Gideão não tinha nenhuma chance de sobreviver; muito menos de vencer. E como ocorre muitas vezes, o quebrantamento estava nos planos de batalha de Deus. “Divida o exército até sobrarem tão poucos que pareça ridículo tentar lutar. Quebre os jarros para que a luz das tochas brilhe.” Do quebrantamento surge luz, e por ela o inimigo é lançado em confusão e obtém-se a vitória. No fim, todos sabem quem venceu a batalha.

Obviamente nosso maior exemplo é o Senhor Jesus. Quando seu corpo foi moído no Calvário, a vida eterna foi liberada para a salvação do mundo. Você deseja ter uma vida frutuosa? Quer ter a fragrância de Cristo? Deseja exalar o poder de Deus fluindo em sua vida? Quer ser usado como instrumento nas mãos do Senhor? Siga o Salvador até a cruz. Sua morte e ressurreição são um testemunho eterno de que o quebrantamento produz frutos em abundância.

É verdade, Deus usa coisas e pessoas “quebradas”. Em certo sentido, o avivamento é simplesmente o Espírito de Deus fluindo através de vidas quebrantadas. Os registros históricos de avivamentos demonstram isso.

*Este artigo foi extraído do lançamento da Editora Betânia: Quebrantar-se Completamente Diante de Deus, primeiro livro da série Avivamento para o coração.


Via Revista Mensagem da Cruz

QUEM SALVA???

Max Lucado

“O homem é justificado pela fé, independente da obediência à Lei.” (Romanos 3:28)


Se somos salvos pelas boas obras, não precisamos de Deus – lembretes semanais de faça e não faça nos levarão para o céu. Se somos salvos pelo sofrimento, certamente não precisamos de Deus. Tudo o que precisamos é de um chicote e uma corrente e o evangelho da culpa. Se somos salvos pela doutrina, então, pelo amor de Deus, vamos estudar! Nós não precisamos de Deus, nós precisamos de um dicionário.

Mas tenha cuidado, estudante. Porque se somos salvos por ter a doutrina exata, então um erro seria fatal. Isso vale para aqueles que acreditam que somos justificados através de obras. Espero que a tentação nunca seja maior do que a resistência. Se for, uma caída poderia ser um mau agouro. E aqueles que pensam que somos salvos pelo sofrimento, também tomem cuidado, porque vocês nunca sabem quanto sofrimento é necessário.

Levou décadas para Paulo descobrir o que ele escreveu em apenas uma frase: “O homem é justificado pela fé”. Não por obras, sofrimento ou estudo.

Da "mediunidade" protestante


Robinson Cavalcanti

Quando tive a honra de ser professor do Seminário Presbiteriano do Norte (SPN), no Recife, conheci um aluno que nos dias de semana passava a tarde dormindo ou jogando futebol na quadra, enquanto deveria pregar nas congregações. O mesmo era conhecido por se pretender “espiritual” e “renovado”. Intrigados, procuramos saber se ele não estudava as Escrituras e preparava os sermões com antecedência. O mesmo considerou tal expediente muito “carnal”. Ao dormir a tarde toda ou jogar bola, ele acreditava deixar a mente limpa para o Espírito Santo “baixar” com seu recado, de forma pura e cristalina, logo mais à noite...

Devemos reconhecer a força cultural do espiritismo e dos cultos de origem afro-ameríndia, e como eles influenciaram a percepção de espiritualidade de algumas igrejas protestantes. O Espírito Santo e os anjos funcionam como espécies de “orixás evangélicos”, “baixando” sobre pastores e missionários, qual “médium protestante”. Isso sem falar em “profetas”, principalmente “profetizas”, com suas revelações particulares sobre saúde, família e negócio, tomando o lugar simbólico das benzedeiras do catolicismo popular, das cartomantes e dos pais e mães-de-santo. Há uma forte equivalência simbólica.

Nos cultos, ou se tem os “médiuns” ou se tem os “artistas”, que lideram o show-da-fé, no centro do palco e das atenções, promovendo o entretenimento.

C.S. Lewis denunciava as gerações que desprezam as outras do passado, supervalorizando o presente (presentismo). Isso não somente atenta contra a herança apostólica e o consenso dos fiéis, vivenciado através dos séculos, como também pretende ser melhor: restauradores da “pureza” e outras formas de arrogância espiritual, que rompem a unidade mística da “comunhão dos santos” (conforme confessamos nos Credos).

John Stott diz que o que faz uma liturgia viva ou morta, seja ela mais ou menos estruturada (não há liturgia informal, pois o “informal” é, apenas, uma outra forma), é o fato de os fiéis serem convertidos ou não e acreditarem ou não no que se pronuncia. A entonação, os sentimentos, a fé fazem a diferença. Foi o mesmo Stott quem disse que “um anglicano carismático não é um pentecostal”.

Somos carismáticos porque acreditamos que não há igreja sem o Espírito Santo, e não há presença do Espírito Santos sem carismas. Se Hans Kung disse que uma das marcas do anglicanismo era a sua aversão a extremismos, alguém também afirmou que “na Igreja Anglicana o Espírito Santo sopra como um gentil cavalheiro”.

Somos uma igreja que preza dois mil anos de herança litúrgica da igreja, católica e reformada. Herança que é o conjunto do que foi, nas diversas etapas e lugares, fruto da ação do Espírito Santo nas comunidades de fé. Daí o Livro de Oração Comum -- Bíblia pura, ortodoxia pura -- ser uma das marcas distintivas do anglicanismo. Os seus diversos ritos não engessam os crentes, antes os edificam, e podem ser intercalados com orações espontâneas, cantos, declamações, teatro, testemunho, em uma convergência com um presente que não rompe com o passado. Uma das maiores contribuições que a Diocese do Recife está fazendo para a maturidade da igreja no Brasil é a edição (ora no prelo) do Livro de Oração Comum Brasileiro (LOCb).

Há quem goste de culto batista tradicional, e nós os respeitamos. Quem gosta desse tipo de culto é livre para adorar em uma Igreja Batista. Há quem gosta de culto pentecostal “clássico”, e nós os respeitamos. Quem gosta desse tipo de culto é livre para ir, por exemplo, e adorar na Assembléia de Deus. Há quem goste do culto neo (pós) pentecostal, com apóstolos, banhos de descarrego, retirada de encostos e três recolhimentos de ofertas, e nós os respeitamos. Quem gosta desse tipo de culto é livre para ir à Igreja universal, Internacional ou Mundial. Agora, pelo amor de Deus, deixem o anglicanismo em paz, com sua liberdade litúrgica, com sua diversidade, sim, porém “com ordem e decência”, com a alegria do Espírito Santo e o LOCb na mão. E isso não é “anúncio de missa de sétimo dia” para se adotar como “um doloroso dever”, mas uma adesão livre, convicta e entusiástica.

Somos uma igreja sem mediunidade, sem estrelismo e sem “showbiz”, graças a Deus!


• Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política -- teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo -- desafios a uma fé engajada.
www.dar.org.br

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Decepcionados com Deus por causa da igreja

Por Davi Lago
Muitos se decepcionam com Deus porque se decepcionam com a igreja. São pessoas que sofrem alguma decepção com a igreja e colocam a culpa em Deus. Existem entre 30 e 35 milhões de evangélicos no Brasil hoje. Mas as mesmas pesquisas revelam que há um número parecido de pessoas que já passaram alguma vez pela igreja, e a abandonaram. É inegável que há uma grande porta aberta nos fundos das igrejas evangélicas brasileiras.
Muitos estão decepcionados com os efeitos da teologia da prosperidade. São frases famosas em nossos dias: “templo é dinheiro”; “pequenas igrejas, grandes negócios”; “se Jesus é o caminho, Edir Macedo é o pedágio”. Devido aos inúmeros escândalos de corrupção de pastores evangélicos, muitos se decepcionaram com Deus.
Outros estão cansados da hipocrisia dos cristãos. Gandhi já dizia: “Eu seria cristão sem nenhuma dúvida, se os cristãos o fossem 24 horas por dia”. Li uma definição de cristão: “aquele que se arrepende domingo pelo que fez sábado e pelo que vai fazer na segunda-feira”. A hipocrisia e falta de santidade de vários crentes, tem levado muitas pessoas a decepcionar-se com Deus.
A falta de poder espiritual é outro problema sério. As pessoas vão às igrejas em busca de renovação espiritual através do Espírito Santo, e só encontram palavras de auto-ajuda. Falta unção nos cultos. Essa foi a decepção do pai do menino lunático citado em Mateus 17. Aquele homem pediu para os discípulos de Jesus que orassem e expulsassem o demônio que atormentava seu filho, mas eles não conseguiram fazê-lo.
As atrocidades cometidas pela igreja também levam muitos a abandonarem Deus. Matanças nas Idade Média, assassinatos e intolerância em nome de Deus. Ainda existem várias outras coisas que podem decepcionar alguém com a igreja: ser maltratado pelo pastor; ouvir sermões sem conteúdo; participar de cultos sem vida e alegria.
O fato é que muitas pessoas hoje, pensam que “quanto mais perto da igreja, mais longe de Deus”.

fonte:http://xequemategelado.blogspot.com/2008/05/decepcionados-com-deus-por-causa-da.html

sábado, 11 de abril de 2009

ABUSO ESPIRITUAL - praticado por alguns mal instruídos ou não vocacionados para o ministério e sim ASSOVIADOS ou por mera conveniência e favor!!!

Adaptado do artigo por David Henke


Organização Estrutural: O abuso espiritual pode ocorrer em qualquer organização estrutural, mas as estruturas mais autoritárias são ainda mais suscetíveis ao abuso espiritual sistemático.

Definição: Abuso espiritual é o uso impróprio de qualquer posição de poder, liderança, ou influência para satisfazer os desejos egoístas de um líder religioso.
Às vezes o abuso se origina em posições doutrinárias. Às vezes ele ocorre porque os interesses pessoais de um líder, ainda que legítimos, sejam satisfeitos de maneira ilegítima. Sistemas religiosos espiritualmente abusivos são comumente descritos como legalistas, controladores mentais, religiosamente viciadores, e autoritários.



Características Comuns:

1. Autoritarismo: A característica mais evidente de um sistema religioso abusivo, ou de um líder abusivo, é a ênfase excessiva em sua autoridade. Normalmente o grupo se diz ter sido estabelecido diretamente por Deus, e, portanto, seus líderes se consideram como tendo o direito de comandar seus seguidores.

Tal autoridade, supostamente, é derivada da posição que ocupam. Em Mateus 23:1–2 Jesus disse que “na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus”, uma posição de autoridade espiritual. Ainda que outros termos sejam usados, essa posição, nos grupos abusivos, é de poder, e não de autoridade moral. Àqueles que se submetem incondicionalmente, são prometidas bênçãos espirituais. A eles é dito que devem se submeter completamente, sem o direito de questionar os líderes; se os líderes estiverem errados, isso é problema deles com Deus, e Deus ainda assim abençoará àqueles que se submetem incondicionalmente.

2. Aparência Externa: O sistema religioso abusivo procura sempre manter uma aparência de santidade. A história do grupo ou organização quase sempre é distorcida para se dar a impressão de que ela tem um relacionamento especial com Deus. Os julgamentos incorretos e as índoles duvidosas de seus líderes são negados ou encobertos para que sua autoridade não seja questionada, e para manter as aparências. Padrões legalistas de pensamento e comportamento, impossíveis de serem mantidos, são impostos aos membros. Seu fracasso em manter tais padrões é usado como constante lembrete de que eles são inferiores aos líderes, e portanto devem se submeter a eles. Religião abusiva é, essencialmente, legalismo.

A religião abusiva também é paranóica. Apenas uma imagem positiva do grupo é apresentada àqueles que não fazem parte dele, porque a verdade sobre o sistema religioso abusivo seria obviamente rejeitada se fosse conhecida. Isso é justificado com base na alegação de que pessoas “mundanas” não entenderiam a religião, e portanto, eles não têm o direito de saber. Isso leva com que membros escondam das pessoas que não são membros algumas doutrinas, regras, e procedimentos internos do grupo. Principalmente os líderes, normalmente, mantêm segredos que não divulgam a suas congregações. Esse sigilo está baseado na desconfiança geral dos outros, porque o sistema é falso e não pode resistir a escrutínios.

3. Proibição de Críticas: O sistema religioso, por não ser baseado na verdade, não pode permitir questionamentos, dissensões, ou discussões aberta sobre questões. A pessoa que questiona se torna o próprio problema, ao invés da questão que ela levantou. As resoluções sobre qualquer questão vêm diretamente do topo da hierarquia. Qualquer tipo de questionamento é considerado como desafio à autoridade. O pensamento autônomo é desencorajado, sob a alegação de que ele leva à dúvida, que por sua vez é vista como sendo falta de fé em Deus e em seus líderes ungidos. Desse modo, os seguidores procuram controlar seus próprios pensamentos, por medo de que possam estar questionando Deus.

4. Perfeccionismo: Todas as bênçãos, nos sistemas abusivos, vêm através da desempenho próprio. O fracasso é seriamente condenado, e portanto a única alternativa é a perfeição. O membro, enquanto crer que esteja tendo sucesso em manter os requeridos padrões, normalmente exibe orgulho, elitismo, e arrogância. Entretanto, quando os tropeços e fracassos inevitavelmente ocorrem, o membro muitas vezes naufraga na fé. Aqueles que fracassam nos seus esforços são vistos como apóstatas, fracos, e são normalmente descartados pelo sistema.

5. Desequilíbrio: Os grupos abusivos têm de se distinguir de todos os outros grupos religiosos para que possam alegar serem únicos e especiais para Deus. Isso normalmente é feito através de uma ênfase exagerada em posições doutrinárias menos centrais (como por exemplo, profecias sobre os últimos dias), ou através de legalismo extremo, ou uso de métodos peculiares de interpretação bíblica. Dessa forma, suas conclusões e crenças peculiares são exibidas como prova de que são únicos e especiais para Deus.



Algumas Respostas Bíblicas

Existem vários exemplos de abuso espiritual na Bíblia. No livro de Ezequiel, por exemplo, Deus descreve e condena os “pastores de Israel” que apascentam a si mesmos e não as ovelhas, que não cuidam das doentes, desgarradas e perdidas, mas dominam sobre elas com rigor e dureza (Ez. 34:1–10). Jesus reagiu com indignação contra os cambistas no Templo, que exploravam os fiéis (Mt. 21:12–13; Mc. 11:15–18; Lc. 19:45–47; Jo. 2:13–16), e também contra aqueles que se importavam mais com suas próprias interpretações da Lei do que com o sofrimento humano (Mc. 3:1–5). Em Mateus 23, Jesus nos dá uma importante descrição dos líderes espirituais abusivos. Em Gálatas, Paulo argumenta contra aqueles que queriam impor um cristianismo legalista, subvertendo a mensagem do evangelho. Existem muitos outros exemplos na Bíblia.
Jesus Cristo era Deus encarnado, a segunda Pessoa da Trindade, o Criador do universo. Ele, obviamente, tem a mais alta e soberana autoridade espiritual. Ainda assim, Jesus não usou essa autoridade para subjugar seus discípulos; ele não abusou de sua autoridade para colocá-los sob o jugo de regras e regulamentos legalistas. Ao contrário, ele disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt. 11:28–30).

Nem tampouco Jesus procurava manter as aparências externas. Ele comia com publicanos e pecadores (Mt. 9:10–13). Aos fariseus legalistas, Jesus aplicou as palavras de Isaías: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mt. 15:9). Ele condenou sua atitude: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade” (Mt. 23:27–28).

Jesus não era paranóico como os líderes abusivos. Seu ministério era transparente ao publico (Jo.18:19–21). Ele não tinha nada a esconder. Jesus não só criticou os líderes religiosos por suas doutrinas errôneas (Mt. 15:1–9; 23:1–39; etc.), mas também, quando criticado, ele não os silenciou, mas deu-lhes respostas bíblicas e racionais às suas objeções (e.g., Lc. 5:29–35; 7:36–47; Mt. 19:3–9).

Jesus, ainda que ensinasse a Lei perfeita de Deus, colocava as necessidades legítimas das pessoas acima de regras ou regulamentos legalistas (Mt.12:1–13; Mc. 2:23–3:5). Ainda que nenhum ser humano seja absolutamente perfeito nessa vida (1 Jo. 1:8), podemos saber que já temos vida eterna (1 Jo. 5:10–13; Jo. 5:24; 6:37–40; Rm. 8:1–2).

Os fariseus eram um exemplo de líderes espirituais abusivos: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!” (Mt. 23:23).



Efeitos do Abuso Espiritual

O abuso espiritual tem um efeito devastador na vida das pessoas. Elas normalmente depositam um alto grau de confiança em seus líderes, os quais deveriam honrar e guardar tal confiança. Quando essa confiança é traída, a ferida que se abre é muito grande, até mesmo a ponto da pessoa nunca mais poder confiar em líderes espirituais novamente, mesmo que eles sejam legítimos.

Uma situação análoga pode ser vista nas vítimas de incesto, que apresentam sintomas emocionais e psicológicos muito parecidos com os vistos naqueles que são abusados espiritualmente. O principal sintoma é a incapacidade que desenvolvem em se relacionarem normalmente com pessoas que representem ou tenha alguma associação mental com a fonte de sua dor emocional.

Além de desenvolverem medo e desilusão com relação a líderes religiosos, as vítimas de abuso espiritual muitas vezes têm dificuldade em confiar em Deus. Eles se perguntam, “como é que Deus pode ter permitido que isso acontecesse comigo? Tudo o que eu queria era amá-lo e servi-lo!” Muitas vezes, essas pessoas desenvolvem grande rancor. A raiva, por si própria, não é necessariamente pecado, pois até mesmo Deus se ira contra a injustiça (veja acima). Entretanto, se esse rancor não for progressivamente eliminado, ele pode estabelecer raízes de amargura e incredulidade com relação a tudo que seja espiritual.



Recuperando-se do Abuso Espiritual

Para que haja uma recuperação dos males causados pelo abuso espiritual, é preciso que a vítima entenda o que aconteceu, por que aconteceu, e como aconteceu. Ela também precisa entender que ela não é a única pessoa vitimada por esse tipo de abuso. Ela deve procurar grupos de apoio, e ser contínua e pacientemente ensinada sobre a graça de Deus. Os grupos de apoio são necessários não só para que a vítima seja ministrada pelo grupo, mas também para que ela possa usar sua experiência para ministrar a outras vítimas, o que é essencial para a sua recuperação.
A vítima também deve procurar eventualmente perdoar os que a abusaram. Normalmente alguns anos são necessários para que uma vítima de abuso espiritual possa ser totalmente restaurada.




Traduzido e adaptado com a permissao de Watchman Fellowship, Inc.Tradução e adaptação: Marcelo Parga de Souza

quarta-feira, 11 de março de 2009

A FORMAÇÃO DA TEOLOGIA PENTECOSTAL NO BRASIL

importância dos missionários escandinavos e norte-americanos na formação da identidade teológica da Assembléia de Deus brasileira

Apesar das constantes incidências de modismos teológicos no cenário evangélico brasileiro, a Assembléia de Deus é hoje uma das igrejas com maior solidez bíblica doutrinária em nosso país. Isso se deve a anos de formação de sua identidade teológica, sob a influência direta dos missionários escandinavos e norte-americanos. Como se deu essa influência?

Para entendermos isso, acredito que dois pontos devem ser analisados. Primeiro: Quem exerceu maior influência? Os missionários escandinavos ou os norte-americanos? Segundo: Havia alguma divergência doutrinária entre a Teologia pentecostal escandinava e a norte-americana?

QUEM EXERCEU MAIOR INFLUÊNCIA?

Como sabemos, a Assembléia de Deus no Brasil foi fundada por missionários escandinavos, porém sua Teologia sofreu igualmente influência da igreja pentecostal escandinava e das Assembléias de Deus norte-americanas. A diferença é quanto ao tempo de influência dos dois grupos. O primeiro exerceu sua influência teológica nas primeiras cinco décadas do Movimento Pentecostal brasileiro. Os norte-americanos estão exercendo sua influência teológica no Brasil pentecostal já há 40 anos.

Se na liturgia e em alguns costumes podemos afirmar que ainda somos herdeiros dos primeiros missionários suecos (se bem que, nos últimos 15 anos, a influência norte-americana na nossa liturgia e costumes aumentou), pode-se dizer que teologicamente fomos influenciados mais pelos missionários norte-americanos do que pelos escandinavos. Excetuando a influência na Assembléia de Deus do missionário escandinavo Eurico Bergstén, falecido em 1999, são os norte-americanos que mais influenciaram a Teologia Pentecostal brasileira na quatro últimas décadas.

Ao lermos a história da Assembléia de Deus brasileira em seus primeiros anos, percebemos que, da década de 10 até os anos 40, os missionários suecos eram soberanos na orientação doutrinária. Nos primeiros anos, a voz da Teologia assembleiana eram os artigos dos suecos nos jornais Boa Semente, Som Alegre e Mensageiro da Paz, e na série Lições Bíblicas, com comentários exclusivamente dos missionários escandinavos nas primeiras décadas. Há artigos de brasileiros nesses periódicos, mas só eram publicados aqueles que passavam pelo crivo teológico dos missionários escandinavos. Além disso, os artigos de articulistas norte-americanos ou britânicos (notadamente Donald Gee, cujos estudos sobre dons espirituais foram preciosos para a nascente igreja no Brasil) eram escolhidos e traduzidos pelos missionários suecos antes de serem publicados nos periódicos.

Um detalhe dos anos 10, 20 e 30 é que havia certa igualdade entre os missionários escandinavos quanto à influência teológica. Gunnar Vingren, Samuel Nyström, Nils Kastberg, Otto Nelson, Nels Nelson e Joel Carlson se dividiam nessa tarefa, ora por meio de artigos, ora pelas ministrações de estudos bíblicos nas igrejas sob sua responsabilidade. Porém, de meados dos 30 até o início dos 40 (isto é, depois da partida de Vingren, ocorrida em 1932), o missionário Samuel Nyström passou a se destacar como o grande nome da Teologia Pentecostal no Brasil. Em muitos casos, questões doutrinárias eram dirimidas, até em reuniões de Convenção Geral das Assembléias de Deus, depois de ser ouvido Nyström.

Nyström foi o quarto missionário escandinavo pentecostal a aportar em solo brasileiro. Conhecido como o grande pregador e ensinador, sua vinda foi uma grande conquista para a obra no Brasil. Além do sueco, sua língua natal, falava o português e o inglês fluentemente, e tinha noções de grego e hebraico. Antes de liderar a Assembléia de Deus em São Cristóvão, no Rio, ele pastoreou a igreja-mãe em Belém do Pará, tendo inaugurado o primeiro templo assembleiano na capital paraense. Foi ele quem deu início ao movimento beneficente em favor das viúvas de pastores e é até hoje o líder que mais vezes foi eleito presidente da CGADB. Foram nove vezes (1933, 1934, 1936, 1938, 1939, 1941, 1943, 1946 e 1948). Sua influência era tão grande que a vinda de Nyström para a cidade do Rio de Janeiro, então capital federal, substituindo o pioneiro Gunnar Vingren, fez com que a Assembléia de Deus de São Cristóvão se tornasse uma espécie de centro da obra no Brasil, o que durou por muito tempo.

Lendo as páginas do jornal Mensageiro da Paz no final dos anos 30 e início dos 40, vemos que o nome de Nyström era quase onipresente nas escolas bíblicas de obreiros nos país. Intensamente requisitado, viajava o Brasil inteiro para ministrar estudos bíblicos concorridos, especialmente sobre Dispensacionalismo, os efeitos da obra de Cristo, o Corpo de Cristo e doutrinas bíblicas fundamentais. Nessa época, devido ao estrondoso sucesso de seus estudos, um deles virou livro, publicado pela CPAD: Jesus Cristo, Nossa Glória. Esta obra traz uma exposição sobre as doutrinas da Redenção, Santificação e Justificação. É impressionante o fato de que tenha vendido cerca de 5 mil exemplares em sua primeira tiragem nos anos 30, em uma época em que boa parte dos assembleianos não era afeita à leitura. A obra só seria reeditada nos anos 80.

Porém, a partir especialmente do final dos anos 30, começaram a aportar no país missionários da Assembléia de Deus dos EUA que, aos poucos, se notabilizaram na orientação teológica dos primeiros obreiros brasileiros.

No final dos anos 40 e início dos 50, despontam notadamente nas escolas bíblicas pelo país os nomes do missionários norte-americanos. Podemos dizer que inicia aqui o processo de cristalização da Teologia Pentecostal no Brasil, pois só com os missionários norte-americanos houve uma sistematização maior das doutrinas bíblicas na Assembléia de Deus.

Pesquisando as páginas do Mensageiro da Paz nos anos 40 e 50, notamos que os destaques nas escolas bíblicas agora eram os missionários norte-americanos Lawrence Olson, Leonard Pettersen, Teodoro Stohr e John Peter Kolenda, mais conhecido como JP Kolenda. Nesse período, do lado escandinavo, impõe-se apenas os nomes dos missionários Nels Nelson e Lars Erik Bergstén, e que aportou em plagas brasileiras no final da década do 40. Nesse período, Nyström já saíra de cena, de volta à Suécia.

Nels Nelson era presença constante nas escolas bíblicas de obreiros pelo país, mas, sem dúvida, Bergstén foi muito mais influente na formação da Teologia Pentecostal. Enquanto Nelson ministrava mais sobre Prática e Teologia Pastoral, Bergstén era mais sistemático e seus estudos abordavam todas as doutrinas bíblicas. Isso não significa dizer que Bergstén era rebuscado em seu discurso. Uma de suas marcas era a simplicidade com que ele abordava os pontos doutrinários, além do largo uso de citações bíblicas para explicar e reforçar o que estava ensinando. Sua biblicidade e a forma apaixonada como falava sobre a necessidade de os obreiros amarem a Bíblia para crescerem espiritualmente foram imensamente importantes para formações de gerações de obreiros assembleianos.

Vale lembrar ainda que se Nels Nelson não exercia uma grande influência teológica na Assembléia de Deus brasileira, tal qual Bergstén, sua influência como líder, porém, era muito forte. Nels Nelson foi o último grande líder sueco da Assembléia de Deus brasileira. Assim, Nelson e Bergstén foram os nomes que ainda mantiveram a influência escandinava em nosso país.

Nelson faleceu nos anos 60. A partir daí, a liderança da Assembléia de Deus brasileira tornou-se quase que totalmente autóctone. Excetuando os missionários Nils Taranger, no Rio Grande do Sul (falecido nos anos 90), Gustavo Arn Johansson, em Maceió (que liderou de 1963-1965) e alguns missionários noruegueses no Sul, não havia mais missionários escandinavos liderando igrejas. É verdade que alguns missionários norte-americanos chegaram a liderar igrejas em nosso país, mas por pouco tempo e sem exercer influência na liderança nacional, como exerciam Nelson e os demais escandinavos antes dele. A influência norte-americana passou a ser mesmo só na área teológica.

No período pós Nels Nelson, Eurico Bergstén passou a ser a única referência teológica escandinava. E que influência! Basta lembrar que é, até hoje, o maior comentarista de Lições Bíblicas da história da Assembléia de Deus brasileira. Foram mais de 30 revistas de Escola Dominical escritas em quase 40 anos. Era quase uma revista por ano, todas abordando variadas doutrinas bíblicas. Até sua morte, em 1999, a presença de Bergstén era constante em estudos bíblicos e conferências pelo país. Ao lado de Lawrence Olson, Bergstén foi, consciente ou inconscientemente, um dos grandes moldadores da Teologia Pentecostal no Brasil.

Ao falarmos isso, é importante dizer que não estamos dizendo que havia uma relatividade entre missionários suecos e norte-americanos na formação teológica dos obreiros brasileiros. Apenas reconhecemos que, ao lermos a história da Assembléia de Deus brasileira, percebemos que é nítida a aceitação natural desses nomes, por parte dos obreiros brasileiros, como formadores de sua identidade teológica.

SISTEMATIZAÇÃO DA TEOLOGIA

É também a partir dos anos 50 que são traduzidos para o português, pelos missionários norte-americanos, muitos livros de cunho teológico pentecostal vindos da outra América e que por muito tempo se tornaram a referência teológica dos obreiros brasileiros, sem contar os bons livros produzidos pelos próprios missionários norte-americanos aqui no Brasil. Destaque para Conhecendo as doutrinas da Bíblia e Através da Bíblia, de Myer Pearlman, traduzidos por Lawrence Olson. Essas duas obras tiveram grande sucesso e aceitação, principalmente a primeira, que vendeu mais de 100 mil exemplares e foi, durante muito tempo, a Teologia Sistemática dos obreiros pentecostais brasileiros.

Olson ainda produziria clássicos como O Plano Divino Através dos Séculos, que vendeu mais de 100 mil exemplares. Esse livro popularizaria no Brasil o Dispensacionalismo, adotado pela maioria dos obreiros brasileiros até hoje. Quem não se lembra daquele quadro colorido e retangular que ilustrava a história da humanidade segundo a Bíblia, de antes da criação do mundo até o final dos tempos? O quadro O Plano Divino Através dos Séculos pode ser encontrado em muitas casas de obreiros pelo Brasil até hoje.

Outro importante nome, tanto na tradução de obras em inglês como na produção de livros teológicos, é Orland Spencer Boyer (também missionário dos EUA), que além de escrever livros inspirativos, produziu a série Espada Cortante, que marcou época, instruindo muitos.

Porém, o maior destaque, ao lado de Conhecendo as doutrinas da Bíblia, é de iniciativa escandinava. Uma série de estudos bíblicos de Eurico Bergstén, que por muito tempo serviram como livro-texto da Escola Teológica das Assembléia de Deus no Brasil (Esteadeb), foi transformada posteriormente em livro: Teologia Sistemática (CPAD). Está é a única obra de Teologia Sistemática pentecostal produzida pela Assembléia de Deus no Brasil até a presente data. Apesar de sintética, foi a mais aprofundada e sólida tentativa de organizar e sistematizar a Teologia pentecostal em um único compêndio.

Nos anos 90, a CPAD publicaria Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal, editada por Stanley Horton (maior expoente da Teologia Pentecostal nos EUA) e escrita por 18 teólogos da Assembléia de Deus norte-americana. Em seguida também foi lançado Doutrinas Bíblicas, do teólogo William Menzies, também dos EUA. Porém, a de Bergstén e a editada por Horton são as grandes referências teológicas da Assembléia de Deus brasileira hoje. Depois dessas duas obras, a de Pearlman ficou um pouco esquecida.

Finalmente, completando a tríade literária que serve hoje de referência para a Teologia da Assembléia de Deus brasileira, foi lançada, também nos anos 90, a Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD), com quase um milhão de exemplares vendidos só no Brasil. As notas são de autoria do pastor Donald Stamps, missionário norte-americano em nossa país.

Mas, novas boas notícias chegarão em breve. Depois de 95 anos de Assembléia de Deus, a CPAD começa o projeto de elaboração da primeira Teologia Sistemática Pentecostal genuinamente brasileira, escrita por teólogos da Assembléia de Deus em nosso país. Desejamos uma boa recepção para essa obra!

INSTITUTOS BÍBLICOS

O passo mais significativo dos missionários norte-americanos para a formação teológica dos obreiros brasileiros foi, sem dúvida, a polêmica criação de institutos bíblicos. Polêmica por não ter sido aceita inicialmente pelo obreiros brasileiros, satisfeitos apenas com o modelo das escolas bíblicas de curta duração, implantado pelos suecos. Anuais, as escolas bíblicas de obreiros duravam de duas semanas a um mês, estudavam temas diferentes a cada ano e até hoje fazem parte da tradição assembleiana no Brasil.

A principal crítica que se fazia aos institutos bíblicos é a de que eram “fábricas de pastores”. Apesar de todas as críticas, os norte-americanos levaram adiante seu projeto. Em 1959, com o apoio de JP Kolenda, o jovem pastor João Kolenda Lemos e sua esposa, a missionária norte-americana Ruth Dorris Lemos, fundariam o Instituto Bíblico da Assembléia de Deus (Ibad) em Pindamonhangaba (SP). Em seguida, em 1962, Lawrence Olson funda o Instituto Bíblico Pentecostal (IBP) no Rio de Janeiro. Olson e Orland Boyer ainda municiaram os obreiros brasileiros com belas obras teológicas de suas lavras a partir desse período. Olson ainda tinha a seu favor o programa Voz da Assembléia de Deus, com mensagens bíblicas enriquecidas de informações e curiosidades que despertavam nos ouvintes o desejo de se aprofundarem no conhecimento bíblico.

Vale lembrar que porque esses dois institutos foram fundados sem o apoio da maioria dos obreiros brasileiros, isso fez deles um grande desafio. Foi só nos anos 70 que iniciou-se um processo de aceitação dos institutos. O Ibad e o IBP só foram reconhecidos oficialmente pela Convenção Geral das Assembléia de Deus no Brasil em 1973 e 1975, respectivamente. É nesse período que nascem várias outras escolas teológicas (em forma de instituto) fundadas por obreiros brasileiros, e a Escola de Ensino Teológico das Assembléias de Deus (Eetad), fundada pelo missionário norte-americano Bernhard Johnson, em Campinas (SP).

Hoje, vivemos uma conseqüência clara disso. É interessante notar que os grandes teólogos nacionais da Assembléia de Deus brasileira só começaram a despontar mais a partir dos anos 70. Não que antes dos anos 70 não tenham havido nomes de destaque na Teologia da Assembléia de Deus entre os nacionais. Basta lembrar que é nos anos 60 que começa a aparecer o pastor e teólogo Antonio Gilberto, que veio a notabilizar a partir de 1974, com a criação do Curso de Aperfeiçoamento de Escola Dominical (Caped). É dele muitos best-sellers, como o Manual de Escola Dominical, lançado em 1974 e que já vendeu cerca de 150 mil exemplares. E que dizer do pastor Estevam Ângelo de Souza? É também outro grande exemplo. Porém, notadamente, só a partir dos anos 70 é que o leque aumenta. Atualmente, há vários nomes, e isso tem muito a ver com a mudança de visão em relação à importância dos seminários e institutos bíblicos, ocorrida à pouco mais de 30 anos.

DIFERENÇAS ENTRE O ESTILO ESCANDINAVO E O NORTE-AMERICANO

Não há muita diferença entre a Teologia pentecostal escandinava e a norte-americana. A diferença está mesmo nos estilos do que no conteúdo. Os escandinavos preferiam mais o sistema de escolas bíblicas informais e anuais de curta duração (daí a inspiração para criar as tradicionais escolas bíblicas de obreiros no Brasil). Os norte-americanos preferiam os institutos bíblicos, com o ensino formal das Escrituras e cursos de longa duração como as igrejas evangélicas tradicionais já faziam há muito tempo. Nos EUA, era comum o obreiro, antes de ser ordenado ao ministério, passar, em média, quatro anos em um instituto bíblico. Já na Suécia, só havia, na época, as escolas bíblicas de verão em Nyem (cidade sueca), uma espécie de curso intensivo de três meses para missionários e obreiros. Os alunos recebiam certificados, mas o curso era mais informal. Porém, ninguém era ordenado ao ministério ou enviado ao campo missionário pela Igreja Filadélfia, liderada pelo pastor Lewi Pethrus, sem antes passar por esse curso.

Com exceção de Daniel Berg e Gunnar Vingren, que foram pioneiros e se filiaram à Igreja Filadélfia depois de iniciada a obra no Brasil, todos os outros missionários escandinavos que aportaram em nosso país passaram por esse curso. Berg não estudou Teologia formalmente. Vingren, antes de vir ao Brasil, fora ordenado pastor pela Convenção Batista dos Estados Unidos. Para isso, formou-se em Teologia em um instituto bíblico e estagiou pastoreando uma Igreja Batista Sueca nos EUA. Quando estava pleiteando ser enviado como missionário à Índia, foi batizado no Espírito Santo, encontrou-se com Berg e Deus mudou os seus planos. Ainda bem!

Devido às diferenças entre a preparação teológica dos missionários escandinavos e norte-americanos, o estilo de ensino adotado por eles no Brasil era diferente. Analisando, por exemplo, os artigos doutrinários de um e de outro grupo no jornal Mensageiro da Paz, notamos que os suecos eram mais práticos, enquanto os norte-americanos eram mais sistemáticos. E, ao que parece, os obreiros brasileiros gostavam mais da simplicidade escandinava do que do estilo norte-americano. Só a partir dos anos 50 é que os brasileiros passaram a simpatizar mais com os doutrinadores norte-americanos, especialmente pelas ministrações bíblicas saborosas de nomes como Olson, JP, Stohr e Pettersen.

Outro detalhe: tanto os escandinavos quanto os norte-americanos aplicavam bem a hermenêutica, mas os norte-americanos eram um pouco mais voltados a exegese de textos bíblicos. O único missionário escandinavo que se aplicava no uso da exegese era Samuel Nyström. Aliás, Nyström era considerado pelos brasileiros como “o maior ensinador das Escrituras” no nascente Movimento Pentecostal em nosso país.

Interessante que os missionários escandinavos não ensinavam o Dispensacionalismo, que era a “moda” teológica da época, uma maneira mais prática de os teólogos interpretarem os fatos bíblicos. A única exceção foi Nyström. Até onde se sabe, ele foi o primeiro a ensinar o Dispensacionalismo para a Assembléia de Deus brasileira antes mesmo dos norte-americanos. Porém, coube a Lawrence Olson popularizar o Dispensacionalismo no Brasil, principalmente por meio de seus livros e do Instituto Bíblico Pentecostal.

É curioso ver que o Dispensacionalismo não está mais em voga nos Estados Unidos. A maior parte da Assembléia de Deus norte-americana não mais usa esse sistema de interpretação das Escrituras, que, é preciso dizer, no caso assembleiano, tinha uma pequena diferença do Dispensacionalismo clássico: os assembleianos sempre deixaram de lado a separação entre a Igreja e Israel, o que era o ponto-chave do Dispensacionalismo.

Hoje, a Assembléia de Deus norte-americana está mais voltada para “o estudo das aplicações teológicas e missiológicas do Reino de Deus”. Uma análise precisa dessa mudança de foco está em Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal, nas páginas 32 e 36.

Outro ponto a ser frisado é que os missionários escandinavos, por chegarem aqui primeiro, gastaram mais tempo procurando estabelecer as bases teológicas da igreja brasileira e reforçando as doutrinas bíblicas distintivas do pentecostalismo, muito atacadas pelas igrejas tradicionais nas primeiras décadas. A maior parte dos textos doutrinários dos primeiros 30 anos do Movimento Pentecostal brasileiro era de caráter apologético, de defesa das doutrinas bíblicas pentecostais. O restante era apenas sobre pontos doutrinários básicos: Salvação, Santificação e Vinda de Jesus. Por isso, quando os missionários norte-americanos vieram, corroboraram essas bases, mas, sobretudo, erigiram um edifício sobre elas, aprofundando esses pontos doutrinários (especialmente a Escatologia Bíblica) e salientando outros, menos abordados até então (como, por exemplo, a Doutrina da Trindade, do Pecado Original e dos Anjos).

O missionário Eurico Bergstén se destaca nesse período justamente porque também foi além das bases. Por exemplo: ao falar da Salvação, Bergstén expunha e destrinchava as doutrinas bíblicas da expiação, justificação, adoção e glorificação (o que Nyström, nos anos 40, começou a fazer timidamente), e a questão da perseverança dos santos, da segurança da Salvação. Aliás, o mal entendimento desse último ponto foi o que levou a uma das primeiras cisões da história da Assembléia de Deus.

No início dos anos 30, nasceu no Nordeste do Brasil a Assembléia de Cristo, formada por obreiros nacionais, entre eles Manoel Higino de Souza, que passaram a crer que “uma vez salvo, salvo para sempre”. É que os missionários suecos não se preocupavam em falar da Doutrina da Predestinação e da Segurança da Salvação, até que um obreiro nacional leu um panfleto calvinista sobre esse assunto e começou a ensinar que aqueles que aceitam a Cristo não têm possibilidade de perder a Salvação. Ora, os escandinavos eram arminianos (os missionários da Assembléia de Deus norte-americana, que chegariam depois, também). O que foi que aconteceu? Tentaram convencer Higino do contrário, mas em vão. Por nunca terem ensinado sobre esse assunto, quando a divergência teológica surgiu, não puderam saná-la eficientemente. A maioria esmagadora apoiou os missionários suecos, mas a cisão aconteceu. Se houvesse um ensino preventivo sobre esse ponto doutrinário, talvez essa cisão nunca tivesse ocorrido.

É só a partir dos 50 que os estudos bíblicos ganham mais densidade e profundidade. A criação de institutos bíblicos foi a conseqüência direta disso. Os obreiros brasileiros precisavam se aprofundar mais no conhecimento bíblico.

Se os escandinavos fizeram um bom trabalho de base e de estabelecimento da identidade pentecostal, os norte-americanos fizeram um bom trabalho preventivo em relação a modismos. Antes que determinadas doutrinas que já eram populares nos EUA ganhassem força no Brasil, eles preveniam os obreiros sobre elas. Por exemplo, na Convenção Geral de 1962, em Recife, são o missionário Lawrence Olson e o pastor Raymond Carlson, então presidente do Instituto Bíblico da Assembléia de Deus em Minessota (e que depois seria líder do Concílio Geral das Assembléias de Deus nos EUA) que previnem os obreiros, em estudo bíblico, sobre os perigos do ecumenismo, uma onda nova na época. Ao final daquela convenção, Olson, Bergstén e o pastor Alcebíades Vasconcelos, representando os obreiros brasileiros, assinam um documento, em nome da CGADB, contra o ecumenismo.

Ainda havia os estudos dos norte-americanos sobre os erros do evolucionismo, o liberalismo teológico, a Teologia da Libertação etc. Como reflexo desse ensino, surgiram muitos bons livros de autores nacionais sobre esses assuntos nos anos seguintes. O pastor Abraão de Almeida, por exemplo, escreve nos anos 80 sua Teologia Contemporânea (CPAD), com prefácio de Lawrence Olson. Nascia a reflexão teológica, estimulada pelos norte-americanos.

Outro exemplo: a febre pela Escatologia Bíblica no Brasil foi encetada pelos norte-americanos e incentivada pela conjuntura internacional - a Guerra Fria. Nesse período, depois da reedição de O Plano Divino Através dos Séculos nos anos 70 e do lançamento do polêmico Alinhamento dos planetas (1980), ambas obras de Olson, surgiu uma demanda decorrente do interesse despertado dos crentes por Escatologia. É quando surgem muitas obras teológicas em profusão sobre o assunto, como as dos pastores Antonio Gilberto, Abraão de Almeida e Severino Pedro. O detalhe é que a visão escatológica de muitas dessas obras era importada da visão escatológica norte-americana. A significativa obra Israel, Gogue e o Anticristo (CPAD), de Abraão de Almeida, que marcou época e vendeu mais de 50 mil exemplares, é um exemplo. As interpretações sobre a profecia contra Gogue (Ezequiel 38), vista como uma referência à Rússia e à China, são uma influência clara da Escatologia norte-americana. Os escandinavos não se preocupavam com esses pormenores. Sua Escatologia era menos detalhista e pouco especulativa. Preocupava-se mais com o entendimento do essencial.

ÚNICO E RELATIVO CASO DE DIVERGÊNCIA

E quanto às discrepâncias de conteúdo entre a Teologia pentecostal escandinava e a norte-americana?

Como já ressaltei, foi só depois dos anos 50 que o estudo das doutrinas bíblicas foi mais aprofundado na Assembléia de Deus brasileira. Assim, se houvesse alguma discrepância teológica entre os escandinavos e norte-americanos, ela surgiria a partir de esse período, pois é na exposição dos detalhes que surgem as diferenças. Porém, o que se via era uma concordância mútua. A única diferença encontrada, mas não muito explorada, foi quanto à Doutrina da Criação do Universo. Aqui, sim, encontramos a única divergência teológica concreta entre escandinavos e norte-americanos. Mesmo assim, relativa.

Eurico Bergstén, em sua Teologia Sistemática, ensinava a Teoria da Recriação da Terra (também chamada de Teoria da Lacuna), que diz que entre Gênesis 1.1 e 1.2 há um interregno de tempo, onde teriam ocorrido a queda de Satanás e o caos no Universos. A Terra, que teria sido criada perfeita antes de Lúcifer cair, teria ficado, após a queda do ser angelical, sem forma e vazia. Logo, o relato que vai de Gênesis 1.2 em diante seria não o da criação da Terra, mas da recriação. Isso pode ser visto nas páginas 49 e 52 de sua obra. “A Terra foi restaurada em seis dias”, assevera Bergstén.

Ao que parece, nem todos os missionários norte-americanos simpatizavam muito com essa teoria. Lawrence Olson, porém, seria uma grande exceção, o que relativiza essa discrepância. Ele ensinava o mesmo, como pode ser visto nas primeiras páginas de O Plano Divino Através dos Séculos. Mas, a obra Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal, escrita pelos Teólogos da Assembléia de Deus norte-americana, rechaça essa teoria, como pode ser visto nas páginas 232 a 235. “A Teoria da Lacuna apresenta várias fraquezas”, arremata conclusivamente os pastor e teólogo Timothy Munyon.

Como vimos, as diferenças eram muito pequenas. A Teologia era praticamente a mesma em todos os pontos. E isso foi muito bom, porque fortes divergências teológicas criariam cismas. Se hoje a Assembléia de Deus é minimamente unida e consolidada em sua identidade teológica, deve isso à influência desses nobres missionários escandinavos e norte-americanos, que deram as suas vidas pela evangelização e estabelecimento da obra de Deus em nosso país.

Por, Silas Daniel - Ministro do Evangelho, jornalista, conferencista e autor dos livros A Sedução das Novas Teologias, Habacuque - a vitória da fé em meio ao caos e História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Todos pela CPAD.
Manual do Obreiro (CPAD) - 2006.

domingo, 1 de março de 2009

O POVO GOSTA! Pronto: está no altar!! [grifo meu]


“...com a boca professam muito amor,
mas o coração só ambiciona lucro” (Ez 33.31)

Espera-se que empresários, publicitários e comerciantes, possuam um faro apurado para descobrir o que apetece o gosto da clientela. Faz parte do “tino” comercial. Há muitas coisas que o povo gosta, e pode lucrar quem percebe o gosto popular. Foi uma longa sucessão de erros e acertos que permitiu à Coca-Cola encontrar a fórmula ideal que agradasse totalmente a seus consumidores, levando-os hoje a comprar milhões de unidades anualmente em todo o mundo.

Descobrir a preferência popular também tem sido a preocupação de líderes, pastores e ministérios que levam o nome de Jesus. O problema aqui não é o sucesso que eles obtêm, mas o fato de terem adaptado a fórmula (leia-se: Evangelho), ao gosto popular. O que o povo gosta? Então é isso que será oferecido: às favas a ética, a fidelidade à Palavra, os ensinamentos de Cristo, as doutrinas neotestamentárias, ou a Verdade... o que importa é que o povo seja um consumidor satisfeito e feliz.

Vejamos algumas estratégias utilizadas ao arrepio da Palavra, mas bem ao gosto do poviléu:

1) Pode parecer coisa de somenos importância, mas até o nome da igreja é pensado para atingir a preferência popular. Quando ela tem um nome que a identifica com o bairro, tipo “Igreja X do Jardim Robrú”, não cai bem aos ouvidos dos fiéis. É preciso que o nome mostre grandiosidade, pois embora seja gente humilde, há um gosto secreto pelo pomposo; possuem localização periférica, mas sonham em fazer parte de algo muito maior. Por isso os líderes sintonizados com o gosto popular batizam seus ministérios como sendo de ordem “Mundial” ou ao menos “Internacional”, e até mesmo “Universal”, mesmo antes de sair da periferia. Por que agem assim? O povo gosta.

2) Ao convidar pastores para participar de suas festividades, eles precisam ser famosos e possuir um currículo de “cruzadas de milagres”. Embora Jesus tenha dito que dos homens nascidos de mulher não havia ninguém maior que João Batista, este, entretanto, nunca fez um milagrezinho sequer (Jo 10.41). Logo, ninguém convidaria João para um evento. O povo gosta de tudo que é glamoroso; um convidado que chega de ônibus ou num carro vazando óleo não é boa propaganda do ministério, mas se ele surgir num reluzente automóvel e muitos assessores esperando, isso significa unção e poder. O povo vibra.

3) Nossos patrícios gostam de coisas fantásticas: menina-pastora de 6 anos, homem que morreu e voltou, demônios que dão entrevista, ex-bruxo, ex-guru, ex-vedete.... não basta ter vivido os erros comuns de todos os mortais: precisa ter errado muito. O povo se encanta.

4) Nossa gente dá muito valor a rituais. Se a Bíblia ensina que basta pedir a Deus com fé simples e orar ao Senhor assentado solitário em sem quarto, provavelmente não farão. Mas se o guia espiritual pede para acender velas, escrever num papel, queimar na fogueira e beber água orada, ele o faz. O povo adora fórmulas.

5) Tornou-se comum nas programações das rádios surgir em meio às palavras do pregador um “dekantalabachúria” ou um “ripalabassuriondera”. O que é isso? É uma tentativa de demonstrar “intimidade” com o Espírito, como se fosse o dom de glossolalia. Obviamente trata-se de uma farsa, posto que contradiz todas as normativas que o apóstolo Paulo faz do assunto em I Coríntios 14, ou seja: [1] “quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus”, (portanto não edifica a outrem); [2] “se, com a língua não disserdes palavra compreensível, como se entenderá?”, (com isso banalizam o dom divino e jogam palavras ao vento); [3] “o que fala em outra língua deve orar para que a possa interpretar... não havendo fique calado” (o que nunca acontece, pois são desobedientes); [4] “se puserem a falar em outras línguas na presença de incrédulos, não dirão que estais loucos?” (sim, dirão, e provavelmente estão). Tudo isso, na verdade é uma exibição de imaturidade espiritual.... mas o povo admira tudo o que não compreende.

6) Jamais pregam sobre pecado, arrependimento, santidade, ou viver em comunhão. Isso desagrada a clientela. Seus temas recorrentes são: vitória, prosperidade, conquista, cura, vitória novamente, unção, cabeça e não cauda, pisando os inimigos, e outra vez vitória. É como se a pregação bíblica resumisse a isso. Mas o povo deseja ouvir as mesmas coisas semanalmente.

Jesus, que não ia atrás da opinião do povo, nunca correu atrás de ninguém melhorando a oferta, nunca regateou as condições para participarem do Reino, nunca fez liquidação para alguém entrar no céu ou alargou o caminho estreito para facilitar-lhes a vida. Ao contrário, a partir de certo momento de seu ministério a multidão começou a abandoná-lo (Jo 6.66), escandalizada com suas palavras. Na verdade, a multidão sempre foi um impedimento para que muitos chegassem a Ele (vide a mulher do fluxo de sangue e o cego de Jericó). Certa vez Jesus havia se “retirado por haver muita gente naquele lugar” (Jo 5.13). Desconfio que Ele continua fazendo o mesmo hoje.

Seguir as inclinações do povo é perigoso: a massa anseia por espetáculo, não verdade. A massa se enfada rapidamente, daí a necessidade de atrações permanentes. Deus nos livre de fazer parte de um rebanho de tolos! E Deus nos proteja dos guias espirituais interessados em fazer a vontade do rebanho.

Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br
fonte:http://libertosparapensar.blogspot.com/

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A Morte do Púlpito




Por Gutierres Siqueira

A igreja evangélica brasileira vive uma tragédia: a morte do púlpito. Nunca na história do protestantismo houve tanto desprezo pela pregação cristocêntrica, preparada com esmero e preocupada com a correta interpretação das Escrituras. O púlpito tem sido substituído pelo altar dos “levitas” ou para os ”sacrifícios” em dinheiro dos mercenários mercantilistas. A “pregação” da Palavra é, hoje, conceituada como qualquer um que sobe na plataforma e começa a falar ou gritar.

Talvez você, lendo esse texto, pense: - “Na minha igreja a pregação é sempre um espaço grande e recebemos visitas de diversos pregadores”. Esse artigo quer alertar que não basta um tempo grande para a pregação e nem que a plataforma esteja cheia de homens engravatados; antes é necessária a avaliação da qualidade dessa pregação. A pregação precisa ser avaliada, assim como fazia os cristãos bereanos, que por sua nobreza, comparam as homilias de Paulo com as Sagradas Escrituras.
Quais são as causas da “morte do púlpito” no evangelicalismo moderno?

A) Espiritualidade em baixa é igual à pregação sem qualidade.

A pobreza das pregações é evidente nesses últimos dias, pois isso é conseqüência direta da pobreza na vida cristã, pois como dizia Arthur Skevington Wood: “Leva-se uma vida inteira para preparar um sermão, porque é necessária uma vida inteira
para preparar um homem de Deus”. Enquanto a espiritualidade da Igreja estiver em baixa, a pregação, por mais espiritual que ela pareça ser, não passará de palavras jogada ao vento. Não basta uma pregação erudita, mas a erudição deve ser acompanhada de contrição, humildade e oração, pois bem escreveu E. M. Bounds: “Dedique-se ao estudo da santidade de vida universal. Sua utilidade depende disso. Seus sermões duram não mais do que uma ou duas horas; sua vida prega a semana inteira.”
Hoje existem muitas igrejas que oram “bastante”, são campanhas atrás de campanhas, mas essas orações não passam de busca “dos próprios deleites” ou de “determinações” de bênçãos. Ora, a oração sem a busca da face de Deus é uma característica do evangelicalismo contemporâneo. Uma igreja que ora errado, logo terá pregadores pobres.

B) A falta de preparo para pregar.

Erudição, esmero e homilética não são inimigos da espiritualidade. Um mito vigente na igreja brasileira é que quem se prepara muito para pregar, terá uma pregação “não ungida”. Isso é mera desculpa de pregador preguiçoso. Você, leitor, já deve ter visto alguém dizer: - “Quando cheguei aqui não sabia o que ia pregar, mas assim que subi nesse altar o Espírito Santo me revelou outra Palavra” ou “Eu não preparo pregação, o Espírito de Deus me revela”... São frases irresponsáveis e brincam com o Espírito Santo, atribuindo a Ele sua preguiça de passar várias horas em estudo e oração para pregar a Palavra.
Hoje, pregar com esboço em papel é quase um pecado em muitas igrejas; alguns olham com “cara feia” para os que levam algo escrito em sua homilia. Será que não sabem que um dos sermões mais impactantes da história, foi literalmente lido pelo pregador. Esse sermão era “Pecadores na mão de um Deus irado”, que Jonathan Edwards pregou em 08 de Julho de 1741 na capela de Enfield. O biógrafo de Edwards, J. Wilbur Chapman , relatou:

Edwards segurava o manuscrito tão perto dos olhos, que os ouvintes não podiam ver-lhe o rosto. Porém, com a continuação da leitura, o grande audi­tório ficou abalado. Um homem correu para a frente, cla­mando: Sr. Edwards, tenha compaixão! Outros se agarra­ram aos bancos, pensando que iam cair no Inferno. Vi as colunas que eles abraçaram para se firmarem, pensando que o Juízo Final havia chegado.[1]

C) Ter uma visão pragmática sobre a pregação.

Para muitos, uma pregação só é válida se houver resultados. As pessoas não querem saber se o conteúdo da pregação é biblico ou herético, mas preferem esperar pelos resultados propagados pelo pregador. A primeira motivação dos pragmáticos é buscar a praticidade, portanto o pragmatismo é casado com o imediatismo, onde tudo tem quer ser aqui e agora.
O conceito de pregação “ungida” é bem pragmática, pois para boa parte da comunidade evangélica, a boa pregação tem que envolver o emocional, nesse contexto nasce frases do tipo “crente que não faz barulho está com defeito de fabricação”. Se não houver choro, gritos, pulos ou outras manifestações “espirituais”, a pregação perde o seu valor para aos cristãos atuais.
Pregadores pragmáticos gostam de ver seus ouvintes interagindo exageradamente no culto. É constante dos pregadores mandarem as pessoas glorificarem e até falar em línguas. Nesses cultos a justificativa para essas ordens é que “quando a glória da Igreja sobe, a glória do céu desce”. Não há respaldo bíblico para esse tipo de pensamento que é passado como algo bíblico. A emoção e as experiências fazem parte da vida cristã, mas não devem normatizar a liturgia ou direcionar os crentes, pois os verdadeiros cristãos tem a Palavra de Deus, e somente Ela, como regra de fé e prática.

D) Pastor-professor X pregador-ator

Eis o dilema existente no evangelicalismo moderno. O pastor-mestre foi substituído pelo pregador-carismático-ator. O mestre que orientava a sua congregação nas Sagradas Letras, sendo um homem de estudos e contemplativo, era característico de piedosos servos de Deus, como Charles Spurgeon, Jonathan Edwards, D. L. Moody etc.
O púlpito tem sido morto pelo estrelismo de pastores-atores, que confundem a plataforma da igreja com um palco para entretenimento, são pessoas que pregam o que a congregação quer ouvir e fazem de seus carismas uma imposição de sua pessoa. Quem estuda a história da igreja, verá que os piedosos servos de Deus, da Reforma as Grande Despertamento do século 18, eram homens de grande interesse pela pregação expositiva, onde o texto fala por si só. A partir do século 19, os sermões são cada vez mais temáticos e os pregadores mais articulados no estrelismo.
O Movimento Pentecostal peca, e gravemente, em não valorizar os sermões bem preparados e articulados, ungidos pelo Espírito Santo, para edificação da congregação. Em uma piedade aparente, muito exaltam a ignorância como virtude, justificando os sermões artificiais, sem profundidade e recheados de chicles, modismos e até heresias.

Referência Bibliográfica:


1. BOYER, Orlando. Heróis da Fé. 15 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p. 03.

O AVANÇO DOS CRENTES - CAPA da revista VEJA em 1981- Será que mudamos em algo?


O avanço dos crentes

Sob a luz do Espírito Santo e
com um código que proíbe o fumo
e a bebida, o pentecostalismo já
converteu 8,5 milhões de brasileiros


O alagoano Manoel Raulino do Nascimento, de 46 anos, estivador no porto de Santos, fumava e bebia regularmente até a semana passada, quando ouviu a voz do missionário Manoel de Mello, fundador da Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil para Cristo, num disco em que relata sua peregrinação por Jerusalém. Um brilho nos olhos, Nascimento avançou sobre um maço de cigarros, jogou-o sobre as brasas do fogão a lenha, agarrou a garrafa de cachaça sempre ao alcance da mão e entornou na pia seu conteúdo. Ele ficara impressionado sobretudo com a descrição do túmulo de Jesus Cristo, visitado pelo missionário durante os sete dias de jejum e oração a que se submeteu em Jerusalém. E resolveu incorporar-se ao rebanho de 8,5 milhões de pentecostais, ou "crentes", espalhados pelo país, segundo cálculos da Sociedade Bíblica do Brasil e da Confederação Evangélica do Brasil.

A conversão de Nascimento tornará algo mais árida sua vida terrena: ele terá de vestir o apertado figurino usado por seus companheiros de fé. Os pentecostais - que devem seu nome ao dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo teria aparecido aos apóstolos na forma de línguas de fogo - não podem dançar, não vão ao teatro nem freqüentam sessões de cinema. Também não usam roupa de banho, lêem quase que exclusivamente livros religiosos, rezam pelo menos duas vezes ao dia e entregam à seita a que pertencem o dízimo - 10% seus rendimentos mensais. São muito severos na educação dos filhos e de um rigor absoluto no que se refere à fidelidade conjugal. Enfim, só admitem o sexo como instrumento de procriação.

Apesar dessa escassez de atrativos mundanos, o número de pentecostais tem acusado saltos espantosos nas últimas décadas - e é provável que os cálculos disponíveis no momento sejam amplamente superados pelos resultados do censo de 1980. Afinal, só a Igreja Evangélica Assembléia de Deus, a maior das diferentes seitas pentecostais catalogadas no país, pastoreia 2,5 milhões de fiéis. E a Igreja O Brasil para Cristo, a segunda em importância, guarda na sede nacional, em São Paulo, um fichário com 1 milhão de fiéis.

Ao pé da letra - Essa imensa família descende do minguado grupo de evangelizadores americanos que, em 1910, desembarcaram no município paranaense de Santo Antônio da Platina. " O povo achava que a gente não tinha a cabeça no lugar", lembra Maria Silveira Mascaro, filha de Felício Mascaro, o primeiro cidadão brasileiro convertido ao pentecostalismo. "Eles eram exóticos demais para preocupar as igrejas protestantes tradicionais", explica Waldo César, autor de "Urbanização e religiosidade popular" (Revista Vozes, n.º 7). Compõem o protestantismo tradicional - detectado no Brasil há 150 anos, a partir sobretudo da imigração alemã - batistas, presbiterianos, metodistas, episcopais, congregacionais e luteranos. Entre estes figura, por exemplo. o ex-presidente da República Ernesto Geisel.

Os crentes se consideram protestantes, mas diferem de seus irmãos de credo principalmente por interpretar a Bíblia ao pé da letra e entender que tudo o que ocorre de bom no mundo é obra do Espírito Santo. Os pentecostais acreditam na iminência da vinda de Jesus Cristo ao planeta, "para o estabelecimento de um reinado de 1.000 anos na Terra", e criticam o que chamam de "mundanismo" dos demais protestantes. Sua pregação parece ter dado certo desde o começo: dez anos depois do desembarque dos pioneiros evangelizadores em Santo Antônio da Platina, os pentecostais já haviam erguido cinqüenta templos em solo brasileiro.

A semente caiu em solo fértil. Os templos eram 267, em 1930; 912, em 1940; 1.929, em 1950; 4.583, em 1960; e 11.118 em 1970. Hoje, há 26.000 templos no país, mais de 1.000 deles em São Paulo. Nesse mesmo perímetro urbano da maior cidade do maior país católico do mundo, o Vaticano comanda só 353 paróquias e 400 igrejas e capelas. Os templos pentecostais são freqüentemente acanhados, quase sempre pintados de azul e branco, e ficam engastados na periferia das cidades. Multiplicam-se num processo semelhante ao da divisão celular: um pastor com espírito de liderança e algum carisma abandona uma igreja já consolidada, cuja liderança dividia com outros pastores, e funda seu próprio templo. Muitas prosperam também economicamente. A Igreja de Nova Vida, uma pequena seita, ergueu no bairro carioca de Botafogo um templo de sete andares, com refrigeração interna, mármore italiano e vagas na garagem para cinqüenta carros.

Empregadas exemplares - Em 1930, os pentecostais representavam apenas 9,5% dos protestantes brasileiros. Um recente levantamento do sociólogo Francisco Cartaxo Rolim, da Universidade Federal Fluminense, constatou que eles somam agora 70% desse total. Rolim descobriu, também, que a maioria dos convertidos não foi capturada ao protestantismo tradicional. Ele encontrou 57% de ex-católicos, 4% de antigos umbandistas, 3% de batistas, 2% não tinham religião anterior, 1% haviam sido espíritas e o resto saíra do próprio protestantismo. "Os pentecostais são, geralmente, pessoas que migraram do campo para a cidade", diz Haroldo Murá, 41 anos, editor do jornal católico A Voz do Paraná, de Curitiba, e um estudioso da religiosidade popular. "Na cidade, o camponês perde os amigos, os pontos de apoio, larga os tênues vínculos que o uniam ao catolicismo", pondera Murá. "Precisa de calor humano, de solidariedade. Assim, torna-se presa fácil dos valores pentecostais."

Convertidos à nova fé os crentes ampliam, no plano espiritual, a esperança de salvação e, no material, a chance de conseguir certos empregos. "As empregadas crentes são mais recatadas, não têm vícios, não saem à noite, não faltam ao serviço", depõe Lucy Dias de Lima, proprietária da Lovelucy, uma das mais procuradas agências de empregadas domésticas de São Paulo. Mas os templos das seitas vão progressivamente deixando de ser freqüentados apenas por vidas apagadas que subitamente se acendem com a luz divina. A Terceira Igreja do Evangelho Quadrangular, em Curitiba, hasteada no bairro de Água Verde, tipicamente de classe média, tem convertido profissionais liberais, médicos, advogados, engenheiros, funcionários públicos graduados e, de uns tempos para cá, juízes de Direito.

Um desses magistrados é Altair Costa Souza, 51 anos, cinco filhos, que acaba de se aposentar como titular da 4ª Vara da Família de Curitiba. Filho de católicos, ele se converteu ao pentecostalismo ao visitar ocasionalmente o templo da Igreja do Evangelho Quadrangular. Em 1980 foi sagrado pastor e, no início deste ano, abriu seu próprio templo. "Depois que aceitei Jesus como único e suficiente salvador", diz Souza, "nunca me faltou a paz." Ex-freqüentador de colunas sociais, o juiz hoje anda com uma Bíblia permanentemente a tiracolo e ganhou fama no Tribunal de Justiça por conseguir a maior média de reconciliações entre casais prestes a separar-se.

Animadores de auditório - Magistrados, de qualquer forma, são ainda poucos entre os crentes, um universo em que tanto fiéis como pastores têm geralmente modestíssima posição social. Aos pastores não se cobra diploma algum - basta que saibam ler e escrever. O resto fica por conta do Espírito Santo, que faz seus devotos compreenderem tudo quanto está dito na Bíblia e compensa eventuais deficiências culturais. Tecnicamente, o pastor figura no topo da hierarquia pentecostal, alguns degraus acima de presbíteros, diáconos e auxiliares leigos. O pastor goza de autonomia quase completa em seu templo e só está impedido de trocar-lhe a denominação, vendê-lo ou consagrar ministros. Essas são atribuições exclusivas da congregação estadual de cada seita, uma espécie de colégio de pastores. A liturgia tem pouca rigidez, circunstância de que se valem os pastores para comportar-se à maneira de animadores de auditório. São diálogos sempre previsíveis:

- Se Jesus é por nós... - sugere o pastor.

- Quem será contra nós? - devolve o rebanho.

Estabelecida a empatia, pastores e fiéis protagonizam surpreendentes happenings pentecostais. Falam línguas estranhas (o dom da "glossolália", conferido aos apóstolos em Pentecostes), às vezes inexistentes e ininteligíveis. Jogam-se no chão, incorporam e desincorporam demônios, e, sobretudo, contracenam em curas milagrosas.

Prioridade para os ciganos - Bíblia nas mãos, pregadores pentecostais se incorporam diariamente à paisagem das praças mais movimentadas das grandes capitais - os homens vestindo invariavelmente paletó e gravata, as mulheres sem qualquer pintura e metidas em vestidos fora de moda. Depois das praças, estão nos presídios os palcos favoritos dos pregadores. Até há dois anos, o ex-presidiário Sebastião Oscar, convertido à Igreja do Evangelho Quadrangular quando ainda estava na cadeia, era o único pregador pentecostal a visitar os 900 presos da Penitenciária de Piraquara, a 25 quilômetros de Curitiba. Agora, divide seu rebanho com cinco pastores de seitas concorrentes.

Os ciganos também têm prioridade nesse esforço de catequese. A Obra Missionária Cigana, fundada em Salvador pelo pastor Eraldo Alves dos Santos, já batizou - sempre por imersão, como manda a liturgia - quatro ciganos, os primeiros remanescentes dessa raça convertidos ao pentecostalismo na América do Sul. "Ao todo já contatamos uns 1.000 ciganos", calcula o pastor. Mais: até o fim do ano será lançada urna ofensiva destinada a "levar os ensinamentos de Jesus" a ciganos de Alagoas, Sergipe, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.

Essa ofensiva certamente recorrerá a programas de rádio, hoje o mais poderoso instrumento de evangelização usado pelos pentecostais. Há mais de 200 programas convencionais - em que um pastor reza e põe no ar "testemunhos" de curas - em pelo menos 100 emissoras de rádio de todo o Brasil. Mas começam a ser inovados, como já acontece na Rádio Continental do Recife. Em vez de sucessos do momento, a parte musical compõe-se de salmos, solos de harpa ou piano, hinos religiosos de cantores obscuros. Enfim, patrocinadores do gênero não costumam figurar na programação normal. Assim, fabricantes de cigarros e bebidas cedem espaço a patrocinadores com nomes tão evangélicos quanto os artigos que vendem: "A Trombeta de Sião", "Galeria Brilho Celeste" ou "Aurora do Céu".

Visões e profecias - O investimento que mais dividendos rende aos pentecostais, entretanto, é a doutrina da cura peIa fé. Algumas seitas, como a Igreja Deus É Amor, liderada pelo missionário David Miranda - "missionário" é o nome dado ao pastor que cria uma seita -, denunciam com espalhafato a possibilidade de curas divinas. Logo à entrada do templo da sede nacional da Igreja Deus É Amor, em São Paulo, há uma parede ornamentada por centenas de muletas e aparelhos ortopédicos.

Em todo culto pentecostal, há sempre um horário reservado aos chamados "testemunhos": qualquer fiel pode agarrar o microfone e relatar curas maravilhosas, visões e até profecias. "As pessoas que vêm aqui saram, engordam, progridem na vida, pagam mais comida para os outros", diz o garçom Manoel Nino Sobrinho, adepto da Igreja Deus É Amor, no Rio de Janeiro. Para o crente, a cura pela fé é algo tão singelo quanto reduzir uma dor de cabeça com a ingestão de uma aspirina.

Em 1974, a Igreja Deus É Amor preparou a inauguração de seu primeiro templo em Curitiba anunciando pela Rádio Marumby, a cada 15 minutos, "a falência dos hospitais de Curitiba após a nossa chegada". Naturalmente, nenhum hospital fechou por falta de pacientes; o que houve foi um áspero atrito com o Conselho Regional de Medicina e o arcebispo católico de Curitiba. Os crentes, na verdade, votam uma pesada desconfiança à ciência médica. Em junho passado, o pastor Luís Carlos Saladar, da Igreja Independente, foi expulso da Santa Casa de Misericórdia de Livramento, na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, depois de pilhado na tentativa de convencer uma paciente a abandonar o hospital e recorrer ao "pronto-socorro do Espírito Santo".

Desencanto com o Concílio - A Igreja Católica acompanha com atenção e certa inquietude a escalada do pentecostalismo - uma cópia da pesquisa de Rolim, por exemplo, estacionou recentemente na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília - também porque, ao contrário dos protestantes tradicionais, a maioria das seitas pentecostais quer distância do ecumenismo vaticano. "O movimento pentecostal tem sido objeto de discussões em nossas assembléias-, informa dom Avelar Brandão Vilela, cardeal-arcebispo de Salvador e primaz do Brasil. O que mais intriga a CNBB é o fato de um número crescente de brasileiros, oriundos principalmente das classes menos favorecidas, entregar-se a seitas que considera à margem da realidade política, social e econômica do país.

"Os pentecostais afirmam que não é o homem que transforma a sociedade", diz Rolim. "Para eles, Deus é quem age no mundo. A sociedade se transformará se cada um se entregar a Jesus Cristo." Rolim detectou entre os católicos convertidos ao pentecostalismo um certo desencanto com a tendência que levou a Igreja Católica a colocar em segundo plano, depois do Concilio Vaticano II, a devoção aos santos, às velas, às procissões, enfim, alguns dos mais antigos símbolos da religiosidade popular. "O pentecostalismo supre essa ausência porque mexe com o lado emocional dos fiéis", constata Rolim.

Em 1976, o falecido professor Douglas Teixeira Monteiro, da Universidade de São Paulo, observou que a Igreja Católica enfrentava "uma situação de mercado onde tem que disputar fiéis em condições de igualdade. às vezes até de inferioridade, notadamente nos grandes centros urbanos". Os crentes, todavia, encaram com naturalidade o milagre da multiplicação dos fiéis. "A expansão pentecostal é um dos muitos sinais de que estamos nos aproximando do fim do mundo", interpreta o pastor Adão Garcia, da Igreja Evangélica Pentecostal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. "A Igreja Católica esqueceu a assistência espiritual."

Obediência à autoridade - É certamente um exagero deduzir que a Igreja Católica perde fiéis apenas porque se dessacraliza. Mas é incontestável que, num momento de crescente polarização política de bispos e padres, os pentecostais se multiplicam oferecendo exclusivamente as vantagens da vida eterna. A opção da Igreja Católica pelos pobres terá certamente reforçado a fé em grandes contingentes de praticantes da classe média. Mas, para muitos pobres, essa opção só adquire contornos práticos se lhes

dá vantagens materiais ou espirituais. É aí que a dessacralização católica, independente de seu conteúdo, torna fértil o campo dos pentecostais, pois o fato de um bispo defender os pobres não é suficiente para torná-los menos pobres. O pastor, ao contrário, oferece exclusivamente o reino dos céus, permitindo aos pobres pensarem que o dia de sua riqueza, mesmo em outra vida, está mais próximo.

O professor Áureo Bispo dos Santos, da Universidade Federal da Bahia, lembra que os pentecostais são historicamente obedientes à autoridade, seja qual for a ideologia dos detentores do poder. "Aceitamos poderes constituídos como divinos e não há contestação, apenas obediência de sua parte", diz Santos. De fato, até hoje nenhuma dessas seitas teve qualquer problema de natureza política com o governo brasileiro. Ao contrário: no Pará, após os últimos choques entre comunidades eclesiais de base e sacerdotes católicos com o governo, pastores da Igreja Assembléia de Deus têm aceitado de bom grado substituir padres cerimônias oficiais e em bênçãos a novas obras públicas.

O sucesso alcançado pelo modelo de evangelização pentecostal é tão evidente que já começa a influenciar algumas igrejas batistas e presbiterianas - e mesmo a Igreja Católica. Neste último caso, o modelo crente influencia sobretudo o Movimento de Renovação Carismática, surgido no começo da década de 60 na Universidade Católica de Notre Dame, nos Estados Unidos. Os "carismáticos", ou "pentecostais católicos", pregam "a renovação do uso dos carismas do Espírito Santo. Ao menos por enquanto, a hierarquia católica não os condenou. Os carismáticos começam a atuar em Campinas, São Paulo, sob a liderança do jesuíta Harold Rahm. Essa influência do pentecostalismo sobre outras religiões é ainda incipiente. Mas configura um indicador da força de uma igreja que, somadas todas as seitas nela incluídas, só é menor que a católica - e promete continuar crescendo.


fonte:http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/capa_07101981.shtml

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Fogo sem santidade


Nadabe e Abiú, entretanto, caíram mortos perante o SENHOR quando lhe trouxeram uma oferta com fogo profano, no deserto do Sinai. Números 3.4

Creio que a expressão "brincar com fogo" é muito conhecida.. Sempre ouvi da minha mãe a recomendação para não brincar com fogo, pois isso era perigoso.

Não foi diferente com os filhos de Arão, Nadabe e Abíu. Há muito que brincavam de sacerdotes, há muito que pensavam que o fato de fazerem parte da congregação, da liderança religiosa, que por possuírem uma herança religiosa, isso lhes garantiria imunidade. Porém quando se apresentaram diante de Deus com fogo profano, fogo estranho, Aquele que sonda as mentes e corações, que tem o olhos como chama de fogo, que perscruta todas as coisas, os matou.

Há muito fogo no meio do povo de Deus. Mas não é o fogo do Espírito Santo. É fogo estranho, é fogo profano. Há muito fogo no meio da igreja brasileira. Mas, é a fogueira das vaidades, de pregadores que buscam a sua glória e não a do Senhor; que buscam fazer o seu nome conhecido e não o Senhor Jesus Cristo. Que valorizam mais a publicidade do que a piedade.

Há muito gente que prega um evangelho "homeopático" isto é, muito diluído. É um evangelho sem cruz, sem entrega, sem renúncia, sem arrependimento. É um evangelho sem "graça", uma verdadeira des-graça, é um evangelho de troca, de comércio.

Tristemente, há muita gente se iludindo. Há muita gente indo atrás de nuvens sem vento. Por isso, há muita decepção. Há muita gente que é produto de marketing, que faz propaganda enganosa. Tudo para obter sucesso, reconhecimento dos homens, mas, sem reconhecimento de Deus.

Têm fogo mais não têm santidade; conhecem a glória dos homens, mas não conhecem a glória de Deus. A respeito desses, disse Paulo profeticamente: "Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos. Tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder." (I Tm. 6.10 e II Tm. 3.5)



Rev. Kleber Nobre de Queiroz

Pastor da 1ª Igreja Presbiteriana Independente do Natal

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Desafios da Liderança Cristã

Pr. Walter Santos Baptista

A verdade é que entramos no século 21 com tremendos desafios para a liderança na igreja. Um deles é, no dizer de Warren Wiersbe uma crise de integridade. E ela atinge o cerne da autoridade e da liderança da Igreja de Jesus Cristo. Wiersbe lembra que Paulo exclamou com as veras da sua alma: "não me envergonho do evangelho!" E sugere que talvez o evangelho afirme: "(mas) eu me envergonho dos cristãos". Quanta coisa tem sido praticada em Nome do evangelho, com aparência de evangelho, com linguagem de evangelho, e tem dado como resultado superficialidade de convicções, confusão mental e espiritual, e enfraquecimento da fé porque os líderes, pastores ou não, têm aberto campo para a falta de ética, para a manipulação dos sentimentos, para a falta de integridade.

Excelente palavra a que traduz o conceito de integridade na língua hebraica: shalom, a qual é vertida para o português com alguns ricos significados, tais como "inteireza, integridade, plenitude, sucesso, salvação, saúde, prosperidade e, também Paz".

Não podemos fazer por menos: o instrumento que Deus tem para unir as pessoas, fatos e acontecimentos é a Igreja de Cristo. O líder há de ser íntegro, "limpo de mãos" (cf. Cl 1.9,10; 2.10; Sl 24.3,4), e "puro de coração" (cf. Sl 24.3,4). O líder cristão deve possuir uma mente como a de Cristo (cf. 1Co 2.16); sua vontade é honesta (Ed 9.6).

O fato é que na época de Jeremias a religião parecia com esta do século 21: o povo dizia crer, mas havia influência secularista, pois o que cria não fazia diferença quanto ao modo de viver. O ideal evangélico está expresso em 2Coríntios 5.17. Além disso, na época de Jeremias, a religião havia se tornado um "Grande negócio". É só conferir com as exclamações do profeta Jeremias que não tolerava os abusos como em
5.30,31 e Lamentações 4.13. Tudo isso é o que A. W. Tozer chamou de "tratamento comercial" do evangelho. Esse mesmo "tratamento comercial" é responsável pelo pragmatismo religioso: "visto que a igreja está cheia, Deus está abençoando", afirmam.

Outro desafio às portas do século 21 são os novos estilos de culto. O que em outros países é denominado histórico ou contemporâneo, em nosso país é objeto da pergunta "tradicional ou renovado?" Outras comunidades têm utilizado a terminologia Culto Jovem contrapondo-se ao estilo recebido de liturgia e rito.

É evidente que o culto é mensurado pela transformação causada nos que cultuam a Deus, e há de ser sempre "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24), ou não há de ser culto. É gratidão, reconhecimento, louvor, e (embora não seja o propósito primário) terapêutico. Ao tempo que o cultuante reconhece o cuidado, carinho e amor de Deus, louva-O e sai aliviado das tensões, dos cuidados e preocupações, terapia grupal no louvor comunitário.

O culto, por ser dinâmico, envolve mudanças, mas envolve igualmente o que nunca deve ser mudado. Deus não muda; as verdades eternas não mudam; a Palavra de Deus não muda. Questiona-se a ressurreição de Jesus Cristo, a realidade do pecado, a necessidade de salvação, e a singularidade da obra redentora de Cristo. Mas o método pode mudar porque não são estáticos, mas se adequam aos tempos e circunstâncias.

A liderança da igreja às vésperas do século 21 há de estar aberta para o novo sem perder a visão do permanente na igreja. Afinal, somos líderes e capacitadores numa comunidade local sem perder a visão do todo da Igreja de Jesus Cristo; e capacitadores e líderes da Igreja de Deus sem perder a visão da comunidade como expressão local dessa Igreja. Numa análise do que chama "a Igreja do Futuro", Ralph W. Neighbour destaca que a "Igreja do Presente" se caracteriza por ser tridimensional: tem largura, comprimento e profundidade, mas não possui poder espiritual para Dar à luz outra geração de cristãos. A "Igreja do Futuro", além dessas dimensões, tem mais uma: altura, ou seja, vive num mundo físico, de três dimensões como a outra, mas vive em acréscimo num ambiente espiritual onde "principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniqüidade" são diariamente enfrentados.

É o caso, então, de examinar o que Neighbour destaca quanto ao que caracteriza essa Igreja dinâmica, ativa, viva, quadridimensional:

· O Espírito Santo é Quem a dirige. É só permitir que Ele a controle nos termos de Efésios 3.16. A Igreja e sua liderança não são significativas pelo que possuem, mas porque são usadas por Deus.

· Essa Igreja vive na quarta dimensão, sem qualquer alusão à ideologia esposada pelo pastor coreano David (antes Paul) Yongi Cho. Humanos, somos seres tridimensionais; mas como povo de Deus, e ainda mais, liderança desse povo, temos por conceito o sublime e urgente dever de ser quadridimensionais. Afinal, é nessa dimensão que o poder de Deus se revela e Satanás é vencido (cf. Jo 3.3; Ef 2.18,19). Onde se enfatizam as três dimensões, a liderança trabalha para o povo; nas quadridimensionais, a liderança trabalha com o povo.

Não é de estranhar, portanto, que na Igreja onde se enfatizam as quatro dimensões a liderança seja composta por aqueles em quem os milagres de Deus acontecem de modo pessoal, e não de segunda mão. Ver a Deus, por exemplo, é experiência de primeira mão: Noé teve uma experiência sensorial com Deus e tornou-se o arauto divino para o arrependimento do seu povo (Gn 6.13); Abraão viu a Deus, e isso resultou num rompimento com a velha e surrada vida no politeísmo de sua terra natal (Gn 12.1ss); Jacó viu a Deus, e desde esse momento tornou-se "o princípe de Deus" ((israel, cf. Gn 32.22-32); Moisés viu a Deus e isso fez diferença na sua vida (Ex 3. 1-12; 34.29-35); Gideão que teve um encontro transformador com o Todo-Poderoso (Jz 6.11-24); Elias recuperou-se de um processo de depressão para a vitória porque viu a Deus (1Rs 19.8ss); Isaías nunca mais foi o mesmo depois da visão de Deus (Is 6.1ss); foi o caso de Paulo (At 9.1.ss). E "ver a Deus" dá novas energias. Quando se experimenta pessoalmente o poder de Deus, não se necessita ser aguilhoado para crer que todas as coisas são possíveis por meio de Cristo Jesus. Um líder que tenha tido uma visão definida de Deus será capaz de amar, terá todas as condições de repassar esperança, assim como capacidade de comunicar a fé.

Na verdade, só podemos influenciar e liderar outros até o ponto a que nós mesmos chegamos. Nesse ponto, vai se revelar o líder espiritual em contraposição ao líder natural. Segundo Sanders, o paralelo entre estas duas qualidades de líderes é o seguinte:

O Líder Natural

· É autoconfiante
· Conhece os homens
· Toma as próprias decisões
· Usa os próprios métodos
· Gosta de comandar os outros (e ser obedecido)
· É motivado por questões pessoais
· É independente.

Bem diferente, portanto, do Líder Espiritual, o qual:

· Confia em Deus
· Conhece os homens e conhece a Deus
· Faz a vontade de Deus
· É humilde
· Usa o método de Deus
· Busca obedecer a Deus
· É motivado pelo amor a Deus e aos homens
· Dependência de Deus

fonte:http://eticaeliderancacrista.blogspot.com/

Pastor: Seus Problemas e Valor


Um livreto que recebi da RBC (O seu pastor e você) traz uma proposta bem atual: valorizar os verdadeiros pastores.
Richard W. de Haan coloca, logo no início, sobre a relação entre o pastor e sua igreja:

se o pastor é jovem, não tem experiência; se o seu cabelo é grisalho, é velho demais para as pessoas jovens.
se tem 5 ou 6 filhos, tem demais; se não tem nenhum, está dando mau exemplo.
se condena o que é errado, começa a irritar; se não prega contra o pecado, eles reivindicam que ele está se comprometendo.
se prega a verdade, é demasiado ofensivo; se não apresenta "o conselho completo de Deus" é um hipócrita.
se dirige um carro velho, está envergonhando a sua congregação; se compra um novo, está criando afeição pelas coisas deste mundo.
E ele dá muitos outros exemplos...

De Haan se baseia no seguinte trecho do evangelho de João para resgatar a figura do pastor:

Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele.Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, (Jo 1, 6-8).
um homem: o pastor é um ser humano, tem suas próprias limitações. Mas sua audiência, vez por outra, solta um: "Nosso pastor é bom, mas...".
enviado por Deus: em Paulo, temos "porque não há autoridade que não proceda de Deus". Ainda mais uma autoridade que fala a respeito de Deus...
veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz: um ponto também muito importante para os dias atuais. Se o pastor não se coloca sob a autoridade da Bíblia e não proclama a vida de Cristo (e seus valores e sua ética) e a vinda do Reino, então ele não é pastor. Mas, sendo um pastor verdadeiro, ele é mais uma testemunha e a sua igreja deve também testemunhar a luz através de orações, atos e palavras de apoio entre seus membros e seu líder. A congregação é chamada para contribuir com seus conhecimentos e corações, não deixando seu pastor sobrecarregado e sozinho.

Para encerrar:

E hoje, sempre que você encontrar uma igreja com um pastor nascido de novo e dedicado, que se entrega com fidelidade à oração e ao estudo e pregação da Palavra, você vai descobrir uma comunidade de crentes que cresce, espiritual e vibrante. Mas quando uma congregação coloca tais exigências minuciosas sobre o seu líder, de que ele deve estar presente em toda reunião de comitê, em todas as atividades de comunhão e ser ativo em uma miríade de eventos cívicos, a ponto de sua vida de oração e de estudo da Bíblia ser interrompida, você vai encontrar uma igreja letárgica, morna, fria ou morta.

Fonte: http://nanieateologia.blogspot.com/2008/11/pastor-seus-problemas-e-seu-valor.html

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Breve Dicionário neocrentecostal

Fé - Crer absolutamente naquilo que o pastor/apóstolo diga.

Amor - Atender o chamado do líder de louvor e dizer para a pessoa ao seu lado: "Eu te amo em Cristo Jesus".

Promessa - Carro, casa, dinheiro.

Evangelismo - Mandar alguém ir à igreja.

Adorar - Chorar durante horas cantando algum tipo de música lenta e repetitiva.

Fidelidade - Qualidade mostrada no ato de dizimar/ofertar mensalmente.

Levita - Pseudo-músico que se acha superior aos demais por cantar/tocar.

Perdão - Ficar fora de comunhão durante um tempo variável de acordo com o pecado.

Comunhão - Não ter ninguém te acusando ou falando a seu respeito.

Profeta - Expert em leitura corporal e oratória.

Deus - O cara responsável por abençoar quando mandado.

Espírito Santo - Ser que faz as pessoas caírem e receberem novas unções.

Jesus - Um cara que fez o oposto do que deve-se fazer.

Inferno - Lugar para onde os que não estão na igreja(templo) irão.

Diabo - O culpado por tudo de ruim que aconteça.

Esperança - Ser tão rico quanto os apóstolos da TV.

Salvação - Alcançada indo à igreja e sendo fiel (vide fidelidade).

Unção - Algo que se recebe para se sentir superior aos outros.

Abençoado - Ser cabeça e não cauda.

Pecado - Infração cometida contra a igreja e variável com a cartilha.

Igreja - Templo luxuoso que exige fidelidade para sua manutenção.


fonte:http://rapensando.blogspot.com/

Senhor, Obrigado pelo herege!!!

Elienai Cabral Junior


Minha admiração pelos hereges é indisfarçável. Eles mexem com os meus desejos mais escondidos. São capazes de me sensibilizar mais que quaisquer outros. Falam a minha alma. Adrenalizam meus pensamentos. Suas déias desconcertantes é que me fazem continuar vivo.

Eu confesso, preciso de suas heresias como da endorfina espalhada pelo meu corpo ao fim de cada corrida. Como um prazer vital. A estética da alma. A cada exercício fico suado e mais feliz. A cada heresia, desestabilizado e mais humano.



Mas antes que minha declaração de amor e gratidão aos hereges seja confundida com um delírio, preciso expor meus motivos e compreensões. Estou certo de que ganharei sua companhia em meus afetos.




Heresia é uma escolha e essa é a sua gravidade. A conceituação não é aleatória. A palavra grega para a ‘heresia’ que conhecemos é /haíresis/, seu significado literal é ‘escolha’. Heresia é como chamamos algo que não deveria ser escolhido como algo a dizer. Herege é o que faz a escolha que, mesmo podendo ser feita, não deveria.




Mas heresia nunca é um nome que quem nela incorre se dá. É uma palavra que apenas se encontra na boca de quem se sente contrariado, nunca na boca de quem contraria. Herege não é como quer se sentir quem discorda de um pensamento.

Herege é como quem sofre a oposição de idéias precisa que se sinta quem ousa fazê-lo. Porque a escolha feita por quem sofre a sentença de que é um herege é a escolha de não se submeter à hegemonia representada por quem pode assim sentenciar. Portanto, heresia não é uma questão sobre a verdade das coisas. Mas sobre quem manda de verdade.


Rubem Alves fala dos fortes e dos fracos como uma relação marcada pela heresia. “A heresia é a voz dos fracos. Do ponto de vista dos sacerdotes, os profetas sempre foram hereges. Do ponto de vista dos fariseus e escribas, Jesus foi também herege. E, como as Escrituras sistematicamente se situam ao lado dos fracos contra os fortes, é melhor dar mais atenção às heresias do que às ortodoxias.

É preciso situar a heresia, portanto, nas relações de poder. Quem levanta a suspeita de heresia não é quem está ingenuamente interessado na verdade, mas quem precisa se livrar de alguém que ameaça sua condição de dono da razão. O herege assalta o que se sente no direito de ter a última palavra.


Quem se sente com a última palavra é aquele que pratica o poder mais que o pensamento. Quem pratica o poder busca sempre se afirmar em detrimento do outro, do diferente. É preciso esvaziar de valor aquele que ameaça sua condição de superioridade.


Declarar que alguém é um herege é bem mais que dizer que ele discorda de suas idéias. Mas é fazer convergir sobre ele toda a violência acumulada em uma sociedade por seus medos, culpas, inadequações, acidentes, injustiças, frustrações. O herege é como o “bode expiatório” de René Girard. Alguém sobre quem incide a violência de todos em um acordo social silencioso, em uma compensação inconsciente.

Como aconteceu na tradição cristã com a personagem Judas Escariotes, aquele que traiu. Todos vacilaram e negaram fidelidade a Jesus, mas apenas Judas encarnou, no imaginário coletivo, o mal da humanidade. Como as bruxas na Idade Média, responsabilizadas por todas as desventuras de uma sociedade, eliminá-las era livrar-se do próprio mal humano.


Com o herege parece ser repetida a mesma mística coletiva e
inconsciente. Ele é o culpado pela instabilidade da vida. Declará-lo
herege é eliminá-lo de sua influência no destino de uma comunidade, como quem se livra do próprio mal da humanidade. Em uma sociedade ocidental do século XXI a fogueira tornou-se simbólica, mas não menos violenta. Destruído em sua integridade, o herege tem sua humanidade apagada. Suas palavras são pulverizadas e perdem o poder legítimo de interação.


Alguém sob a suspeita de heresia é sempre ouvido por todos com pedras nas mãos. Como nas cenas freqüentes dos evangelhos, quando os religiosos acusavam Jesus de blasfemar contra Deus ao se afirmar como um ser que sua religião não concebia: Filho de Deus. Em suas mãos, registra bem o detalhe quem narra, já estavam as pedras preparadas para serem desferidas em punição contra o blasfemo. O herege é alguém cujas idéias são ouvidas com as pedras nas mãos.


Há quatro palavras que precisam se associar para uma melhor compreensão do fenômeno herege. Instituição, ortodoxia, contingência e heresia.A instituição é via de mão única para um ser finito não entrar em inércia. Ninguém segue em frente em nenhum projeto ou relação sem institucionalizar.

Ninguém precisa parar e organizar friamente uma instituição para que ela surja. Basta seguir em frente no desenvolvimento natural de qualquer projeto ou relação.

Porque instituir é estabelecer a memória de uma viagem feita em comum com outros viajantes. Esta memória é constituída pelos hábitos, critérios, compromissos, regras, objetivos e teorias confeccionados ao longo do caminho. Eles são o mapa do caminho que já se fez e o que ainda precisa ser feito.

Sem esses valores nos transformamos em Sísifos, cujos trabalhos nunca se concluem. Sísifo foi o deus da mitologia grega conhecido por sua esperteza.

Por várias vezes conseguiu enganar /Tanatos /e /Hades/, deuses da morte e dos mortos. Ao morrer de velhice, Sísifo foi condenado a rolar montanha acima uma pedra de mármore. Cada vez que se aproximava do topo a pedra rolava montanha abaixo de novo com uma força insuperável, obrigando a começar de novo sem nunca terminar a tarefa.


Uma instituição é assim. Uma igreja, para falar mais de perto, precisa de uma programação a ser cumprida como uma agenda sagrada. São seus cultos. De uma linguagem que expresse suas crenças nos cultos. É a sua liturgia. De um conteúdo que responda aos seus questionamentos. É a sua pregação. De idéias que solidifiquem sua fé.

São seus dogmas. De pessoas que zelem por seus valores. É a sua hierarquia. É a memória que se cria ao longo de um caminho de fé compartilhado. Esta memória é que dará condição de sustentar um projeto com o passar do tempo, conquistando a confiança daqueles que a ele aderem e que anseiam por estabilidade. Esta adesão em busca de estabilidade é que autoriza a instituição.


A autoridade de uma instituição é o modo como é mistificada. A
instituição, seja ela casamento, igreja, estado, partido político,
agremiação, clube, faz o discurso, sempre e necessariamente, convincente de que é a resposta mais confiável para satisfazer determinadas necessidades ou aspirações. É a resposta persuasiva de que veio para ficar de tão pertinente.

O que a torna, então, um valor que precisa ser religiosamente perpetuado, com o risco de se desperdiçar algo essencial para a vida. Não demoram tanto, muitos estarão persuadidos sobre sua hegemonia: ela é a melhor resposta.

Sua perpetuidade: parece que sempre foi assim e, portanto, não deve ser de outro jeito. Sua heteronomia (uma regra que vem de outro): um deus a determinou, logo, é sagrada. Sua intocabilidade: opor-se a ela é quebrar um ciclo sagrado e, por isso, provocar a ira dos deuses, ou de Deus.


Mas curiosamente, a força que a torna necessária, a princípio, é a mesma que a fará questionável, depois. A contingência. Essa é a dinâmica da vida, sua “irresistível leveza de ser”, como no romance de Milan Kundera. A vida é fluida demais para ser emoldurada por uma instituição. O que hoje é, amanhã não mais será. Lulu Santos e Nelson Mota compuseram uma das mais belas canções que conheço: “Como uma onda no mar”, nela os poetas retratam a fluidez da vida. Uma de suas estrofes diz: “Tudo o que se vê não é/ Igual ao que a gente viu a um segundo/ Tudo muda o tempo todo no mundo/ Não adianta fugir/ nem mentir pra si mesmo agora/ Há tanta vida lá fora/ Aqui dentro sempre/ Como uma onda no mar!”

A vida não se repete. É inédita, imprevisível e incontrolável. As necessidades que geraram determinada instituição e suas respostas ou deixam de existir ou mudam.

Tornam-se mais complexas ou sem importância diante das outras e novas necessidades. Se mudam as necessidades, ou se deixam de
existir para existirem outras, mudam também as perguntas ou novas questões se impõem. É nessa dinâmica que surgem os hereges, “como uma onda no mar”. Como aqueles que ousam sugerir as novas respostas para as perguntas que ninguém quer ouvir. Quebram o encanto da estabilidade falando do que não estava previsto ou do que não era plausível dentro das teorias da instituição.


O herege é um desritmado. Todos dançam na mística do que está
instituído, em seu único ritmo. O herege por razões várias sai do ritmo. Viveu uma crise, divagou em um insight, sentiu-se entediado e insatisfeito, intuiu variações possíveis.

Qualquer ou quaisquer coisas que quebrem a seqüência e a unanimidade podem fazê-lo perceber o diferente. Ao sair do ritmo descobre uma nova possibilidade de dançar no mesmo salão. Descobre o improviso e o contratempo. Percebe que é possível, faz sentido e é bom ser diferente.


Thomas Kuhn chama o fenômeno que inicia a quebra de um paradigma de anomalia, um fator não explicado satisfatoriamente pela Ciência Normal. Até que um cientista, desprovido de muitas explicações, movido mais por intuição que por certeza, arrisca uma outra e heterodoxa explicação.

Logo terá em torno de si outros cientistas que também trabalharão com o candidato a novo paradigma até que ele venha a se tornar a Ciência Normal. O herege é como o cientista que, diante do acúmulo de perguntas não respondidas, destoa arriscadamente do modo como se vinha fazendo e explicando as coisas.


Mas há ainda outra palavra a ser associada para a compreensão do
fenômeno herege, a ortodoxia. Ela é o discurso a serviço da instituição.

Tem o seu bom valor em seu tempo real. Em determinadas condições aquelas respostas eram boas o bastante para serem levadas a sério e às últimas conseqüências. Ninguém constrói uma crença sem acreditar que ela faz sentido, que precisa ser ampliada e deve ganhar a coerência interna de seus argumentos.

Tanto quanto é relevante o bastante para ser objeto de persuasão do maior número de pessoas. Mas o grande problema da ortodoxia não é ela mesma e sim os ortodoxos.


Os ortodoxos são aqueles que atrelam ao discurso da ortodoxia seus valores pessoais. Um discurso feito sempre se confunde com o valor próprio de quem o publica. Quem doutrina sente a necessidade de perpetuar o pensamento ora defendido como quem salva a própria pele. São os ortodoxos que por auto-afirmação precisam sustentar a hegemonia de um pensamento: uma ortodoxia.

A perpetuação de uma doutrina a todo custo é sempre auto-perpetuação. Os estudiosos da psicologia interativa tratam da relação da fala com as paixões ideológicas. Uma vez que alguém se pronuncie a favor de determinada posição tende a associá-la a seu valor pessoal e, em defesa deste valor, lutar incansavelmente. Por isso o engajamento e a passionalidade. Certamente é por essa razão que quando alguém discorda de uma ortodoxia sofre uma reação tão violenta dos ortodoxos. Porque feriu sua própria carne.


Sem os ortodoxos a ortodoxia seguiria seu curso finito e natural: a
morte. Mas como a morte de uma ortodoxia é o fim dos valores de um ortodoxo e de sua auto-perpetuação, é preciso impedi-la como quem luta contra a própria morte.


Com o desenvolvimento das novas tecnologias na medicina, passamos a conviver com mais uma difícil ambigüidade. Algumas pessoas, ao fim anunciado de suas vidas, que já deram sinais de extrema debilidade física e, às vezes, de morte ‘existencial’, porque já não mais respondem às conversas, nem demonstram qualquer afetação emocional, mas estão tecnicamente vivas, sobrevivem mecanicamente.

São assim mantidas pelo enorme recurso tecnológico da ciência médica, com os antibióticos cada vez mais potentes, os aparelhos que substituem o funcionamento de órgãos vitais e o monitoramento fino que rastreia qualquer aproximação da morte. É a morte adiada. A complexidade está em definir até que ponto se pode manter um corpo vivo artificialmente sem o comprometimento ético da vida.

Afinal de contas somos seres finitos e a morte é o destino natural de todos. Fico sempre com a sensação de que se macula a dignidade de quem precisa se despedir com naturalidade da vida, mas é tecnicamente impedido.

Decidir por não usar recursos que vão apenas adiar a morte e protelar uma vida vegetativa, já tão bem anunciada, é muito difícil. Mas pode ser uma alternativa mais digna e, por que não, mais reverente à vida. Sei que o assunto é mais complexo do que minha intenção de que apenas sirva como ilustração.


A ortodoxia parece seguir a mesma terrível ambigüidade. Já não responde mais ao seu tempo como outrora. Tem aporias diversas em seu interior que comprometem sua pertinência. Não se comunica mais com as pessoas ao seu redor. Mas é mantida viva pela mística da instituição e o monitoramento zeloso dos ortodoxos.
A ortodoxia morre existencialmente, asfixia quem a ela está sujeito, combate com altas doses de apologia seus oponentes, mantém com culpa muitos ao redor de si e impede que a vida prossiga com a fluidez que a torna tão surpreendente e bela.


A heresia é a reverência à vida quando se escolhe não adiar a morte de uma ortodoxia. São as línguas confundidas do mito da Torre de Babel na Bíblia. Desaba a torre com suas pretensões de poder eterno, mas a vida se espalha sobre a terra em sua rica diversidade.
A confusão da linguagem libertou a humanidade da escravidão da ortodoxia. E no mito babélico, Deus é o grande herege: /“Vinde! Desçamos! Confundamos a sua linguagem para que não mais se entendam uns aos outros. (...)Deu-se-lhe por isso o nome de Babel, pois foi lá que Iahweh confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra e foi lá que ele os dispersou sobre toda a face da terra.

Mas não foi a primeira e a única vez que Deus agiu hereticamente ou se colocou ao lado dos hereges. A história dos profetas confirma a sacralidade das heresias. Chama à atenção a profecia de Jeremias.

Enquanto grassa entre o povo a idéia otimista de que tudo estava bem e que o futuro seria de paz e prosperidade, Jeremias contrapõe. Denuncia as ruínas da nação dos judeus e anuncia a tragédia que bate a porta.

Todos se revoltam, alguém feriu a ortodoxia de uma ilusão. O profeta herege é lançado ao calabouço para que a sua voz não fale o que todos não aceitam que se diga. Somente depois, tudo o que o profeta-herege vaticinou fez sentido na mente de todos. Sem sua heresia, sequer haveria lucidez e aprendizado no meio da destruição da nação. Mas essa história é a história freqüente dos profetas, razão porque Deus se queixou do modo como o povo perseguia os profetas.


Mas a maior e redentora heresia de todos os tempos foi a encarnação de Deus. Deus feito gente, Cristo Jesus. Sua relação com a ortodoxia de então foi de profunda tensão: /“ele veio para o que era seu e os seus não o receberam. Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que crêem em seu nome.”

Jesus não foi o que a ortodoxia de sua religião e cultura determinava que fosse, uma reafirmação sobrenatural e violenta do judaísmo frente ao poder ultrajante dos romanos. Ele foi uma negação pacífica e radicalmente humana da pretensão sempre perversa de qualquer tipo de dominação sobre quem quer seja.


Não foi pela prática da força que Jesus anunciou a chegada do Reino de Deus. Ele escolheu praticar a fraqueza em uma cultura de forças, o amor que amadurece contra o poder que infantiliza. Acolheu a humilhação em uma disputa cujas armas eram a imponência e a ovação popular. Espalhava quando todos queriam aderir. Escondia-se quando todos reivindicavam visibilidade. Pedia silêncio quando os resultados serviam a mais poderosa propaganda.
Questionava e afligia as mentes quando muitos pressionavam pelas respostas simplistas e conclusivas. Era agressivo quando o mais politicamente estratégico era a polidez. Era Jesus quando todos esperavam um outro Cristo.


Jesus foi o vinho novo que reivindicou um novo odre, ou um tecido novo em negação aos remendos que apenas adiavam o fim de uma cultura e espiritualidade esgarçadas por suas contradições.


A cruz era a mão mais pesada do poder dominante. A mão forte do Império que só se justificava contra a mais terrível ameaça. Tanta força e violência convergindo sobre alguém tão frágil e suscetível – / "como uma ovelha muda que vai para o matadouro”, que não desejou os tronos instituídos de Roma ou dos judeus, tiveram ação reversa.

Refluíram contra os próprios autores, contra os poderosos de Roma e dos Judeus, como uma exibição de sua mesquinhez e tolice. A morte de Jesus foi a vitória da vida contra as forças mórbidas da ortodoxia. O Cristo morto desmascarou o perverso e tolo poder das instituições e ortodoxias sobre a vida e libertou a humanidade de sua tirania. O que parecia um poder inquestionável tornou-se um poder idiotizado.


A ressurreição de Jesus é muito mais que a vingança de Deus contra o mal. A ressurreição é insurreição. É Deus se insurgindo ao nosso lado contra toda e qualquer forma de sentença final sobre a vida humana.

Jesus ressuscitando é Deus se insurgindo a favor da vida. Contra todas as forças que pretendem congelar a vida para perpetuar poderosos. A ressurreição é a heresia de Deus contra a ortodoxia da morte.


Por isso, Senhor, obrigado pela heresia.




FONTE: www.elienaijr.wordpress.com

Outra liturgia para outra cultura



Eliel Batista


Todas as sociedades primitivas possuíam cerimônias especiais conhecidas como ritos de iniciação ou de passagem. Mais do que uma transição individual, os ritos representavam a sua aceitação e participação na sociedade.

Compreeder os ritos em sua essência, ajuda o ser humano a lidar bem com as mudanças da vida e a assumir novas responsabilidades. Ajuda também, a dar melhor historicidade e firmar valores pessoais.
Os rituais costumavam pontuar desprendimento, fechando um ciclo existencial e dando inicio a outro. O indivíduo deixava para trás coisas velhas para assumir outras novas.
Declarava-se no rito uma mudança de atitude e até mesmo de alteração de um grupo de relacionamento pessoal.


Vez por outra, o indivíduo chegava a trocar de nome o que representava uma radical mudança, uma declaração de ser uma nova pessoa a partir daquele instante.

Apesar do esvaziamento do significado original, alguns ritos ainda subsistem. Hoje em dia, as comemorações de 15 anos representam muito mais um evento social, do que o marco de uma nova fase na vida da mulher.

O batismo cristão serve como exemplo, de como com o passar do tempo, os ritos podem perder a força de seu real sentido. Visto apenas como uma pró-forma da religião, percebe-se por parte de um bom número de indivíduos, uma certa indiferença quanto ao compromisso de realmente cumprir a promessa feita diante da comunidade da fé. De igual forma, o casamento, mesmo diante de diversas testemunhas e documentos assinados, não inibe a facilidade de sua dissolução. Nas sociedades primitivas, a mudança ou promessa de um rito, era além de desejável, inquestionável, sagrada e uma obrigação impossível de se quebrar. Romper colocava em risco a sobrevivência da sociedade.

A prática de um mesmo rito difere de uma cultura para outra. Trote do vestibular, casamento, funeral e enterro, formatura, bodas, noivado, e diversos outros.
Cada um tem seu fundamento e serve para ratificar valores de uma sociedade. Por isso sua prática, a liturgia, precisa comunicar bem o propósito de sua existência. Sua execução precisa adaptar-se ao seu contexto cultural, para não perder o seu mais profundo significado.
Deveríamos como cristãos diante de nossa atual sociedade, nos perguntar se nossos rituais transmitem a mensagem de seu real símbolo?

A Ceia como exemplo:

Para uma cultura festiva em que comer junto significava a celebração da fraternidade, da vida, a abertura do privado para o outro, a ceia transmitia bem a mensagem de “koinonia”. Palavra normalmente traduzida por comunhão, mas cujo significado envolve muito mais, pois ela contém os conceitos de serviço, solidariedade, justiça, igualdade, fraternidade e mutualidade.

Em uma sociedade monárquica, com classes sociais distintamente extremadas entre nobres e plebe, não haveria melhor maneira de demostrar a maravilha do reino de amor e justiça, do que através de um ritual em que o soberano servisse o vassalo

Que significado teria a mesma ação em uma sociedade que se propõe igualitária?
Se nesta sociedade se valoriza mais o indivíduo do que a vida comunitária, e se sua cultura alimenta o egocentrismo, e o cidadão/consumidor tem seus direitos inalienáveis, o governante tem a obrigação de servir e é direito do governado ser servido.
Em nossa atual cultura o ritual da ceia transmite o significado de koinonia?

O amor para preservar sua essência precisa ser compartilhado ou deixa de ser amor. A ceia é um rito que simboliza o mais profundo amor.
Que tipo de significado tem para nossa sociedade um rito de doação, cuja prática em si transmite uma mensagem de recebimento?


Numa sociedade que luta pelos direitos individuais, como se deveria realizar um rito de caráter comunitário que significa doação e compartilhamento?

De maneira geral no atual ritual da ceia, cada crente permanece sentado em seu próprio lugar. Sem praticamente nenhuma interação com o outro, toma dos elementos das mãos de um único. Fecha seus olhos e numa postura isolada se concentra numa espiritualidade individual. A mensagem oral de comunhão é contraditada pela mensagem transmitida na prática do rito. Cada um é levado a se comportar individualmente como expectador da celebração.
Ela superestima a relação individual com Deus e subestima a relação comunitária com Deus. E uma não existe sem a outra. A ceia como parábola viva, deve revelar em seu ato, a verdade espiritual.
Se retirasse as palavras da ceia o que a liturgia transmitiria?

Penso a mensagem mais significativa da ceia como Corpo e Aliança.
Assim como Cristo se deu por nós devemos nos dar pelo outro, por isso a ceia transmite uma mensagem de um para com o outro: “este é o meu corpo dado a você” e de igual maneira “esta é a aliança que tenho com você”. Minha vida é sua e a sua é minha. Mensagem de pertencimento, pois há somente um pão e os que dele participam formam um só corpo. (1 Jo 3:16; 1 Cor 10:17)

Se toda nossa liturgia levar as pessoas a um comportamento de platéia, público, auditório e expectadores e somado a isto, se os figurais como púlpito, pregação, ministro de louvor, a disposição das cadeiras e o programa transmitirem uma mensagem de que alguns servem (ministram) e outros assistem, o tipo de envolvimento conseguido dos membros desta comunidade será apenas de expectadores.
Porque o rito e o ambiente promovendo mais o programa do que a vida comunitária e do que as relações interpessoais, num contexto que não compreende o programa como um serviço ou obrigação a Deus, pode-se acabar ressaltando no desenvolvimento social desta comunidade, um individualismo e descompromissado para com o outro.

A igreja precisa de um ambiente possível para que cada pessoa perceba que ela é única, mas não exclusiva.
Que cada crente ao sair de sua igreja, após aquele tempo maravilhoso de culto, esteja consciente de que pertence a um corpo, tem co-responsabilidades.
Penso que a mensagem oral e litúrgica da igreja deva desafiar as pessoas para que se abram para a vida e para o outro. Torne-as gente que crê apesar de suas fragilidades, limitações, e da volúpia do mundo injusto.
A graça é garantia suficiente do amor de Deus e se revela indiscutivelmente nas relações de fraternidade; de carinho.

Como penso a igreja do futuro (?).
- Um espaço de oportunidades para todos se compartilharem.


- O mestre aquele que desperta a vida de Cristo no discípulo e menos preocupado em passar conhecimento.



- O apologeta aquele que defende prioritariamente a vida e o amor, e com habilidade em colocar a doutrina a serviço dos homens. Que considere heresia o desprezo pela vida.



- Crente ou salvo aquele que torne em seu viver a realidade de Cristo e não aquele confessa um credo.



- O culto uma celebração da vida e contemplação de Cristo no outro.



- A confissão pública uma declaração de amor e comprometimento com Cristo e não um assentimento intelectual de uma declaração de fé.



- O pastor hábil na arte de acolher, menos orador e mais ouvinte.
- Ministro de louvor alguém com mais alma de poeta do que profissional da música.

Enfim, enquanto não desfrutamos do novo céu e nova terra onde habita justiça, vivamos cada dia com graça e esperança, produzindo paz e gerando vida.


Eliel Batista

FONTE: http://particulasdagraca.blogspot.com/

A divinização pastoral x demonização do crente



Antonio Carlos Barro e Jonathan Menezes


Apesar de que todas as evidências apontam para o contrário, todo ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus – imago Dei. Ter a imagem de Deus não significa ser como Deus, conforme propôs a serpente aos primeiros habitantes da Terra. Ter sido criado à imagem de Deus significa que o ser humano tem capacidade de exercitar alguns atributos que pertencem a Deus, tais como o amor, bondade, compaixão, misericórdia, e assim por diante. O exercício desses atributos não pode ser perfeito por causa da mancha do pecado no coração da humanidade.




Apesar de que todas as evidências apontam para o contrário, todo ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus – imago Dei. Ter a imagem de Deus não significa ser como Deus, conforme propôs a serpente aos primeiros habitantes da Terra. Ter sido criado à imagem de Deus significa que o ser humano tem capacidade de exercitar alguns atributos que pertencem a Deus, tais como o amor, bondade, compaixão, misericórdia, e assim por diante. O exercício desses atributos não pode ser perfeito por causa da mancha do pecado no coração da humanidade.

Nos tempos modernos temos presenciado um fenômeno estranho entre os evangélicos. Esse fenômeno tem duas vertentes. A primeira delas é a divinização do pastor ou do líder da igreja. Antes de outras considerações, voltemos no tempo por um pouco. No passado o pastor ocupava um lugar de destaque em sua igreja local, denominação e em sua cidade. Ele se ocupava principalmente em alimentar bem o seu rebanho, administrar a igreja, pregar, evangelizar e fazer visitas pastorais. O pastor era um sujeito pacato, trabalhador e cumpridor de suas obrigações. Não possuía grandes ambições, deixava que o conselho determinasse seu salário e morava na casa da igreja que servia também de ponto de apoio para os crentes que vinham ao centro da cidade. Era bem quisto por todos e gozava de respeito entre os seus concidadãos.

Com o passar dos tempos o pastor evoluiu (até para comprovar a teoria de Darwin, o que é uma ironia). A primeira evolução se deu quanto a sua auto-estima. Mudou a linguagem a seu respeito. O titulo de pastor ou reverendo ficou pequeno e já não cabia para nominar esse nobre filho de Deus. Outros títulos vieram e agora fazer parte do vocabulário do crente como se fosse à coisa mais comum do mundo: Apóstolo, primaz, bispo e bispa (sim até as mulheres foram agraciadas). Passou a ser referido como aquele que tem a autoridade, tem o cajado, o anjo da igreja, o ungido de Deus, o profeta de Deus, o mensageiro do Senhor e tantos outros.

Dessa auto-estima agora revigorada para uma opulência material foi apenas questão de tempo. Se nos idos da minha adolescência o pastor andava com seu Fusca, isso quando era pastor da igreja central, agora como filho do Rei ele não pode se contentar com menos do que uma BMW, uma Mercedes, ou outro carro que confira o status digno do cargo que ocupa. Com a auto-estima em alta, bens matérias fartos, o próximo passo foi o caudilhismo. Era inevitável. O pastor, antes aquele servo de todos, passa agora a ser senhor de todos (leia ou assista A Revolução dos Bichos). Ele manda e desmanda, dita ordens, impõe respeito com o seu cetro de ferro, diz quem pode namorar e com quem, quem vai casar e com quem, quando e onde. Autoriza viagens, decide qual casa o crente deve comprar, que carro dirigir, que escola colocar os filhos, com quais amizades deve romper.

O pastor assumiu o controle financeiro do seu crente, pede, ordena, exige que muito dinheiro seja dado na igreja justificando tudo em nome de Deus, do ministério, da evangelização, das almas que se perdem. Oferece em troca os favores divinos, as mansões celestes, o prazer terrenal, uma vida sem dores e sofrimentos. Aliás, isso é tudo o que um crente e qualquer outro ser humano desse tempo querem: uma vida cheia de vitórias, alegrias e triunfos, e, se possível, sem perdas ou sofrimento algum. Para Henri Nouwen, o cristianismo de nossos tempos procura desconectar-se completamente da realidade do sofrimento e da renúncia ou da vida abnegada. É um cristianismo que busca vitórias sem esforços. Almejamos, de acordo com Nouwen:

"Crescimento sem crise, cura sem dores, ressurreição sem cruz. Não é de admirar que gostemos de assistir a desfiles militares e de aplaudir heróis que retornam, operadores de milagres e recordistas. Também não é de admirar que nossas comunidades pareçam organizadas para manter o sofrimento à distância. As pessoas são sepultadas de maneira a disfarçar a morte com eufemismos e ornamentação rebuscada". (Transforma meu pranto em dança, p. 8).

Na visão de Nouwen, a maneira de Jesus é tão diferente. Ele não veio eliminar as dores, mas ajudar-nos a enfrentá-las com o realismo e a esperança que a vida nesse mundo requer, na perspectiva da graça e do amor de Deus, que padece junto com o sofrimento da humanidade. Isso está no Evangelho, não se trata de invencionice humana. Mas quem disse que o que é genuinamente do Evangelho atrai as pessoas de hoje, tão desejosas que estão de felicidade a qualquer preço? O pastor, sabendo bem disso, tem se transformado num contorcionista do "evangelho": torce, retorce, repuxa, e transforma a mensagem em algo mais bonito e aceitável, e ainda chama isso de "evangelho pleno". Mas "pleno" mesmo, só se for de fanfarronisse teológica ou de sinistrose diabólica.

O pastor divinizou-se, aceitou o oferecimento da serpente. Se o pastor é agora um ser divino, para que o seu "ministério" se realize ele não medirá esforços para demonizar o seu crente. O crente, há algumas décadas atrás, somente tinha olhos para a sua igreja, onde freqüentava com assiduidade a escola dominical, cultos, a reunião de oração da terça-feira à tarde e o culto da quarta-feira à noite. Havia ainda uns cultos evangelísticos nos lares, onde um presbítero ou diácono se encarregava de realizar os trabalhos.

Contudo, semelhantemente ao que ocorreu com o pastor, também o crente evoluiu. Deixou de ser aquela pessoa retrógrada, esquisita, que estava sempre evangelizando as vizinhas, que cumpria seus compromissos, que não comprava a prazo e, se comprasse, saldava suas prestações. Era respeitado como honesto, trabalhador e pessoa de fino trato. Hoje o nosso crente é urbano, acompanha a moda, é versado em BBB, novelas, não aporrinha os vizinhos com mensagens bíblicas e nem fica distribuindo Bíblias e folhetos. Tornou-se muito inteligente, pois prefere não somente o céu, mas também o melhor da Terra.

Apesar de tudo isso, os pastores e líderes divinizados fazem de tudo para demonizar o crente lembrando-lhe dos seus defeitos, mazelas e faltas. Lava o cérebro do crente martirizando-o quanto a sua falta de fé, oração débil, e compromisso financeiro sem coragem. Quanto mais demonizado é o crente, mais necessário se faz a presença de um líder divino. Muitos chamam esse tipo de violação de "abuso espiritual". Para Ken Blue, o "abuso espiritual acontece quando um líder investido de autoridade espiritual usa essa autoridade para coagir, controlar ou explorar um seguidor, causando-lhe ferimentos espirituais". ( Abuso Espiritual, p. 10).

E a grande arma do abuso espiritual e do autoritarismo pastoral é o "legalismo". Nossas igrejas estão cheias dele. É uma praga, uma peste que tem contaminado a muitos pastores e, como corolário, a seus crentes. O legalismo pode ser visto como "a expressão da compulsão de líderes na busca de segurança e previsibilidade. Pensam que se eles puderem fazer cumprir uma lista exaustiva de faça isso, não faça aquilo, conseguirão ter aquela segurança e previsibilidade pelas quais eles anseiam". ( Abuso Espiritual, p. 44). E, em muitos sentidos, têm conseguido. O crente parece não se importar em reter apenas a querela "vomitada" do púlpito de seu pastor (se é que poderia cair outra coisa), desde que esse alimento seja o suficiente para que se mantenha num estado de segurança existencial e dependência (demência) espiritual em que não tenha de decidir, sofrer nem tampouco pensar por si mesmo. Desse modo, o legalismo na igreja se retro-alimenta: o pastor necessita impor regras e fazer joguinhos espiritualóides com o crente a fim de manter-se no controle, e o crente precisa de um pastor que lhe diga exatamente o que, como e quando fazer, sempre é claro com o aval "espiritual" de que aquilo é bíblico (ainda que não seja, e muitas vezes não é) e representa a vontade de Deus.

Mas o legalismo não é algo novo, um produto desse tempo. No Novo Testamento vemos o quadro mais claro de quem eram seus conspícuos representantes: os fariseus, mestres da lei, escribas, e os judaizantes do tempo de Paulo. Não vejo Jesus sendo um pouco sequer indulgente com essa corja de "pastores". Pelo contrário, ele põe o dedo na ferida e aponta tremendas contradições existentes neles. Enquanto se apegam às suas tradições como carrapatos num cão, negam e subvertem o sentido da própria lei, que afirmam defender: "É bem isto, rejeitais o mandamento de Deus para guardar a vossa tradição... anulais a palavra de Deus com a tradição que vós transmitis" (Mc 7. 9, 13).

Isso me lembra Paulo quando escreve aos Gálatas, perplexo com a facilidade com que aqueles haviam se desviado da verdade do Evangelho, de sua vocação para a liberdade, para se render à escravidão da Lei, da justificação por esforço próprio. Ele diz: "De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na Lei; da graça decaístes" (Gl 5.4). E, contra os judaizantes, os líderes que faziam aqueles cristãos tropeçarem, ele dispara: "Tomara até que se mutilassem os que vos incitam à rebeldia" (Gl 5.12). Tanto como em Jesus, não vejo em Paulo a menor comiseração ao se referir a esses líderes-abusadores do rebanho. Jesus compara essa corja aquela a qual Isaías se referia dizendo: "Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim; é em vão que me prestam culto, pois as doutrinas que ensinam não passam de preceitos de homens" (Mc 7. 6-7).

Um dos objetivos do pastor deveria ser o de gerar filhos na fé bem nutridos, maduros, que pudessem caminhar com as próprias pernas, sem necessitar de cabresto ou leitinho "espiritual" na boca; de tal modo que, num futuro não muito longínquo, pudessem debater com seu pastor de igual pra igual, sem hierarquia, não só sobre bíblia e teologia como sobre a vida de modo geral. É o mestre sendo alcançado e até superado pelo discípulo. Quimérico? No mundo de hoje, sim, infelizmente. Armadilhas do sistema eclesiástico, como observa Eugene Peterson: "Enquanto que a comunidade míngua, a ansiedade por liderar cresce, mas é comum essa liderança destruir a comunidade, reduzindo as pessoas às funções que desempenham. Quanto mais "eficientes" nossos líderes se tornam, menos vida em comunidade nós temos". ( O pastor desnecessário, p. 189).

Logo, esse crente moderno sofre de inanição espiritual, tornando-se cada vez mais oco, cujo fim do abismo ainda está longe de ser encontrado. Por ser um tolo e ignorante do projeto de Deus para a sua vida, ele permite que um outro exerça o controle sobre sua vida ao ponto de cegar o seu entendimento. Perde a autocrítica e, como num passe de mágica, deixa de existir. Não pode rebelar-se contra os ensinos do pastor-deus. Tem medo de ser castigado e de perder as bênçãos. Finalmente, não aceitando a dignidade ofertada por Cristo, apanha com as mãos cheias aquilo que o Cristo rejeitou da serpente quando foi tentado no deserto, quem sabe focado na "restituição" prometida, riqueza e prosperidade material – aberrações dessa época.

Na percepção de Michel Quoist: "À força de desejar os bens materiais, de lutar para obtê-los, de tentar usufruir deles o homem acaba por cair progressivamente na incapacidade de imaginar para sua vida outra finalidade que não essa. E essa é a tragédia de seu destino". Esse autor ainda acrescenta: "A riqueza e o poder material não são males em si; o mal consiste em acreditar que são a condição da verdadeira grandeza". ( Construir o homem e o mundo, p. 68, 70).

É preciso tomar cuidado sempre e exercitar o bom senso, o discernimento espiritual. Segundo Quoist, existe uma beleza diabólica que seduz, aprisiona e desencadeia a guerra ( Construir o homem e o mundo, p. 112). O crente deve precaver-se desse tipo de beleza que muitas vezes é estampada no rosto falso dos profetas modernos. A Bíblia orienta muito sobre isso, mas parece-nos que a essa orientação não faz efeito e o crente não atenta para ela. Veja, por exemplo, que Paulo, escrevendo a Timóteo, diz: "rejeita as fábulas profanas..." (1Tm 4.7). Ele ainda orienta seu discípulo "para advertir a alguns, que não ensinem outra doutrina" (1Tm 1.3). Existe, portanto, essa forte possibilidade de se ensinar algo que não tem nada com a Bíblia e com o Evangelho de Jesus Cristo. Mas se o problema se resumisse somente aos pregadores isso seria até fácil de ser consertado. Essa facilidade não existe porque, como dissemos, os crentes desejam e necessitam desse tipo de líderes. O mesmo Paulo escrevendo ainda a Timóteo diz: " Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas" (2Tm 4.3-4).

Essa concupiscência a que se refere Paulo é epithymia, que significa "desejo por aquilo que é proibido" e esse comichão nos ouvidos literalmente significa o "desejo de ouvir coisas agradáveis". Ou seja, aqui se aplica aquele ditado popular: "juntou a fome com a vontade de comer". O crente que passa pelo processo de demonização não é inocente, como muitas vezes ouvimos por aí. Ele sabe o que está fazendo. Todo líder ou pastor divinizado sabe a respeito dessa necessidade que o populacho evangélico tem. Assim sendo, entregará aquilo que mais se busca. Mas, como ainda diz Quoist: "O verme que se acha dentro da fruta, mais dia menos dia fura a casca e a podridão se espalha do interior para o exterior". ( Construir o homem e o mundo, p. 112).

Todavia, para nós, o resultado mais grave dessa trama é o largo sorriso do Diabo. Sorri ele porque vê a igreja perdendo a sua essência, a essência missionária. Analise o movimento missionário brasileiro e veja a perda daquilo que foi conquistado a partir dos anos 1970. A igreja aceitou o desafio de enviar missionários, aceitou o desafio de transformar a sociedade, de viver a utopia do Reino de Deus. E hoje? Hoje a igreja é motivo de chacota e largos risos por parte da sociedade. Pouca gente tem coragem de acreditar nessa igreja que aí está.

Por isso, cremos que antes de orar por um avivamento é necessário reformar a igreja. Deus precisa levantar homens e mulheres que não se rendam a esse jogo sujo e medíocre chamado por muitos de "evangelho", pois não se trata do Evangelho de Cristo. E não sendo o Evangelho de Cristo, você não precisa (nem deve) se comprometer com ele e nem se acovardar em denunciá-lo.



* Os autores são professores da Faculdade Teológica Sul Americana (www.ftsa.edu.br)




Fonte: www.vidaacademica.net

terça-feira, 25 de novembro de 2008

REDESCOBRINDO VALORES DA VERDADEIRA ADORAÇÃO!!!

REDESCOBERTAS PROVOCAM RECONQUISTAS!!!!


Redescobrindo valores da verdadeira Adoração!!!

Amigos quero convidá-los a que nestas poucas palavras, possamos analisar alguns pontos importantes a serem redescobertos em nossas vidas para que ai sim, possa ocorrer um genuíno avivamento;

Tendo sempre em memória que redescobertas provocam reconquistas, é aí onde o que se perdeu, é achado, e o que se foi, volta. (I Sam. 7:10-17).

É tempo de vivenciarmos a plenitude da ascenção espiritual em nossas vidas, para tanto, precisamos, atentar para alguns pontos, os quais chamo atenção para os abaixo citados:

1) REDESCOBRIR A SANTIDADE: esperemos que não ocorra em nossas vidas como o ocorrido de forma trágica, citado em I Sam. 6:20; Sede Santos porque eu sou Santo, Diz o Senhor!

2) REDESCOBRIR A ORAÇÃO: era e é o maior recurso usado para buscarmos a Deus. (I Sam. 7:2); Como dizemos a oração é a chave da vitória, nos leva a uma intimidade, um diálogo bem intimista com o Pai;

3) REDESCOBRIR A NECESSIDADE DA CONFISSÃO DE NOSSOS PECADOS: (I Sam. 7:6); Aquele que confessa e deixa alcançará misericórdia, abra seu coração, que não venhamos a carregar “pecadinhos de estimação”, pois nos impedirão de vermos o Pai;

4) REDESCOBRIR A NECESSIDADE DA CONVERSÃO: Nos livrarmos do mundanismo, materialismo, e aplicarmos os nossos corações ao Senhor tão somente ( I Sam. 7.4); que estejamos sempre separados, como luz a brilhar em meio a escuridão, sabendo que a nossa força geradora de energia é o Espiríto que se move em nós, por isso não há necessidade em trazermos apetrechos mundanos à nossa vida.

Que eu e vc querido amigo leitor, possamos, erguer um monumento, um marco em nossas vidas, após a análise e aplicação pessoal das observâncias acima, sob a direção divina e nomeá-lo também de Ebenézer e então após observarmos estes itens acima, citados como integrantes da redescoberta da ascenção espiritual em nossas vidas;

Tenhamos a certeza de que estas redescobertas em nossas vidas, produzirá amor, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gal. 5:22).

Como os Israelitas obtiveram vitória permanente sobre os Filisteus (“...pois eles, Filisteus, foram dominados e não voltaram a invadir o território israelita...”), recuperaram cidades, tomadas por eles e alcançaram um período de paz com outros inimigos (“...e houve paz também entre Israel e Amorreus ...”).

Por fim, o Senhor quer nos dar vitória permanente, restituir as perdas sofridas ao longo do caminho, de nossa peregrinação, e nos levar nesta jornada rumo ao descanso eterno, nos levar a uma ascenção espiritual em nossas vidas, então, pela fé, ergamos “ uma pedra de ajuda”, em nossas vidas, que sempre possamos levantar as vozes e clamar Ebenézer!!!!

Deus os abençoe.
Em Cristo,

William Pessôa

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Em tempos como estes, o que pregar?


Nestes dias sinto-me compelido a revisar novamente as verdades elementares do Evangelho. Em tempos de paz nós podemos nos sentir livres para fazer passeios em distritos interessantes da verdade, que ficam em lugares longínquos, mas agora temos que ficar em casa, e guardar os corações e os templos da igreja, defendendo os primeiros princípios da fé. Nesta era, têm surgido dentro da igreja homens que falam coisas perversas. Há muitos que nos perturbam com suas filosofias e “interpretações de romance”, pela quais eles negam as doutrinas que professam ensinarem, e minam a fé que prometeram guardar. É bem que alguns de nós, que sabemos o que cremos e que não temos nenhum significado secreto em nossas palavras, devamos apenas firmar nossos pés e manter nossa posição, segurando firmemente a Palavra de vida, e declarando nitidamente as verdades do Evangelho de Jesus Cristo.

- C. H. Spurgeon
(traduzido por Vinícius M. Pimentel)

REPENSANDO A AMIZADE

Amizade é um tema bem amplo e, muitas vezes, esquecido, sem muita reflexão de nossa parte. Como bem destacou C.S. Lewis, poucos poemas ou romances modernos celebram o amor encontrado na amizade. Talvez, o real motivo por trás dessa desvalorização da amizade seja o fato de que raros são aqueles que a experimentam realmente.

É comum nos encontrarmos, em momentos, refletindo sobre a dificuldade de achar bons amigos. Como gostaríamos de experimentar a amizade de Davi e Jônatas! Mas, como isso parece impossível! Raramente, pensamos que o problema se encontra em nós, geralmente, são os outros que "não estão à nossa altura". A grande verdade é que a Bíblia nos fornece exemplos diversos de amizade e mostra a possibilidade de desenvolvermos relacionamentos com profundidade e lealdade. Nem todos serão amigos íntimos, com quem rasgamos nossos corações, mas, certamente, há aquele "mais chegado do que um irmão".

Quando avaliamos o propósito e objetivo de uma amizade, não podemos deixar de fazê-lo a partir das Escrituras. Elas são as lentes pelas quais enxergamos a vida, pois somente elas nos conduzem à perfeição das ações que Deus requer de nós (2 Tm 3.16, 17).

Diante, disso, nosso propósito maior em tudo o que fazemos deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31). Ao dar a Sua vida pelos seus amigos, Jesus estava promovendo a glória do Pai (Jo 15.12-13 com 17.1-4). A fim de atingir este propósito, a Bíblia nos orienta sobre alguns objetivos que devemos buscar com a amizade.

Em primeiro lugar, a amizade deve focar o aperfeiçoamento do caráter daqueles com quem compartilhamos momentos juntos (Pv 27.17). Tal aperfeiçoamento deve caminhar rumo ao caráter de Cristo (Rm 8.29). Isso requer de nós esforço impulsionado e experimentado pela esfera de vida no Espírito Santo (Rm 14.17-19). Contribuir para o crescimento espiritual de meu amigo e irmão em Cristo inclui tanto apontar erros que precisam ser corrigidos (Pv 27.5-6; Gl 6.1-2) quanto ser presente nos momentos difíceis (Pv 17.17).

Um segundo objetivo que devemos focar numa amizade é desenvolver o amor sacrificial pelos outros. A Bíblia diz que o solitário está em busca apenas de seus próprios interesses (Pv 18.1). Quando imitamos o amor sacrificial de Cristo por nós, tendo essa mesma atitude na direção de nossos irmãos, então, verdadeiramente se evidenciará que somos discípulos do Mestre (Jo 13.34-35). Nós amamos porque Deus nos amou primeiro (1 Jo 4.9-10, 19).

Este amor é visível em nós quando somos humildes na nossa atitude para com os outros, considerando os outros mais importantes que nós, focando nas necessidades do outro, antes que nas minhas (Fp 2.3-8). É perdoar nossos amigos quando estes falham conosco, evitando a difamação e amargura (Ef 4.31 – 5.2; Fp 4.2-3).

Tiago Abdalla

terça-feira, 11 de novembro de 2008

PNEUMATOLOGIA REFORMADA, DE VERDADE!

DEFINIÇÕES E DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS
Augustus Nicodemus Lopes

O que é ser "reformado"?
A primeira questão com a qual nos defrontamos ao abordar o tema desse pequeno ensaio é a de definir exatamente sobre o que estamos falando. O nosso assunto gira em torno da compreensão reformada sobre a pessoa e a obra do Espírito Santo.

Mas, o que queremos dizer por "reformada"?
Não existe unanimidade entre os que se consideram herdeiros da Reforma protestante quanto ao sentido do termo. Historicamente, o termo "reformados" foi usado a princípio indistintamente para todos os protestantes, calvinistas, luteranos e zwinglianos. Com as controvérsias entre eles sobre a Ceia, "reformados" passou a designar zwinglianos e calvinistas somente, em contraponto aos luteranos. E com o arrefecimento da importância de Zwinglio no cenário protestante, "reformados" passou a designar os calvinistas. Portanto, é historicamente correto afirmar que um entendimento reformado sobre o Espírito Santo tem a ver primaria e basicamente com a teologia calvinista sobre o Espírito Santo. Hoje em dia, muitas igrejas e denominações se utilizam do nome "reformada", mesmo que já tenham abandonado em grande medida partes fundamentais da teologia calvinista, inclusive a pneumatologia. O mesmo acontece com alguns pastores que consideram-se reformados apesar do fato de que não são calvinistas em sua doutrina. Assim, embora para alguns hoje ser reformado seja pertencer a uma igreja que historicamente descende da reforma protestante, ou ainda manter o espírito reformista que marcou os reformadores, é mais exato dizer que o conceito está ligado às principais convicções doutrinárias dos reformadores, particularmente às de João Calvino.

Consequentemente, uma pneumatologia reformada é necessariamente aquela adotada pelas igrejas que são herdeiras do Cristianismo bíblico. É uma pneumatologia originada nas Escrituras e defendida por Agostinho, Calvino, e os puritanos, tendo sua expressão adequada nas confissões de fé reformadas. É uma pneumatologia derivada de uma leitura das Escrituras a partir dos pressupostos principais que guiaram esses homens, a começar com o alto apreço pelas Escrituras como Palavra de Deus, inspirada e infalível, e única regra de fé e prática da Igreja. À luz desta visão podemos definir pneumatologia reformada como sendo aquela compreensão da pessoa e da obra do Espírito Santo que parte da revelação divina grafada nas Escrituras, lida e interpretada da ótica da hermenêutica reformada, tendo como alvo a glória de Deus e o avanço do seu reino neste mundo.

Se considerarmos que apenas os que se mantém leais aos principais pontos da doutrina calvinista podem ser realmente chamados de reformados, verificaremos que são poucos os verdadeiros reformados. Escreve o ex-calvinista Clark Pinnock:

Tenho a forte impressão, confirmada até mesmo pelos que discordam dela, que o pensamento de Agostinho está perdendo sua influência nos evangélicos de hoje. Não são apenas os evangelistas que estão pregando um evangelho arminiano. É difícil até mesmo achar um teólogo calvinista hoje que esteja disposto a defender a teologia reformada em seus detalhes mais peculiares, em particular as opiniões de Calvino e Lutero. Eu não estou sozinho, especialmente agora que Gordon Clark faleceu e John Gerstner aposentou-se.

Numa época em que o número de "reformados" comprometidos com a teologia calvinista é tão pequeno, não é de se estranhar que tendências teológicas, filosóficas e hermenêuticas, trazidas no bojo do pós-modernismo e do crescente movimento neopentecostal, se infiltrem nas igrejas historicamente reformadas, e descaracterizem, onde aceitas, a compreensão correta acerca do Espírito Santo. Tais ameaças já estão presentes, e que aparentemente vieram para ficar por um longo tempo. Entende-las agora é essencial para a preservação da identidade reformada quanto à obra do Espírito Santo no mundo e na Igreja. No que se segue, procuro detectar e analisar alguns destes desafios

O Desafio Teológico: Pelagianismo

O que é o Pelagianismo
O primeiro desafio vem da área teológica, representado pelo pelagianismo, heresia antiga e já condenada pela Igreja, mas jamais erradicada do seu meio. O pelagianismo sustenta basicamente que todo homem nasce moralmente neutro, e que é capaz, por si mesmo, sem qualquer influência externa, de converter-se a Deus e obedecer à sua vontade, quando assim o deseje. Uma das grandes disputas durante a Reforma protestante versou sobre a natureza e a extensão do pecado original. Ele afetou Adão somente, ou todo o gênero humano? A vontade do homem decaído é ainda livre ou escravizada ao pecado? No século V Pelágio havia debatido ferozmente com Agostinho sobre este assunto. Agostinho mantinha que o pecado original de Adão foi herdado por toda a humanidade e que, mesmo que o homem caído retenha a habilidade para escolher, ele está escravizado ao pecado e não pode não pecar. Por outro lado, Pelágio insistia que a queda de Adão afetara apenas a Adão, e que se Deus exige das pessoas que vivam vidas perfeitas, Ele também dá a habilidade moral para que elas possam fazer assim. Ele reivindicou mais adiante que a graça divina era desnecessária para salvação, embora facilitasse a obediência.

Agostinho teve sucesso refutando Pelágio, mas o pelagianismo não morreu. Várias formas de pelagianismo recorreram periodicamente através dos séculos. Lutero escreveu um livro "A Escravidão da Vontade" em resposta a uma diatribe de Erasmo, onde o mesmo defendia conceitos pelagianos. Lutero acreditava que Erasmo era "um inimigo de Deus e da religião Cristã" por causa do ensino dele sobre o pecado original. É bom notar que o Catolicismo medieval, sob a influência de Aquino, adotara um semi-pelagianismo, mesmo que na antigüidade houvesse rejeitado o pelagianismo puro. Neste sistema, acreditava-se que o homem cooperava com a graça de Deus para a salvação.

No século XVIII, uma forma nova e levemente modificada de pelagianismo, apareceu, que foi o arminianismo. Existem algumas diferenças entre as duas posições, mas ambas são sinergistas (o homem coopera para sua salvação) e mantém o mesmo conceito de fé (uma decisão puramente humana de receber a Jesus Cristo, e não como um dom misericordioso de Deus).

A influência de Charles Finney
No século XIX, o evangelista americano Charles Grandison Finney reavivou o puro pelagianismo. Ele repudiou abertamente quase todas as principais doutrinas calvinistas (mesmo que tenha sido ordenado na Igreja Presbiteriana), em particular a doutrina de pecado original e da depravação total. É um grave erro histórico e teológico considerar Finney como "reformado" (alguns, exagerando, diga-se, nem desejam considerá-lo como evangélico). A metodologia evangelística de Finney teve tanto êxito, que ele se tornou um modelo para os evangelistas mais recentes. Embora o evangelicalismo americano não tivesse aceitado integralmente o pelagianismo de Finney, abraçou, entretanto, sua metodologia, uma forma de semi-pelagianismo que infectou a alma da sua teologia até o dia de hoje. Vários movimentos nasceram conscientemente da teologia de Finney, como a teoria do governo moral.

Ameaças à doutrina do Espírito Santo
O pelagianismo, em suas variadas formas contemporâneas, ameaça a doutrina reformada do Espírito Santo especialmente nas áreas da regeneração e da chamada eficaz, das seguintes maneiras:

a) Reduz a regeneração do pecador a uma decisão de sua própria vontade. Finney rejeitou a idéia de que a regeneração fosse um milagre, uma transformação sobrenatural produzida pela ação soberana do Espírito no coração dos eleitos. Para ele, regeneração era a decisão do pecador em se voltar para Deus e obedecê-lo. Não poderia haver nenhuma transformação miraculosa, pois não havia o que transformar, já que o pecador é moralmente capaz de obedecer a Deus. Após a negação de pecado original, foi somente um passo para que Finney negasse a doutrina da regeneração sobrenatural. O sermão mais popular de Finney, pregado na Igreja da Rua do Parque, em Boston, foi intitulado "Os Pecadores Devem Mudar os Próprios Corações". Para ele, não há nada na religião que ultrapasse os poderes ordinários de natureza. "Religião é obra do homem", disse ele. "Consiste tão somente no emprego apropriado dos poderes naturais. É somente isso e nada mais"

b) Reduz a chamada eficaz do Espírito Santo a uma mera persuasão moral. Para Finney, a obra do Espírito limita-se ao exercício de influências morais no pecador, mas "a conversão em si ... é ato do próprio pecador", afirma ele em sua Teologia Sistemática (p. 236). O ensino calvinista é que o Espírito de Deus, através do ministério da Palavra, chama irresistivelmente o eleito, regenerando-o e assim habilitando-o a responder positivamente em fé à oferta das boas novas do Evangelho. Essa chamada é irresistível, embora não se constitua uma violação da vontade do pecador. No conceito pelagiano (ou semi-pelagiano), o Espírito de Deus apenas se esforça para persuadir os pecadores, cabendo a estes em última análise a decisão e a capacidade de converter-se e tornar para Deus, exercendo fé em Cristo.

O desafio do pelagianismo em suas formas contemporâneas para a identidade reformada é alarmante. O pentecostalismo, em seu crescimento assombroso na América Latina e no Brasil, traz em seu bojo, além de várias outras ameaças e desafios, os principais conceitos do antigo pelagianismo, e desafia as igrejas reformadas a rever o conceito calvinista da atuação do Espírito Santo na regeneração e salvação do pecador. Os pentecostais são hoje mais de 450 milhões no mundo. Com o crescimento do pelagianismo no Brasil, a identidade reformada das igrejas que assim se consideram fica ameaçada, no que respeita à obra do Espírito Santo na conversão dos pecadores.

Mas o desafio maior vem de dentro das próprias igrejas históricas. Não são muitos os "reformados" que aderem coerentemente à doutrina calvinista da depravação total. Embora possam afirmá-la em princípio, acabam sendo incoerentes por também acreditar que o pecador tem a "capacidade moral de se voltar para Deus". Praticamente ninguém hoje declararia, "eu sou um pelagiano, ou semi-pelagiano", primeiro, por que toda a Cristandade condenou no passado essa heresia, e segundo, por que poucos que adotam esta linha têm idéia do que o pelagianismo significa. Muitos ministros de igrejas reformadas provavelmente ofereceriam as respostas corretas em um exame teológico, entretanto, operam em seus ministério como se essas convicções não tivessem absolutamente nenhuma conseqüência.

Os Desafios Filosóficos: Pluralismo e Pragmatismo

O pluralismo religioso
Um outro desafio de imensas proporções vem de duas filosofias características do período pós-moderno em que vivemos. A primeira delas é o pluralismo. Como o nome já indica, essa filosofia defende a pluralidade da verdade, ou seja, que não existe uma verdade absoluta, mas sim verdades diferentes para cada pessoa. Esse conceito é ambíguo, mas definitivamente já faz parte integrante da nossa cultura presente. Ele defende o relacionamento de pessoas com ideologias diferentes, sem que uma tenha de sujeitar suas convicções ao domínio da outra. A idéia de converter alguém às suas próprias convicções é politicamente incorreto. A chave está na valorização da negociação e da cooperação em lugar de se tentar provar que se está certo ou errado.

O pluralismo religioso, por sua vez, prega o abandono da "arrogância" teológica do cristianismo, nega que exista verdade religiosa absoluta, e exalta a experiência religiosa individual como critério último para cada um. Por exemplo, o padre católico Raimundo Panikkar, descendente de hindus, escreveu um artigo onde defende que isolacionismo já não é mais possível na sociedade globalista em que vivemos. Embora afirme que aceitar o pluralismo religioso não signifique o mesmo que aceitar o relativismo, deixa claro que a experiência religiosa individual é a chave para a convivência pluralista. Diz ele, "No momento eu estou experimentando o amor de Deus por mim em Cristo Jesus, e por este motivo eu sei com perfeita clareza que ele é o caminho, a verdade e a vida".

O pluralismo religioso defende uma nova teoria missiológica, onde não mais se prega a necessidade de conversão de outras religiões ao cristianismo, e sim a cooperação entre todas as religiões, naquilo que têm em comum. O pressuposto é que o cristianismo não é o único caminho para Deus, embora seja o melhor, e que Deus está agindo salvadoramente no âmbito de outras religiões, como as religiões orientais.

O pragmatismo religioso
A outra filosofia é o pragmatismo. Seu popularizador, o psicólogo americano William James, afirmou que idéias humanas eram verdadeiras se funcionassem ou fossem úteis para resolver problemas. Já que o funcionamento e utilidade das idéias variam de contexto para contexto, segue-se que a verdade é relativa. No dizer de Francis Schaeffer, é um sistema de pensamento que faz das conseqüências práticas de uma crença o critério supremo da sua verdade. O pragmatismo dominou rapidamente a cultura americana e estendeu-se para além das suas fronteiras. Adotar as coisas que realmente preservam a paz individual e uma situação financeira confortável, sem qualquer preocupação com princípios fixos de certo ou errado é evidentemente a idéia que controla procedimentos internacionais, domésticos e individuais. Princípios absolutos tem pouco ou nenhum lugar no pensamento ocidental moderno.

Não devemos, portanto, pensar que o pragmatismo é um fenômeno ocidental. Seu princípio fundamental é inerente ao coração humano. Uma das 4 premissas básicas do substrato filosófico e religioso da Ásia, por exemplo, pode ser resumida neste parágrafo: "É direito de cada pessoa religiosa aceitar e praticar qualquer maneira de viver que achar útil ao seu modo de pensar e às suas circunstâncias sociais peculiares".

Desafios do Pluralismo e do Pragmatismo para a doutrina do Espírito Santo
O pluralismo e o pragmatismo andam geralmente de mãos dadas. Onde o conceito de verdade absoluta deixa de existir (pluralismo), as pessoas e as organizações passam a orientar as suas decisões em termos daquilo que mais satisfaz as suas necessidades (pragmatismo). A combinação destas duas filosofias aparece claramente em vários movimentos presentes nas igrejas evangélicas, e representam um novo desafio ao cristianismo em geral e aos calvinistas em particular. A pergunta que as pessoas fazem com relação ao cristianismo não é se ele é a verdade ou não, mas simplesmente se funciona. Elas querem saber se vai mudar a vida delas para melhor, se Cristo realmente é poderoso para transformá-las, e pode dar-lhes paz, alegria, esperança e propósito às suas existências.

Ambas as filosofias trazem sérios desafios a alguns aspectos da pessoa e obra do Espírito Santo:

1) Quanto à extensão da operação ou atividade salvadora do Espírito Santo. O calvinismo ensina uma distinção nas operações do Espírito Santo, que está relacionada com os conceitos de graça comum e de graça especial. A graça comum refere-se à atuação do Espírito Santo no mundo em geral, preservando valores morais e trazendo benefícios materiais, sobre todos os homens indistintamente de suas crenças religiosas. A graça especial refere-se à operação salvadora do Espírito, restrita apenas aos eleitos, regenerando-os, iluminando-os e santificando-os pelo Evangelho de Cristo. O pluralismo religioso ameaça esse conceito, pois ensina que o Espírito de Deus age salvadoramente em todos os homens indistintamente de suas religiões, sem se restringir ao âmbito do cristianismo. Um exemplo de pluralista cristão que defende esse ponto é o ex-calvinista Clark Pinnock.

2) Quanto à relação entre a Palavra e o Espírito. O calvinismo ensina a relação indissolúvel entre a atuação do Espírito Santo e a Palavra de Deus. O Espírito atua graciosamente através da Palavra; por sua vez, a Palavra funciona como critério para reconhecermos a atividade do Espírito, em contraste com a atividade de espíritos malignos ou do espírito humano. O pluralismo e o pragmatismo ameaçam este conceito. O primeiro, porque divorcia a atuação salvadora do Espírito da verdade bíblica, como vimos no item anterior. E o segundo por enfatizar a validade de experiências religiosas à parte de seus conteúdos teológicos, ameaçando assim da mesma forma a relação entre o Espírito e a Palavra.

3) Quanto à soberania do Espírito de Deus em converter pecadores e aumentar a Igreja. Segundo o ensino calvinista, o aumento da Igreja através da conversão de pecadores é uma obra soberana do Espírito Santo, através dos meios secundários que Deus mesmo determinou. A Igreja deve evangelizar ardorosamente, dependendo porém da operação soberana do Espírito Santo quanto aos resultados. O pragmatismo representa um desafio para essa convicção calvinista, pois enfatiza o emprego de métodos, estratégias e técnicas tiradas do marketing secular e de ciências sociais como sociologia e psicologia, através das quais a igreja poderá crescer. O sucesso ou fracasso de igrejas locais no aumentar o número de seus membros é relacionado, não à soberania do Espírito de Deus, mas ao uso desses métodos. Embora calvinistas defendam o planejamento das atividades missionárias e evangelísticas da Igreja, têm entretanto sérias reservas quanto ao planejamento de resultados, uma estratégia que faz parte do pragmatismo do moderno movimento de crescimento de igrejas.

Influência generalizada do pluralismo e do pragmatismo entre os protestantes
O pluralismo e o pragmatismo têm infectado o cristianismo mundialmente. O tema da salvação em outras religiões foi discutido recentemente na Assembléia Geral do Concílio Mundial de Igrejas. O relatório apresentado trouxe debate considerável. Uma consulta teológica na suíça patrocinada pelo CMI, composta por 25 teólogos, trouxe as seguintes conclusões:

Através da história, pessoas tem encontrado a Deus no contexto de várias religiões e culturas diferentes.
Todas as tradições religiosas são ambíguas, isto é, uma combinação do que é bom e do que é ruim.
É necessário progredir além de uma teologia que confina a salvação a um compromisso pessoal explícito com Jesus Cristo.
Em algumas denominações o pluralismo tem sido proposto como filosofia oficial, como na Igreja Metodista Unida, dos Estados Unidos. Nas igrejas brasileiras que se consideram reformadas, a ameaça vem por diversas avenidas, trazendo sérios desafios à doutrina calvinista do Espírito Santo. Eis algumas dessas maneiras pelas quais o pragmatismo e o pluralismo têm invadido as igrejas históricas:

a) A adoção de uma liturgia neopentecostal, particularmente a ênfase na experiência. O culto hoje em igrejas evangélicas que adotaram esta ênfase, é geralmente uma adaptação comunitária do pragmatismo americano, onde todos fazem o que gostam, e todos gostam do que fazem.

b) O impacto do movimento de crescimento de igreja na área de missões e evangelização das denominações, missões paraeclesiásticas, e das igrejas locais. Mesmo as igrejas reformadas não tem escapado à penetração dessas influências mencionadas acima. Embora o movimento tenha levado a Igreja a repensar mais corretamente a sua metodologia missionária, por outro lado, tem provocado reações por parte de calvinistas quanto à seus pressupostos semi-pelagianos e sua metodologia claramente pragmatista.

A influência dessas filosofias pós-modernas pode ser percebida ainda de outra maneira. Uma equipe de pesquisa composta de 60 estudiosos e mais de 100 sócios completou um estudo sobre o presbiterianismo americano, no seminário presbiteriano de Louisville, nos EUA. Uma das suas conclusões é que no século XX a denominação sofreu de uma doença teológica, com muitos presbiterianos evitando posições firmes e claras na área teológica porque diferenças doutrinais tendem a produzir conflito ou divisão. Essa é a razão por que eles tentaram em anos recentes resolver problemas potencialmente divisivos em termos políticos e não teológicos.

A diversidade de perspectivas teológicas dentro das denominações presbiterianas tem origem na escolha enfrentada em 1927 pela Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos de América (PCUSA). A denominação teve que decidir entre subscrever a um conjunto fixo de doutrinas ou permitir uma diferença maior entre opiniões teológicas. A Igreja decidiu por não delinear as doutrinas exatas que todos os presbiterianos teriam que aceitar, uma decisão consistente com o presbiterianismo histórico daquele país. Debates doutrinários haviam sido freqüentes no passado, com divisões acontecendo sempre que as disparidades ficavam intoleráveis. A pergunta agora é se o pluralismo teológico produziu alguma teologia que tenha bastante substância. O pluralismo promete enriquecer a teologia mas na realidade tende a dilui-la em opções múltiplas que não são coerentes nem persuasivas. E a identidade reformada quanto à ação do Espírito tende a desaparecer.

O Desafio Hermenêutico: Neopentecostalismo

O que é o neopentecostalismo

Por neopentecostalismo quero dizer aqueles movimentos surgidos em décadas recentes, que são desdobramentos do pentecostalismo clássico do início do século, mesmo que abandonaram algumas de suas ênfases características e adquiriram marcas próprias, como ênfase em revelações diretas, curas, batalha espiritual, e particularmente uma maneira sobrenaturalista de encarar a realidade espiritual.

A hermenêutica destes movimentos é caracterizada por uma leitura das Escrituras e da realidade sempre em termos da ação sobrenatural de Deus. Deus é percebido somente em termos de sua ação extraordinária. Para o neopentecostal típico, Deus o guia na vida diária através de impulsos, sonhos, visões, palavras proféticas, e dá soluções aos seus problemas sempre de forma miraculosa, como libertações, livramentos, exorcismos e curas. A doutrina que define, mais que qualquer outra, as igrejas evangélicas no Brasil hoje, é a crença em milagres. É claro que não estou dizendo que crer em milagres seja errado. O que estou dizendo é que, na hora que a crença em milagres contemporâneos e diários passa a ser a característica maior da igreja evangélica, algo está errado.

Desafios para a doutrina do Espírito Santo
A hermenêutica sobrenaturalista do neopentecostalismo representa um desafio para a identidade reformada pois tende a menosprezar uma das doutrinas típicas do calvinismo, que é a providência de Deus. Partindo das Escrituras, os reformados usam o termo providência para se referir à ação de Deus, pelo seu Espírito, agindo no mundo através de pessoas e circunstâncias da vida para atingir seus propósitos. Esses meios não são intervenções miraculosas ou extraordinárias de Deus na vida humana, mas simplesmente meios naturais secundários. Os calvinistas reconhecem que Deus intervém miraculosamente neste mundo, mas sempre em regime de exceção. Normalmente, ele age através dos meios naturais.

O neopentecostalismo, por enfatizar a ação sobrenatural e miraculosa de Deus no mundo (a qual não negamos, diga-se), acaba por negligenciar a importância da operação do Espírito Santo através de meios secundários e naturais. Essa negligência torna-se mais séria quando nos conscientizamos que o Espírito normalmente trabalha através de meios secundários e naturais para salvar os pecadores. Acredito não ser difícil de provar que a esmagadora maioria dos cristãos foram salvos através de meios naturais – como o testemunho de alguém, a leitura da Bíblia, a pregação da Palavra – e não através de intervenções miraculosas e extraordinárias, como foi a conversão de Paulo.

Como resultado do sobrenaturalismo neopentecostal, as igrejas reformadas por ele afetadas tendem a considerar os meios naturais como sendo espiritualmente inferiores. Um bom exemplo é a tendência de não se tomar remédios, como sendo falta de fé. Um outro resultado é a diminuição da pregação do Evangelho como meio de salvação dos pecadores, e a ênfase nos milagres como meio evangelístico. Assim, a obra do Espírito na Igreja e no mundo através dos meios naturais secundários é negligenciada, com graves e perniciosos efeitos nas vidas dos que abraçam a cosmovisão neopentecostal.

Conclusão
Esses desafios à identidade reformada quanto à ação do Espírito Santo já se encontram presentes em nosso meio, e prometem persistir por ainda muito tempo. Alguns dos movimentos contemporâneos que trazem no bojo de seus pressupostos e de sua metodologia esses desafios, continuam a crescer no Brasil, e a influenciar as igreja reformadas. Esses movimentos, como o reavivalismo, crescimento de igrejas, batalha espiritual e ecumenismo forçam as igrejas reformadas a reavaliar o que crêem quanto à ação do Espírito na Igreja e no mundo. O desafio é que façamos isso procurando cada vez mais conformar essas crenças com o ensino das Escrituras Sagradas, a Palavra de Deus, e com a nossa tradição calvinista.

A GATA E A PORCA!!!!!!!!!!!

Spurgeon

Vejam uma gata. Que limpa criatura é! É interessante vê-la lavar o próprio corpo com a língua e as patas. Você, porventura, já viu uma porca fazer o mesmo? Nunca viu nem verá, pois isso é contrário à sua natureza. Ela prefere focinhar na lama. Ensine uma porca a lavar-se e a limpar-se como a gata - tarefa inútil. Você poderá lavar à força aquela porca; ela porém, voltará para a lama e sairá dali tão imunda como antes. O único modo pelo qual você poderá conseguir fazer com que uma porca se lave voluntariamenteseria transformá-la numa gata. Suponha que tal transformação se realize; então, aquilo que parecia difícil ou impossível tornar-se-á fácil e espontâneo.

Assim é com o ímpio. Você não poderá forçá-lo a ser santo, pois não tem como sê-lo; sua natureza o conduz para outro caminho. Todavia, guando o Senhor fizer dele um novo homem, então tudo será espontaneamente diferente. A nova natureza busca a santidade tão espontaneamente como a velha corre atrás da iniquidade.

Que benção receber a nova natureza!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

CATÓLICOS = EVANGÉLICOS???

Católicos idolatram santos e imagens.

Evangélicos idolatram a si mesmos e suas igrejas.



Católicos tem ladainhas, quanto mais falam, mais poder acreditam mover.

Evangélicos tem o poder rhema, quanto mais falam, mais poder acreditam mover.



Católicos tem visões, geralmente de santos.

Evangélicos tem visões, geralmente de demônios.



Católicos tem as tradições dos pais, invenção dos lideres.

Evangélicos tem as profecias, invenção dos “profetas”.



Católicos querem uma experiência com Deus, e fazem uma promessa a “santa”

Evangélicos querem uma experiência com Deus, e chilreiam em linguajar bizarro (ou pedem para alguém “orar por eles”, e caem no chão, com alguém segurando atrás).



Católicos compram indulgências, as relíquias sagradas, benzidas por algum capelão.

Evangélicos compram bênçãos, objetos ungidos, abençoados por algum “pastor”.



Católicos acham que precisam ser boas pessoas para ir ao céu.

Evangélicos acham que precisam freqüentar a igreja e serem boas pessoas para ir ao céu. (Ou seja, não vá e esteja em pecado!!!)



Católicos tem água benta, para se benzer.

Evangélicos tem óleo ungido, para receber a benção.



Católicos tem confissionários/autoflagelação, para ficarem limpos espiritualmente

Evangélicos tem exorcísmo/libertação/descarrego, para ficarem limpos espiritualmente.



Católicos tem a reza do Pai-Nosso, para tentar falar com Deus

Evangélicos tem a “Oração Forte”, para tentar falar com Deus.



Conclusão:



Embora haja pluralidade de rituais e crenças, a perdição é a mesma. Muda-se apenas o sotaque.



99,9% dos assim chamados “evangélicos” estão tão perdidos quanto os católicos – ou talvez até mais - pois eles acreditam estarem vivendo numa “espiritualidade superior”, e não precisam mudar em nada, rejeitando com ainda mais o simples Evangelho de Jesus Cristo.



Vemos então, quão grande a necessidade de missões.



E qualquer Cristão temente a Deus, deve evitar qualquer identificação com os neo “evangélicos”, pois isso mata sua alma, e o afasta de Jesus.



Que Deus nos abençoe, a medida que nós o obedecemos.



por Christian Reichel

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A (NOSSA) FÁBRICA DE ÍDOLOS. ( IDOLATRIA DE "SANTOS" VIVOS é o que nos diferencia dos CATÓLICOS)

A (NOSSA) FÁBRICA DE ÍDOLOS.

Uma das causas da perseguição à igreja de Cristo no primeiro século, fora porque os “cristãos de recusavam terminantemente a oferecer incenso nos altares devotados ao culto ao imperador romano”[1], mesmos estes sabendo que caso fosse oferecido incenso ao imperador, poderiam seguir uma segunda religião. Outro fator importante para que se desencadeasse uma perseguição à igreja cristã, fora a questão religiosa. Ou seja, a religião romana era extremamente idólatra, e seus templos eram abarrotados de ídolos para todos os lados. “A religião romana era mecânica e externa. Tinha seus altares, ídolos, sacerdotes, cânticos processionais, ritos e práticas que o povo podia ver”. A liturgia cristã era totalmente contrária à romana, ou seja, não existiam altares, ídolos, e sacerdotes. “Seu culto era espiritual e interno. Quando se punham de pé e oravam de olhos fechados, suas orações não eram dirigidas a nenhum objeto visível”. Esta atitude para as autoridades romanas, constituía-se em ateísmo.

Interessante é observar a situação da igreja evangélica brasileira atualmente. Não podemos nos considerar distintos dos romanos. Nossos cultos estão cada dia mais parecidos com os da liturgia religiosa pagã do império romano. Ou seja, é necessário que haja algo visível, como movimentos, curas, visões, revelações, para que o culto constitua-se definitivamente "culto". Os ídolos de mármore encontrados nos templos romanos, hoje são substituídos por ídolos de carne e osso. São os “apóstolos”, conferencistas, cantores, e cantoras que ocupam o lugar dos ídolos inertes romanos na liturgia cristã atual. Não há mais possibilidade de ocorrer um culto “aceitável”[2], sem que estes ídolos estejam incluídos. Sem eles, o culto torna-se "estapafúrdio", “frio”, e facilmente denominado como ateísta, pois obviamente que Deus não está neste ambiente, pois não há movimentos, não há "apóstolos", e não há milagres. Hoje é necessário a gruta dos milagres, a “unção” do óleo santo, a rosa ungida, a “unção” do riso, e as muralhas da vitória, para que o povo sinta (ou melhor, tentam sentir) a “presença” de Deus. Será que não conseguimos observar a trave que está atravessada, e que já feriu o bastante nossos olhos? Até quando iremos acolher estes homens, como ídolos em nossos templos, vendendo seus produtos ungidos pela avareza, soberba e libertinagem. Pastores que são cultuados como deuses, cantores que são adorados como divindades. A liturgia cristã (principalmente a pentecostal[3]) já não vive mais sem eles. Literalmente, temos uma fábrica de ídolos dentro de nossas igrejas, e o que tem alimentado esta degradação litúrgica religiosa cristã, são os próprios cristãos. São deles que procede o poder econômico sustentável destes ídolos. São os cristãos que patrocinam a idolatria dentro de nossas igrejas.

Nós evangélicos que reprovamos a atitude idólatra por parte de muitas religiões, por causa de nossa prepotência espiritual, não estamos observando a linha de produção de ídolos que já fazem parte do nosso cenário eclesiástico. Ou, será que estamos tão dependentes e viciados em conviver com estes ídolos e seus “dons”, que já não nos imaginamos viver sem eles? Enquanto houver esta mão de obra, a fábrica nunca será fechada.

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[1] CAIRNS, Earle E. O cristianismo através dos séculos. São Paulo: Vida Nova, 2008. p. 75.
[2] Quando menciono aceitável, refiro-me antropologicamente. Ou seja, aceitável aos homens.
[3] Sou cristão pentecostal, e com conhecimento de causa

fonte: http://pericopecc.blogspot.com/ (victor Hugo)

REFORMA É CARISMA

Sonho com uma igreja reformada e carismática. O que isso significa? Basicamente duas coisas:

1) Uma igreja que defende a supremacia e a inerrância bíblicas. (Reforma) O liberalismo (a crença de que a Bíblia contém a Palavra de Deus), a neo-ortodoxia (a crença de que a Bíblia se torna a Palavra de Deus) e os abusos do movimento pentecostal e neopentecostal (profecias e "apóstolos" no mesmo nível ou acima da Escritura) são ameaças bem reais às igrejas cristãs. As conseqüências destes movimentos são claras: a Bíblia deixa de ser um livro confiável e acaba perdendo a sua posição de autoridade máxima. No lugar, entra a razão, as profecias, a opinião do clero ou os esquemas teológicos oficiais das igrejas (tradição). Isso tem que acabar. A Bíblia precisa ser reafirmada como o tribunal supremo dos cristãos, estando acima de novidades teológicas, da cultura, de tradições e até mesmo dos concílios, credos e confissões de fé. Para isso, é preciso que a doutrina da inerrância bíblica seja exigida de todos os pastores e oficiais das igrejas. O pastor ou oficial que não crê na inerrância da Palavra de Deus não pode permanecer na liderança das igrejas. A razão é simples: se a Bíblia é falha, ela não pode ser a nossa fonte última de autoridade. E, se é assim, Lutero estava erradíssimo em deixar a Igreja Católica.

2) Uma igreja que leve a sério o uso dos dons do Espírito Santo. (Carisma) Basta uma lida rápida em 1 Coríntios 12-14, Efésios e Romanos 12, para perceber que uma compreensão correta dos dons espirituais é essencial para saber como as igrejas devem agir nos dias de hoje. É um erro que um assunto tão importante mal seja estudado nas igrejas históricas. Como também é absurdo que se estudem apenas dons "sobrenaturais" em algumas igrejas pentecostais e neopentecostais. Os protestantes históricos erram por ignorar dons "sobrenaturais" e não estudarem este assunto de modo sério e profundo com a membresia. Por outro lado, os pentecostais e neopentecostais erram quando pensam que dons se resumem a profecia, línguas, interpretação, curas e milagres.

Na verdade, o ponto 2 é um desdobramento do ponto 1. Sou carismático por entender que este é o ensino bíblico. Muitas vezes o carismatismo não é aceito porque ele não se encaixa em um esquema "racional" de explicação bíblica. Logo, "Carisma" é conseqüência de "Reforma".

Todas as outras questões podem ser resolvidas com esses pontos. Forma de culto, costumes, questões bioéticas...se a Bíblia ocupar o lugar que lhe é devido, tudo isso pode ser resolvido.

por Helder Nozima

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A ORAÇÃO E A PALAVRA, ALAVANCAS PARA O CRESCIMENTO DA IGREJA

Rev. Hernandes Dias Lopes


A igreja é um organismo vivo e não apenas uma organização. Seu crescimento é natural e não resultado de técnicas de comunicação. Seu crescimento saudável vem através da conversão e não da adesão. Seu crescimento espiritual desemboca no crescimento numérico e este deve espelhar seu crescimento espiritual.

Na busca do crescimento da igreja, não podemos nos capitular à numerolatria, a idolatração dos números nem à numerofobia, o medo dos números. Uma igreja saudável cresce o crescimento que vem de Deus, e isso tanto numérica quanto espiritualmente.

Não devemos nos abastecer das fontes do pragmatismo moderno se queremos estudar sobre o crescimento da igreja, antes, devemos nos debruçar sobre o Livro de Atos, o verdadeiro manual do Espírito Santo, a orientar a igreja contemporânea na busca desse crescimento saudável.

O crescimento da igreja passa pela oração e pelo ministério da Palavra. Os tempos mudaram, mas o método de Deus não. Os apóstolos entenderam essa verdade incontroversa e firmaram essa estacada, definindo a prioridade que dariam a esses dois elementos cruciais: Oração e Palavra (At 6.4).

1. A prioridade da oração no crescimento da igreja – O crescimento da igreja é uma obra de Deus. Plantamos e regamos, mas só Deus dá o crescimento. Pregamos e evangelizamos, mas só Deus pode abrir o coração. Ensinamos e exortamos, mas só o Espírito Santo pode convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo. Mesmo que usássemos todas as técnicas modernas e todos os recursos da terra, jamais poderíamos converter sequer uma alma. O novo nascimento é uma operação sobrenatural e exclusiva do Espírito Santo. Por isso, somente Deus pode agregar à igreja os que são salvos. Sendo assim, precisamos depender mais dos recursos de Deus do que dos nossos recursos. O poder para realizar a obra de Deus não vem da nossa inteligência, ou dos nossos recursos financeiros, nem mesmo das nossas habilidades pessoais, mas de Deus. É ele quem escolhe, regenera, chama, justifica e glorifica. A salvação é obra de Deus do começo ao fim. Sabendo disso, a igreja contemporânea deveria orar com mais fervor e com mais intensidade, como o fez a igreja primitiva. O crescimento numérico da igreja primitiva retrata sua vida exuberante de oração. A igreja orava e os resultados apareciam. Os joelhos se dobravam em oração e os corações se derretiam na presença de Deus em sincera conversão.

2. A supremacia da Palavra no crescimento da igreja – Na medida em que a Palavra de Deus crescia e prevalecia, a igreja primitiva se multiplicava. Hoje podemos até experimentar um crescimento numérico da igreja sem a supremacia da Palavra, mas não um crescimento saudável. A igreja do Pentecostes começou com a Palavra. No dia de Pentecostes Pedro pregou um sermão Cristocêntrico e cerca de três mil pessoas foram convertidas. Todo registro de crescimento da igreja primitiva no livro de Atos está diretamente ligado à proclamação da Palavra de Deus. É mediante a pregação que Deus chama os seus escolhidos. A fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Cristo. Deus escolheu salvar o homem pela loucura da pregação. A igreja cresce na medida em que a Palavra de Deus cresce. Não podemos produzir o crescimento saudável da igreja, mas podemos proclamar a Palavra de Deus com fidelidade e no poder do Espírito Santo, sabendo que a Palavra que sai da sua boca nunca voltará para ele vazia.

Quando a igreja se voltar para Deus por intermédio da oração fervorosa e se voltar para o mundo para proclamar com poder sua Palavra, então, essa igreja experimentará um crescimento extraordinário, pois Deus honra a oração e a Palavra, alavancas do crescimento de sua igreja.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pastor: “O Ungido” do Senhor ou não?


Quando o assunto é pastor há uma unanimidade quase insana da parte da massa evangélica ignora, de que o pastor é “o ungido do Senhor” e que sob nenhuma circunstância deve-se questionar a sua autoridade .Mas o que é unção?

No Velho Testamento a unção era um ato específico dado por Deus a uma pessoa escolhida para a execução de uma determinada missão, e podia ser retirada a qualquer momento, assim como foi com Saul, quando o Espírito de Deus afastou-se dele, e sobre ele veio um espírito maligno. 1 Sm. 16:14 “Tendo-se retirado de Saul o Espírito do SENHOR, da parte deste um espírito maligno o atormentava.” Em Is. 45:1 está escrito: “Assim diz o SENHOR ao seu Ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações ante a sua face, e para descingir os lombos dos reis, e para abrir diante dele as portas, que não se fecharão”.A unção era dada a quem era e a quem não era servo de Deus, conforme vimos no texto de Isaias. Deus ungia quem bem queria para que sua vontade fosse realizada e a história da salvação seguisse seu curso normal. Ciro era um rei pagão e nunca adorou ao Senhor. Entretanto foi ungido por Deus para libertar o povo de Israel para voltarem para sua terra.

Ungir, segundo o Dicionário da Bíblia de Almeida, é: “Pôr azeite na cabeça de uma pessoa. Profetas foram ungidos{#1Rs 19.16},”Também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel; e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar.” Sacerdotes também o foram {#Êx 30.30}”Também ungirás a Arão e seus filhos, e os santificarás para me administrarem o sacerdócio.” E reis também tiveram o óleo derramado sobre suas cabeças para serem ungidos {#1Sm 16.1-13}”ENTÃO disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche um chifre de azeite, e vem, enviar-te-ei a Jessé o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei.(1)… (13)Então Samuel tomou o chifre do azeite, e ungiu-o no meio de seus irmãos; e desde aquele dia em diante o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi; então Samuel se levantou, e voltou a Ramá.”

Eram ungidos portanto quem Deus bem queria e entendia.

Tanto “o Cristo” (grego) como “o Messias” (hebraico) querem dizer “o Ungido”, um dos títulos de Jesus, a quem Deus escolheu para ser o Salvador da humanidade {#Jo 1.41;}” Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo). {At 4.26-27}.”Levantaram-se os reis da terra, E os príncipes se ajuntaram à uma, Contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel;” O Ungido do Senhor não é outro, senão Jesus Cristo o filho de Deus.

O Dicionário da Bíblia de Jonh Davis reafirma que as palavras Messias e Cristo significam “o ungido”.No texto de Lucas 4:18 assim está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos.”

O texto em epígrafe não se aplica ao pastor e sim exclusivamente a Jesus Cristo conforme citação do Novo Dicionário de teologia do Novo Testamento, vol. IV, pg. 677 onde se lê: “Em passagens como Is 61:1″ O ESPÍRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; ” e Ez 16:9, “Então te lavei com água, e te enxuguei do teu sangue, e te ungi com óleo,” a unção deve ser entendida metaforicamente, sendo que, em Israel, a unção ritual era apenas disponível para reis e sacerdotes. Is 61:1 deve ser entendido como autoridade. No NovoTestamento (Lc 4:18) este texto é aplicado a Jesus: Ele foi o ungido por Deus para ser o profeta prometido.”

Atos 4:26 “Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido;”Comentando este versículo, I. Howard Marshall em seu comentário ao livro de Atos p104, afirma que,”O emprego do termo ungido (i.é Messias) tornou inescapável à aplicação a Jesus”.

Então como fica o pastor nesta história?

A unção de Deus é universal, ou seja, recai sobre todos.

Em I João 2:20 lemos:” E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento.” No versículo 27 assim escreve o apóstolo:” Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou.” O texto é mais do que explícito. Todos somos ungidos e todos nós somos sacerdotes do Senhor conforme está escrito na 1 de Pedro 2:5 “também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.” No verso :9: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;”

Portanto, Pastor, Bispo, Presbítero e etc, não é unção com a conotação dada pelos reverendíssimos e, sim, dom do Espírito Santo de Deus. É comissionamento, é chamado.

Diante do exposto, não vejo onde está esta unção especial defendida e requerida pela maioria dos pastores, principalmente os da linha pentecostal e neopentecostal.

Na carta escrita aos Efésios 4:11 o apóstolo Paulo diz que “ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.”
Notaram no início do versículo o “ele mesmo concedeu”? Em Mateus 22:29, Jesus diz: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus.” e ainda em Marcos 12:24 “Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?”

Defender portanto esta doutrina esdrúxula de que o pastor é o ungido do Senhor, e que é um ser inatacável, e intocável é induzir o irmão ao erro. Não defendo aqui a desobediência ou rebeldia contra o pastor. Não é esse o objetivo deste artigo, mas sim o de demonstrar que nós os cristãos devemos seguir o exemplo dos crentes de Beréia que conferiam se tudo que lhes estava sendo ensinado, se coadunava com os ensinos bíblicos.

A palavra de Deus nos ensina que qualquer um que comete erro é digno de repreensão. Paulo em sua carta aos Gálatas no capítulo 2:11-14 repreendeu a Pedro publicamente por estar se portando de maneira errada.”E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” O ensino bíblico coloca a todos em pé de igualdade. Ninguém é superior a ninguém. Jesus ensinou que aquele que quisesse ser o maior, fosse o menor.Não permitamos que teologias canhestras venham minar o nosso relacionamento com Deus, a igreja e nossos irmãos.

Todo pastor que anda consoante os ensinos neotestamentário é digno de honra bem como qualquer membro comum da igreja. Todos são dignos de honra. O membro não pode nem deve se colocar contra o pastor por discordar de algum pensamento seu, pois o pensar é livre e direito de todos. De igual modo o pastor não pode e nem deve perseguir o membro de sua congregação, chegando às vezes a expulsa-lo por discordar de um pensamento seu. Somos livres para tomar nossas decisões e libertos por Jesus para sermos realmente livres com o conhecimento da verdade.”E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”(Jo 8:32)

Há que se ter bom senso, tolerância e acima de tudo amor uns com os outros.Em sua primeira carta aos Coríntios o apóstolo Paulo afirma:”AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.” O amor é a solução para toda sorte de problemas que enfrentamos nas nossas igrejas. O apóstolo Paulo em sua I carta aos Coríntios 13:13 diz:” Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.” Recomendo a leitura de todo o capítulo 13 desta carta com o firme desejo de que essa leitura surta efeito na vida de , todos nós.
Certamente que este assunto não se esgota nestas poucas linhas, mas com certeza servirá para trazer um pouco de luz sobre o assunto. Assim espero!

E Deus me ajude que eu não seja excomungado pelo que escrevi!

Shalom Adonai
Jesser Medeiros
jessermedeiros@yahoo.com.br

FONTE: http://jessermedeiros.multiply.com/journal/item/28/28